TAG 'ronaldo fraga'

8/05/12

Sobre, simplesmente, ser. Ou: meus dois dias com Ronaldo Fraga

Fotos no estilo “Desculpa, mas minha cidade é linda!”.

Para ver Ronaldo Fraga no segundo dia de curso eu fui assim:

Blusa Totem – 45,00
Saia Cantão que ganhei da marca
Alpargatas Richa’s – 74,00
Óculos vintage Jacques Vernier – 80,00

fotos: Pedro – Instituto Rio Moda 

Entrei em 2012 com a ideia de estudar melhor sobre moda, fazer cursos na área e na minha área profissional (que é o design gráfico), nada como aprender e desenferrujar. Justamente por ter um veículo de comunicação como o blog, mesmo que seja informal e totalmente informal, sem pretensões de mostrar que sei das coisas, acho que é preciso no mínimo algum conhecimento para a gente crescer, melhorar e poder oferecer outras ideias e pontos de vista para quem nos lê.

O que eu queria mesmo era um curso que abrisse minha cabeça, que me pusesse pra pensar moda de uma forma completamente diferente, sem preocupação com tendências, com certos e errados. E um dia, conversando com minha amiga Julia que tinha acabado de fazer um curso do Instituto Rio Moda, ela me sugeriu o workshop com o Ronaldo Fraga. Apesar de todo mundo saber que amo, amo e amo Ronaldo Fraga e sou admiradora há anos (tipo, toda vez que eu vou a BH, vou na loja dele, FATO!), só estava com receio por ser de outra área profissional… mas que bom que eu me dei essa oportunidade: Ronaldo não falou de moda, falou de histórias. Falou de ensinamentos pra vida, seja qual for a sua vida.

E acho que por isso também resolvi passar a escrever, escrever e escrever mais aqui no blog. A voltar a ser mais colorida. A usar mais minhas roupas sem receio. A não me limitar ao que os outros gostam apenas e não me preocupar com isso. A experimentar sem culpa. A errar para acertar, pelo desafio de tentar. Foi isso que comecei a buscar quando surgiu esse blog. Fugir da pasteurização que tomou conta de uma parte da blogosfera. Nunca acreditei nessa coisa de me vestir por vestir. Sempre quis comunicar. E foi lindo, foi fundamental, ouvir tanta coisa a respeito.

Foi até algo que comentei no dia, em sala: o que mais escuto é que tem gente que gosta de moda. Mas tem quem goste de histórias. E, nas palavras de Ronaldo, poucos veículos te permitem assumir outras posturas e a vestir essas histórias, como a moda. E, à medida que ele falava sobre, a cabeça começava a estalar de ideias. De o quanto somos impelidos compelidos a seguir regrinhas, a nos vestirmos e criarmos (no caso da galera de moda!) para os outros, a ousar pouco, a procurar o que é facilmente palatável, sem desafiar a mente de ideias, de propostas diferentes, de percepções que tudo pode ir além. Nas palavras dele, “o GENUÍNO faz falta no mercado. A longevidade nessa área está na autoralidade. O que o universo está pedindo agora é o genuíno, as histórias originais”.

Sintetizando: “O grande desafio da moda é construir a crônica e a poesia diária de quem a vai usar”.

Iniciando o seu Workshop de Moda, Criação e Criatividade, vimos uma série de videos-conceito de algumas das suas coleções, ouvimos sobre o quanto o objeto de pesquisa o move e o faz mergulhar a fundo no universo da criação. Do quanto isso precisa lhe dar prazer, sem seguir uma fórmula de desfiles, desafiando desde a cenografia até no conceito. Afinal, é difícil falar de cultura popular no nosso país. Nós, que reclamamos tanto que a nossa moda não tem uma identidade, enquanto temos nosso olhar projetado para fora. Não conhecemos nem superficialmente nossos poetas, nossos artistas, nosso povo cheio de talentos mesmo em lugares onde falta absolutamente tudo. Somos cegos dentro da nossa própria cultura. Desconhecemos nossa história. Emburrecemos olhando imagens, engolindo ideias prontas. Não questionamos, e o pior, não lemos. E nesse caso ele não diz pra ler Vogue, Elle e afins, mas a nossa literatura básica: Machado de Assis, Drummond, Manoel de Barros. Para ele, não existe um trabalho de criação sem essa referência cultural. 

Sobre essa parte da leitura, destaco uma das frases de maior efeito pra mim durante o curso:

“O vício do nosso tempo é a dificuldade de leitura. O de engolir imagens pelas imagens. Quem consegue ler uma imagem? O vício da não-literatura está cegando o nosso tempo.”

