Roupa afetiva

Sabe aquele termo comfort food – ou, em bom português, comida afetiva? Ele nada mais é que um conceito ligado à comida simples, como a boa e velha comida de vó, reconfortante, que nos remete a uma passagem boa da vida, nos faz sentir em casa, na nossa terra, nos reconectando de onde viemos.

Roupa também pode seguir esse conceito. Dizer mais de onde viemos, as nossas origens, transmitir mensagem de todas as nossas referências do passado. E uma dessas minhas referências simples e reconfortantes são camisas assim, listradinhas, de linho, deliciosamente despretensiosas que funcionam para variadas ocasiões.

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Linho remete à minha vó, assim como esse tipo de camisa e esse listrado. Referencial e memória afetiva em moda contribui para estabelecermos uma conexão maior com o que arrematamos ou guardamos. Criamos uma história com aquela peça, o que ajuda a cuidarmos mais dela e a não enjoarmos ou tirarmos ela de cena tão rápido.

Se tem algo importante nessa história de praticar moda mais consciente, é o de prolongarmos ao máximo a história daquela roupa conosco. Fazermos render mesmo que depois seja para transformá-la em outra peça completamente diferente, mas entendermos mais sobre a importância de nos apropriarmos mais das nossas escolhas <3

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Camisa Osklen comprada em bazar – 140,00
Calça antiga C&A – 59,90
Slip on Sanden – 190,00
Lenço Richards e acessórios Luiza Dias 111

fotos: Denise Ricardo

Vocês mantém peças afetivas ou que remetem a alguma referência afetuosa? Que tal começar a usá-las mais também e adicionar mais personalidade aos looks? 🙂

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Marcas de joias e bijuterias no caminho consciente

É inegável reconhecermos que as discussões sobre consumo consciente e impacto ambiental vem pautando cada vez o mundo da moda. Sim, ainda temos um looongo caminho pela frente. Na maioria das vezes, nos preocupamos com o processo de produção das roupas. Às vezes também rola o questionamento sobre os métodos de confecção das nossas bolsas e sapatos, mas até outro dia, eu nunca havia me perguntado sobre as minhas joias ou bijuterias.

Em uma olhada rápida, vi que desconheço as condições em que a maioria dos meus brincos, colares e pulseiras foram feitos, mas acredito que muitos deles vieram da China, provavelmente às custas de trabalho escravo ou infantil.

Pensando nisso, apresento neste post alternativas para quem está buscando sair da mesmice também nos acessórios. Algumas destas marcas abriram suas fábricas nas redes sociais para responder à pergunta inspirada pelo Fashion Revolution: Quem faz as suas bijoux? Outras fabricam peças sob medida ou com material reaproveitado, ajudando a reduzir o impacto de lixo tóxico na natureza. Os materiais, estilos e meios de produção são diferentes, mas a intenção é uma só: diminuir os impactos socioambientais na criação de novos produtos.

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Josefina Rosacor na campanha do Fashion Revolution

Josefina Rosacor

Foi uma grata surpresa ver as postagens da marca nas redes sociais apresentando seus funcionários de diversos setores e mostrando um pouco mais do processo de produção das peças (eu podia jurar que a loja era apenas uma revendedora). Com 15 lojas espalhadas por quatro cidades do Rio de Janeiro, a rede de franquias vende, além de bijuterias, bolsas, sapatos, óculos de sol e itens de decoração. As referências são em sua maioria bem românticas, como brincos e pingentes de objetos fofos, frutas e doces, por exemplo.

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Com um conceito a ser inspirado em cada coleção os designers Eduardo Aiello e Alex de Oliveira vem, há 15 anos, fazendo os chamados “objetos de objetos”. A partir de viagens e garimpos em lojas de antiguidades são criados brincos, colares e anéis em formatos únicos e exclusivos, confeccionados muitas vezes após a desconstrução de outros objetos.

