Passeio na Urca

Pardon my french, mas to bem ferrada de tempo nos últimos dias. Eu JURO que é por um motivo incrivelmente maravilhoso, que em breve vocês saberão. Sempre quis fazer mistério sobre projetos aqui nesse blog, MUAHAHAHAHAHA!

Por conta disso eu tirei o feriadão pra descansar a mente e tirar uns dias de ócio criativo, já que os próximos meses serão de trabalho pesado. Encontrei os amigos, fui a shows, curti uma praia, dei um rolé no meu bairro preferido da cidade, a Urca.

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Aproveitei o restinho de friaca misturado ao calorzinho solar da primavera que se anuncia, para misturar um top bem verãozinho com essa saia de veludo. Foi um look montado e fotografado de improviso, mas que achei válido para ilustrar por aqui meus looks de final de semana.

Normalmente sou mega despojada nos findes mas tenho me dedicado a elaborar um tantinho mais, já que são justamente os momentos em que estou em paisagens diferentes das do meu cotidiano. Não gosto de perder muito tempo pensando em produções quando quero sair logo de casa e curtir o dia, por isso constantemente me sinto aquém da capacidade criativa do meu guarda-roupa.

Tenho tentado quebrar esse hábito de preguiça criativa nos dias de lazer, mas confesso que a mente para de funcionar um pouco nas folgas…a sorte é que ter um guarda roupa coerente com seu estilo te ajuda até nesses momentos em que não queremos (ou não conseguimos) pensar, hahahahah!

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Gostei da mistura de texturas, como a do tricô do casaquinho com o veludo da saia, e acho que só aí o look já ganhou em graciosidade. Mantive também uma proposital coerência entre as cores, tudo em verdes e azuis, e achei bem a cara de um dia solar e fresco no Rildy.

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Blusa Boah
Cardigan FARM comprado em brechó
Saia 21 Brechó Arte
Bolsa Adô Atelier velhaca já hahaha
Sandália Melissa que abriu uma ferida no meu dedãoChapéu UV Line
Óculos escuros Livo

foto: Paulo Neumann

Como vocês podem perceber eu não estou com muitos assuntos hoje, a mente ainda está lerda, hahaha! Mas o feriado rendeu várias ideias que eu vou desenvolvendo pra vocês ao longo da semana. 🙂

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Os passos lentos que a Moda Plus Size tem dado no grande mercado

Semana passada rolou mais uma edição da São Paulo Fashion Week e a palavra da do evento de moda mais famoso do Brasil foi representatividade. Se antes o ambiente da moda era composto apenas por pessoas consideradas dentro dos padrões de beleza eurocêntricos, hoje os produtores e estilistas não conseguem mais ignorar a pressão popular que implora por diversidade nesses espaços. Negros, trans, deficientes, e, claro, gordas desfilaram

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MC Carol de Niterói arrasando na passarela da LAB

Na penúltima edição da SPFW, a Lab Fantasma trouxe pela primeira vez uma modelo gorda pisando na passarela do evento. A Bia Gremion usa manequim 60 e foi o super destaque do desfile. Esse ano, a marca repetiu a dose e levou MC Carol (uma mulher gorda, negra e periférica) para a passarela. O desfile da Lab é um dos mais aguardados por levantar com vigor a bandeira da representatividade em seus modelos. A grife, do rapper Emicida, convidou também várias jornalistas, modelos e blogueiras gordas para vibrarem junto.

Outra grande surpresa nesta edição foi a apresentação da nova coleção do Ronaldo Fraga. Buscando “dar luz aos invisíveis”, o estilista colocou em seu elenco pessoas totalmente distintas do que estamos acostumadas a ver nas semanas de moda: idosos, deficientes físicos, transexuais, descendentes de índios e Fluvia Lacerda, a top model Plus Size que mesmo tendo quase quinze anos de carreira, nunca havia pisado nas passarelas da semana de moda mais relevante do país. Ronaldo Fraga é conhecido por celebrar a diversidade em seus desfiles – na última edição, abordou a questão dos refugiados e também da transexualidade.

Ronaldo Fraga SPFW N44 Verão / 2018 foto: Ze Takahashi / FOTOSITE
Fluvia Lacerda desfilando para Ronaldo Fraga
foto: Ze Takahashi / FOTOSITE

Hoje o estilista Alexandre Herchcovitch anunciou o lançamento de sua primeira coleção destinada ao público Plus Size. Em uma collab feita com a Elegance All Curves, as peças assinadas pelo estilista – que tem mais de vinte anos de carreira – vestirão mulheres que usam entre 44 e 54. A parceria tem ares de super produção – as fotos da modelo francesa Clémentine Desseaux foram feitas pelo consagrado fotógrafo André Schiliró. Mas, apesar do furor de ter um grande estilista criando modelos em tamanhos maiores, algo me incomodou e eu resolvi ler um pouco a opinião de outras amigas gordas pra ver se era só coisa da minha cabeça. Não, não era.