Acho que o mais lindo do curso inteiro foi ouvir alguém que se apropria das suas ideias, que não teme as críticas, que afirma que “só com autoestima a gente pode se apropriar das ideias nesse país“, que “para entender o Brasil, é preciso olhar com olhos de poeta”. Foi importante olhar pra dentro da gente e buscar nossa verdade. Pensar fora do riscado, perceber que algo muito bacana pode ser feito, dito, criado. Uma vontade enorme da busca pelo desafio, pela beleza nas palavras, na música, no sentimento.

Foram dois dias de curso que transformaram toda a minha visão das coisas. Se eu já amava vestir Ronaldo, imagina agora pensar em tanta coisa que foi dita entre sorrisos mineiros marotos?

Assistirmos trechos do documentário Só dez por cento é mentira, do Manoel de Barros, que, segundo Ronaldo, é um dos maiores pensadores deste século, com poesias pertubadoras de simples. Depois fizemos um exercício com as peça-pilotos dele que recebemos: de nos apropriarmos de uma poesia de Manoel e transferí-la para a roupa. Eu estava descrente, achando que não ia conseguir criar nada de bom…fiquei relax, estava feliz, e as ideias foram surgindo…

Meu vestido ganhou asas e cores! (obrigada às queridas que me emprestaram material!!)

Parte da galera criando.

Ahahaha, minha poesia era: “Poesia é voar fora da asa”. E nesse dia eu tentei voar fora da minha. Ficou loucão meu vestido, né? Bem gráfico, rs!

Fiz várias perguntas pro Ronaldo e anotei tanta coisa bacana que ele disse, que esse post vai precisar de uma segunda edicão. Sei que ficou imenso, mas a catarse pós-curso foi maior e eu precisava dividir tanta ideia bacana com vocês. Aliás, o melhor foi na hora da apresentação, que comecei a falar que tinha um blog de moda acessível…e o Ronaldo disse: “Você é a menina do Hoje Vou Assim OFF??”. GENTE, ELE CONHECIA O BLOG!!!! COMO ASSIM? Acho que a alegria foi tanta, já que nunca imaginei isso, que eu poderia acabar com o blog hoje e ser feliz…hahahaha!

Aguardem então o segundo post só com frases e dizeres do Ronaldo sobre paixão, moda e nossa indústria. Beijos extasiados!

96 amaram
23/11/11

Em tons pastel

postado por em Look do dia

Ana veste:

Camisa C&A – 59,90
Calça Ronaldo Fraga comprada num bazar – 42,00
Cinto O Artífice – 15,00
Mocassim Sonho dos Pés – 75,00
Bolsa City Shoes – armário da mãe

fotos: Syl Dietrich

Usei esse look – mas ao invés do mocassim, com uma rasteira dourada – para ir ao cinema outro dia e curti bastante do resultado. Leve, despretensioso, mas com várias informações que o tornam diferente. A começar pela calça, com um quê de saia, um quê de palazzo pants. A modelagem ampla pode dividir opiniões, mas não a minha: confortável e divertida. As suas listras de cores esmaecidas serviram para inspirar um look quase que todo em tons pastel, incluindo a bolsa.

Apesar de ter um pouco de receio com roupas de cores tão claras, já que não se destacam muito no meu tom de pele, achei que ficou tudo harmonioso e até que a composição teve seu destaque. Uma coisa tipo “phyna do Leblon”, hahaha!

Seja o primeiro a amar
1/11/11

Um look não-OFF

postado por em Look do dia

Ana veste:

Jaqueta Queen’s Wardrobe - 113 dólares
Calça Stella McCartney para C&A – presente do marido, mas custou 178,00
Oxford Ronaldo Fraga – 200,00 em 3X
Camiseta Espaço Fashion – presente da marca
Bolsa Zara – 79,00
Colar – presente

fotos: Syl Dietrich

Calmaaaaaaaaaaa, pessoal, que eu ainda não ganhei na sena! haha! Querendo aproveitar o último sopro de inverno no Rio de Janeiro, vesti algumas das peças que mais amo e que provavelmente não usarei tão cedo com o calor que nos aguarda pro verão. Aí percebi que eu estava usando algumas das peças mais caras do meu armário, aquelas que valeram o investimento – e, que de tanto eu usar, já se pagaram. :)

Por um momento eu pensei que estaria contrariando a proposta do blog com esse look, mas isso já é uma grande bobagem, pois ninguém aqui em casa ficou rico para eu fazer a louca e ir ao shopping torrar o salário. Aliás, achei até divertido perceber que meus itens “caros” não chegam aos pés dos valores praticados nas vitrines nacionais. Outro dia fui olhar um vestido longo numa loja conhecida e a etiqueta estava na casa dos mil reais, minha gente, vestido de paninho mesmo!