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As obras de arte da Montageart

PP Acessórios

O que para a indústria calçadista é considerado lixo – o excedente do couro que seria descartado -, para a PP Acessórios é a matéria prima de todas as suas bolsas, carteiras e pulseiras. A marca possui uma loja-atelier em Porto Alegre, onde é possível acompanhar parte da produção, e também uma loja em São Paulo. Por se tratar de um processo totalmente artesanal, as lojas não possuem estoque, recebem apenas as peças (que são, em sua maioria, exclusivas) produzidas na semana.

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Estúdio Ripa

A Ripa mescla a versatilidade da prata com a ideia ecologicamente correta de usar madeira de reflorestamento e restos de madeira doados por marceneiros e designers. A madeira é manualmente “lapidada” e “cravejada” nos anéis e brincos, podendo também utilizada como pingente nos colares. Em todas as peças vem explicado o tipo de madeira utilizada, o que é bem bacana para quem quer saber melhor de onde veio a matéria prima das suas joias.

Estúdio Ripa

Sassy Joias

Com suas “joias que contam histórias”, a Sassy é a marca mais nova dessa lista. Criada há pouco menos de um ano, todas as peças são feitas à mão em prata, podendo receber banho de ouro tradicional ou rosé. Poucos são os modelos de peças em estoque, pois o grande barato da marca é deixar que o cliente escolha o recado que ele quer dar em seus anéis, cordões ou pulseiras. Os tamanhos são sob medida – quem tem dedos, pulso e pescoço mais gordinho pode se jogar sem medo -, e a Gabi, ourives responsável pela marca, faz também peças desenhadas exclusivamente de acordo com que é pedido.

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Nenhuma dessas empresas utiliza mão de obra barata e a maioria das peças é feita de maneira artesanal, por isso os valores são mais altos que o que estamos acostumadas a ver nas varejistas por aí. A dica da Ana no post sobre investir em peças que vamos usar muito também vale para os acessórios, tá?

Quem mais podemos acrescentar nessa lista? Contem as suas marcas preferidas!

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Agarra ou foge: meias de paetês!

Quem é mais antigo aqui no blog já tá ligado: eu sou ALOKA dos paetês. Gosto mesmo, por mim teria toda a coleção da Joulik para C&A (hahaha, semana que vem teremos posts de impressões!), adoro tudo que brilha e reluz, masssss aprendi que não é todo casquinho brilhoso que merece minha atenção.

Então eu parei de levar mais e mais peças de paetês pra dentro do armário e deixei apenas aquelas que eu gostava demais. Só que aí eu me deparei com uma coisinha brilhosa que fez meu coração de drag bater mais forte: meias com paetês, gente!

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Sim, meu tapete têm pelos de gatos

Eu tô numa vontade imensa de usar e abusar das minhas meias nesse outono-inverno – trouxe algumas que misturam cashemere lá de Praga, inclusive. Eu tenho duas pretas, uma azul marinho, uma mostarda e outra com lurex. Agora também tenho essa de paetês prata bordados na meia preta! 😀

Assim os brilhinhos ficam mais dicretinhos, localizados lá nos pés, em menor quantidade (são bordados só na parte de cima). A parte negativa é que só de usar pra essa foto, caiu um – nem quero ver na hora de lavar (à mão e sem esfregar, cla-ro).

A parte boa é que vai ajudar a iluminar mais os looks de frio e tirá-los da mesmice! Só acho que vou preferir usá-la com meia-calça ou legging preta, pra não ressaltar tanto meu bronzeado palmito, rs.

Pegamos algumas ideias para inspirar quem também está afim de inovar nas meias nessa estação. Tem brilho pra todo mundo:, tanto lurex como paetês, mas o mais bacana é ver que as principais combinações de looks com esses itens são com jeans ou peças mais despojadas, como shorts, tênis e até vestidos de malha.

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Amanhã é dia de fotografar looks pro blog, quem aí já não está animada pra um look com a meia luminosa? o/ Hahahahaha!