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Uma coleção Plus Size assinada por um grande estilista é um passo dado? Sim. Mas, honestamente, eu gostaria de ver esse tipo de parceria em grandes lojas do varejo. Joulik, Blue Man, Pat.Bo e o próprio Herchcovitch já lançaram coleções para a C&A, por exemplo, e os tamanhos conseguem ser ainda menores que o padrão da loja.

Parece que as grandes grifes e seus estilistas estão aos poucos entendendo que a moda mais do que nunca é uma questão social e precisa ser vista como tal. Não adianta só fechar collab com marcas de moda Plus Size, até porque são poucas que tem condições de firmar esse tipo de trabalho com estilistas ilustres e contratar fotógrafos de grandes editoriais. Precisa aumentar a própria grade, levar mulheres maiores para os grandes eventos de moda e celebrar todos os tamanhos. Porque sem isso, vira só mais um sanguessuga descobrindo que gorda gasta dinheiro pra se vestir – e esse tipo nós já estamos cansadas de ver.

mari-rodrigues-hoje-vou-assim-offMariana Rodrigues
Carioca, 30 anos, gorda. Tagarela de carteirinha, fã de chá gelado e viciada em bons debates na internet. Apaixonada por moda e televisão, escreve sobre esses e outros assuntos também em seu blog aquelamari.com
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Básicos não tão básicos: mudando o jeans de todo dia

Eu amo jeans. É meu uniforme dos dias intempestivos, dos dias relax, dos dias que não tenho ideias e quero resolver rapidamente a roupa. Mas eu aprendi a não usá-lo como bengala dos meus looks – é muito tentador recorrer só à velha e boa calça jeans de todo dia e deixar todas as outras paradas porque precisam de um tempo a mais para pensarmos nas coordenações.

Hoje eu recorro às outras boas opções que disponho para não ficar repetitiva, nem muito óbvia, mas as peças em jeans terão sempre lugar cativo no meu coração. Eu tenho preferido os modelos retos e mais curtos para atualizar os looks, mas confesso que adoro quando consigo usar a calça flare escura, justamente por achá-la mais elegante e apta a transitar em diversos ambientes me sentindo mais arrumada que despojada!

Só não a uso tanto porque prefiro com salto ou plataformas e minha prioridade no momento tem sido o conforto dos sapatos baixos. Mas às vezes animo de sair com minha sandália flatform (de solado reto e alto) e por isso vou mostrar alguns pulos do gato para ficar mais arrumadinha quando não to com saco de pensar muito no look, rs!

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Já falei nesse post que adoro recorrer ao hi lo, que é um conceito perfeito para multiplicar nosso guarda roupa com pouco, combinando uma peça mais arrumada com outra despojada ou uma de tecido mais rhyco com outro mais basicão. Nesse caso eu sempre vou para as camisas, e procuro fechar o botão até a gola (um truquezinho para deixar o look mais estiloso), dobro as manguinhas e pronto!

A camisa que também tem me deixado viciada é essa da Comas, uma das marcas com o melhor trabalho de upcycling no Brasil. Toda a criação é feita com camisas masculinas que não passaram no controle de qualidade das marcas, que são transformadas em peças femininas como chemises e até saias! Eu AMO esse modelo que reúne duas camisas diferentes em uma só: acho genial a forma como a junção é feita, reparem na parte de trás da barra que é na verdade a gola da camisa de baixo!

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Essa é a primeira dica: eu não pego qualquer camisa pra usar com calça jeans. Sempre escolho as mais coloridas ou as que tem algum detalhe mais interessante, para não deixar tudo careta/sóbrio demais. 🙂

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Camisa Comas
Calça Renner
Sandália Inbox Shoes
Bolsa Adô Atelier

fotos: Denise Ricardo

Outro recurso que uso pra caramba quando estou de jeans, é o da terceira peça. Gosto sempre de adicionar camadas no combo parte de cima + parte de baixo, recurso que ajuda a nos deixar mais interessantes sem muito esforço. 🙂

Pode ser um coletão como esse que usei pra ajudar a alongar a silhueta (nesse caso ajudei mais ainda nessa ideia com a combinação quase monocromática entre cor de blusa e calça!), pode ser blazer, casaqueto, jaqueta, um lenço coloridão, uma parka, uma camisa aberta por cima: qualquer item a mais que vai ajudar a adicionar cor, textura e forma no básico de sempre. 😉

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O colete escolhido é todo bordado e tem uns brilhos bem discretos, outra proposta boa para balancearmos com a mensagem mais esportiva do jeans. Adoro, aliás, usar esse recurso para algum evento que precisarei emendar depois de um dia só resolvendo coisas na rua, por exemplo.