Sempre bato na tecla que alguns itens valem sim um esforço maior para servir como base sólida de qualquer produção (lembram da matéria pro GNT?) e eu, por experiência própria, percebi bem tarde que não adianta olhar só o que tá barato e comprar loucamente mil coisas. Faço bem menos compras do que antes, justamente por estar mais criteriosa em relação ao que preciso e ao que vai fazer a diferença no meu armário. Criteriosa com preço, sempre, e com qualidade. Até porque não sei quando vou conseguir me acostumar a pegar um vestido que custe 500 reais e fazer um cheque por ele. Acho que não conseguiria dormir pensando no gasto de quase um salário mínimo habitando apenas um dos cabides do meu armário.

Não sei se é mão-de-vaquice a minha ou apenas uma percepção maior dos valores das coisas. Mas sigamos com a nossa realidade enquanto isso: a de garimpar para conseguir se vestir bem.

1 amou
22/08/11

A segunda-feira de sempre!

postado por em Look do dia

Ana veste:

Casaco Ronaldo Fraga – 180,00 (em 3X)
Blusa Renner – 39,00
Saia Espaço Fashion para C&A – 79,90
Meia-calça antiga
Sapatilha Leeloo – 63,00
Colar C&A – 29,90
Bolsa Zara – 79,00

Aeee, voltamos às postagens normais, viram? Nada de pânico, meninas! hahaha! E como toda volta à rotina, mais uma segunda-feira na correria, escolhendo roupa em cima da hora, hehe! E com as temperaturas mais baixas por aqui, resolvi tirar do armário esse casaco-quimono que comprei na loja do meu queridinho Ronaldo Fraga, em Belo Horizonte, há alguns anos. Eu AMO esse casaco, acho uma das peças mais originais do meu armário e também uma das mais caras (!!). Na total falta de tempo pra me arrumar, só pensei em um look clássico, pretinho básico – e gostei!

A correria e a falta de luz para a foto impediram de mostrarmos alguns detalhes, mas peguei uma foto do colar que tirei na própria loja da C&A para mostrar a vocês: esse post sai amanhã aqui no blog, na tag “Achadinhos”, mas eu estava mega empolgada para mostrar pra vocês! A C&A estava cheia de colares lindos demais e eu me apaixonei por dois. O de hoje custou 29,90! :) #ficadica

1 amou
7/06/11

“Eu não usaria essa roupa”

postado por em Look do dia

Ana veste:Blusa Jardin – presenteCalça Ronaldo Fraga comprada no Bazar Bom Demais – 42,00Cinto O Artífice – 15,00Blazer Maria Bonita Extra para C&A – 129,90Sapatilha Espaço FashionBolsa Ebay – 17 dólaresAnel Zellig – 15,00
Esse look eu usei no quinto dia de Fashion Rio! Repeti para vocês verem :) ——————————————-
Sempre que eu coloco essa calça, na minha cabeça rola um: “Ah, tenho certeza que muita gente não vai gostar”. E eu amo essa calça: ela não é skinny, não é flare, não é nada que está na moda. Ela é ela!UPDATE: Gente, a Priscilla Castro acabou de escrever que o modelo dessa calça tá em alta, é uma palazzo pants (!!!?). Eita mundo da moda doido, meu Deus!
Claro que não é impeditivo e de certa maneira eu sei que gosto e sempre gostei de usar modelagens e cores diferentes para me diferenciar na multidão. Curto ter um estilo próprio (que evolui a cada dia) e principalmente ser fã de um estilista (como o Ronaldo Fraga) e amar a grande maioria das suas obras.
É engraçado porque mesmo com certa segurança ao me vestir, eu tenho esse pensamento. A gente tem sempre a preocupação com a aceitação, se não vão olhar torto na rua ou nos censurar só porque nos permitimos vestir o que queremos. E o famoso “Eu não usaria, mas você segura o look” nada mais é que um atenuante. Porque eu posso ousar numa produção e você, não?
Logicamente, muito é do estilo de vida e identificação da pessoa. Mas o grande barato é que nosso estilo pode respirar essa liberdade e de uma forma tão inerente à nossa personalidade, que isso acaba sendo natural: usar uma calça como a de hoje não é forçar a barra. É normal pra mim. É sentir-se você mesma quando está dentro daquelas roupas. E isso é o mais gostoso na moda: podemos ter nossa própria identidade, por mais inspirações e tendências que existam por aí. Sem medo. Sem drama.
Enquanto pensava no assunto do post de hoje, li essa matéria da revista TPM clamando por Ousarmos mais, por favor. Vale a leitura, vale o pensamento: cada um tem seu estilo e é premissa básica não se chocar com isso.

1 amou
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