Infelizmente o único lugar que eu sei que vende com paetês é a Joulik, e custa R$79 – tem a opção mais simples de todas que é comprar uma meia e bordá-la à mão ou ver alguma de lurex, que costuma ser mais em conta.

Alguém aí vai aderir ou vocês vão fugir dessa? hahaha, me contem!

crédito fotos: Steal the Look e Van Duarte
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Roupa que dura ou novidade sempre?

Outro dia estava conversando com alguém que eu não estou lembrando ao certo se era cliente ou amiga, mas a pessoa falava que não aderia a esse lance de ter poucas e boas peças, nem de armário cápsula e muito menos de gastar muito numa roupa para “durar” no armário.

Ela comentou que tinha pavor de ver a mesma roupa rendendo tanto tempo, que ela gostava de novidade e preferia ter um giro no guarda-roupa que ver aquela peça durando anos e correndo o risco de ficar datada.

Eu fiquei pensando no que ela disse para emitir uma opinião. Eu também sou a que gosta de novidade, mas estou tentando identificar e manter as boas bases, ou seja: a calça alfaiataria grafite que rende dezenas de produções e me sinto chic com ela, a jaqueta jeans que sempre muda a cara dos looks, a blusa preta de linho que vai com absolutamente tudo. Tudo sem muitos detalhes ou cortes super diferentes.

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A jaqueta jeans deixando tudo mais legal! Essa é de brechó e custou 20 reais
A calça resinada é antiga, da C&A, e paguei 59,90 – uso demais e a considero curingona!
Blusa Benta Studio e Bota Piccadilly

Daqueles looks de impacto e ainda assim atemporais <3

Ou seja, independentemente de preço, essas peças são as que eu mais uso e as que bastariam no meu armário – inclusive num look entre elas. Eu tento atualizar com um ou outro item (sempre gosto dessa cara nova com sapatos e acessórios!) mas, no geral, não precisamos mesmo de metade das coisas que temos.

O que vale manter e o que vale entrar

Só que aí vem as questões: como saber que estou tirando do armário uma peça que não vai fazer falta? E se ela for uma peça interessante e eu não sei? Como perceber o que vai atualizar ou não?

Bom, primeiro eu tracei as características do meu estilo e limei sem dó tudo que estava fora dele, como peças mais românticas e, pasmem, as estampadonas ultra coloridas. Estou preferindo muito mais as cores e estampas sóbrias ou sem tanta informação.

Depois tentei usar aquelas roupas encostadas há séculos: se elas não rendessem mais de três looks, adeus. Se eu não usei aquela peça em tantos anos, não seria agora que ela faria falta.

Um fato é que notamos no outro mais as partes de cima que as de baixo, que por isso podem ser em menor quantidade e em tons mais neutros e neutros coloridos.

Para atualizar eu disse que gosto de sapatos: taí um item que poderia não durar tanto comigo, porque são poucos os que eu amo e quero manter. Invisto em algum sapato mais descolado ou então num lenço ou colar/brincos que deixem o visual mais contemporâneo – no momento estou viciada nos da Luiza Dias 111.

Diferentemente dos sapatos, eu praticamente não vario as bolsas. Todo mundo aqui sabe que eu só uso as bolsas saco preta e a caramelo da Adô. E mesmo mais desgastadas eu não me importo e vou usando, até porque bolsa é uma parada bem cara pra acharmos que marcas de uso (o que é diferente de estarem desintegrando ou manchadonas) não são aceitáveis – ainda mais num mundo em que até bolsa da Renner tá custando 400 pilas.

Insisto no discurso de investirmos mais nosso tempo em peças que vamos usar muito mesmo, pra valer, porque isso poupa mais pra frente uma nova busca para substituí-las, consequentemente uma frustração por conta das tendências. Com boas bases, passamos a exercitar mais criatividade ao tentar variar o que se tem.

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