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Colete Cantão
Blusa Jardin
Calça Renner
Sandália Inbox Shoes
Bolsa Adô Atelier
Brincos Montageart

fotos: Denise Ricardo

Qual foi seu look preferido? 🙂

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A roupa apropriada para viver

No domingo fez um dia maravilhoso de pré primavera aqui no Rio de Janeiro (já sinto saudades dos meus casacos que eu mal usei nesse inverno, rs) e eu decidi passear no Aterro do Flamengo.

Uma programação super carioca que incluiu uma passadinha na Feira da Glória para nos abastecermos de tapioca, algumas paradas estratégicas para tomar água de coco, andar de bicicleta e skate com essa vista arrebatadora ao fundo, sentar na orla da praia para tomar fôlego e recarregar nossa paixão por essa cidade. <3

Eu decidi ir de macacão. Estava sem saco de depilar a perna (foi mal, mas quando os pelos estão maiores eu não curto exibir, hahaha), queria me sentir bonita para o passeio e, definitivamente, aproveitar que ainda não está um calor infernal para usar outras roupas que não sejam short e regata.

Escolhi esse modelito bem fresquinho, com tecido de algodão e linho, num tom claro para combinar com o clima. As pernas dele são mais amplas com uma fenda – o que também refresca. Optei por poucos acessórios, um tênis para reforçar a prioridade conforto, fui pra porta pra sairmos. Aí marido arregalou os olhos: “Como você está arrumada! Nem parece que tá indo ali pro Aterro”.

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Macacão Karamello
Tênis Adidas
Lenço que veio em revista
Bracelete antigo Adô Atelier
Bike alugada no Aterro

Do instagram, eu li: “Você está linda, mas eu não usaria essa roupa pra andar de bicicleta”.

Claro que eu sei que macacões não estão no hall de peças práticas para passeios, principalmente por conta da ida aos banheiros, mas eu realmente não me importo. Eu sei que as pernas amplas e claras da peça poderiam encostar na correia e manchar de graxa (claro que aconteceu), mas também não estava me importando com isso.

Eu queria apenas me sentir linda e não ter que guardar roupa achando que preciso de um evento especial para usá-la. Quer evento mais especial que viver os dias? Que outro convite pode ser mais importante que esse?

Não estava interessada se as pessoas aqui da cidade costumam ir ao Aterro com roupas de ginástica ou de biquini, chinelo e short. Eu estava com uma roupa confortabilíssima, de tecido maleável e fresco, que me permitiu andar de bike por 45 minutos feliz e contente, uma roupa que me deixou feliz. Não me impediu de curtir o dia, pelo contrário: desprendida, ainda sentei no chão da orla da praia e fiquei ali curtindo aquele visual que inebria a alma carioca.

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To torta na foto mas já fui na osteopata, gente, haha

E aí parece que precisamos justificar o tempo todo nossas escolhas, como se fosse um crime se apropriar delas, principalmente se não seguem o que se coloca como norma. “É de linho. Eu estava confortável. Não, não atrapalhou o meu passeio”, uma justificativa seguida da outra, que poderia ser mais simples e se resumir em “Eu saí assim porque eu me curti assim”. 🙂

Não quero saber sobre regras que decretam e normatizam sobre nossas escolhas. Existe adequação, fato – mas se você está se sentindo bem e em nada agrediu o direito do outro de se sentir confortável com suas escolhas, isso não deveria te impedir de se vestir de você.

Roupas existem para serem usadas, para nos acompanharem e ajudarem a nos expressarmos pro mundo. Eu posso manchar esse macacão de graxa nesse passeio, como posso sair com ele para ir a um bar e derramar molho sem querer. Ou deixá-lo mofando parado no armário, esperando aquele momento certo (como se existisse isso), e, ao pegá-lo finalmente, notar um monte de pintinhas amarelas da falta de uso.

Eu posso ir pra casa das amigas de bicicleta, linda e maravilhosa. Posso ir ao trabalho todo dia também de bike, escolhendo só tecidos não muito fluidos. Eu posso ir a pé de um bairro a outro. Eu posso apenas querer parar e apreciar a vista.

Não existe a roupa certa para o momento. Existe a pessoa que você escolhe ser todos os dias pra você. 🙂

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