Visitei uma loja de sapatos sob medida

Nas andanças pelas lojas paulistanas junto da minha amiga Renata, minha personal guia de SP, fomos parar numa lojinha que fica num subsolo de uma rua principal em Pinheiros, especializada em criar e reproduzir sapatos sob medida!

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O espaço da Sapataria Fascinante é simples, mas lotado de ideias: de um lado, aos clientes podem acompanhar o trabalho da oficina responsável pela fabricação dos pares; do outro, as prateleiras ostentando as criações prontas, para tamanhos do 30 ao 42 e para atender a todos os tipos de pés.

Eu sempre fico maravilhada ao pisar em lojas com uma proposta artesanal, por isso fiquei curiosíssima e comecei a desenrolar com o homem à frente da Fascinante, o Sr Nilson, que é autodidata e está no ramo há décadas.

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Uma parte da oficina da Fascinante

Enquanto ele me apresentava os sapatos da loja para provarmos, só de olhar o meu pé ainda dentro do sapato, ele sacou que eu tinha um pequeno joanete e já mostrou um peep toe que me deixaria mais confortável. Provei e dito e feito! Alguns sapatos com a gáspea (a frente deles, esse decote do sapato) muito baixa forçam mais o joanete e deixam meus pés doloridos. O sapato era um conforto que só!

Sr Nilson também mostrou que algumas clientes levam modelitos que não existem mais para reproduzir na sua oficina. Sabe aquele sapato que é puro conforto e você adora o modelo, mas não encontra mais um parecido pra repor? Ou aquele modelo do século XXVI que ficaria incrível para seu casamento? A Fascinante dá conta de recriá-los e ainda seguindo a forma do seu pé ou adaptando o salto e outros detalhes.

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O peep toe que não apertou meus joanetes e Sr Nilson mostrando uma reprodução

Dá vontade de abraçar Sr Nilson quando ele começa a falar do seu ofício, de tão apaixonado. Ele contou também como desenvolve sapatos especialmente para pessoas portadoras de deficiência física, que senta, conversa, avalia, tira molde e tenta ajudar de todas as maneiras para que elas sintam algum conforto. Gosto de gente que gosta de gente 🙂

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Além dos sapatos sob medida, a loja deixa alguns modelos prontos para venda, como o hit da loja, o sapato que é metade sandália, metade bota, além de oferecerem os serviços de consertos, reformas e pinturas de sapatos.

A execução leva em média 10 dias para a entrega. Os preços variam entre 200 e 400 e poucos reais, dependendo do modelo. Praticamente o preço de várias lojas do ramo, só que com a diferença de poder sair com um modelo exclusivo e feito especificamente para os seus pés.

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De um lado o sapato é uma bota!

Eu fiquei apaixonada pelo Sr Nilson e sua família, que o ajuda a tocar o negócio. Fico muito mais feliz de conhecer e enaltecer sapatarias assim que comprar aqueles modelos prontos e genéricos que cansei de ver nas outras lojas. 🙂

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Sapataria Fascinante

Rua Fradique Coutinho, 612, Pinheiros – SP
Tel (11) 3814-8236

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Garimpo de gorda

Eu sempre fui conhecida entre as minhas amigas gordas por ser aquela que gosta de vestir “roupa de magra”. Na verdade isso acontecia com mais frequência porque as tendências demoravam meses para chegar à moda Plus Size, daí sempre preferi “meter as caras” e garimpar peças que me cabiam. Vale lembrar que meu tipo de corpo, mesmo gordo, acaba me permitindo achar uma ou outra peça que me caiba.

Dia desses dei uma andada pelo shopping e resolvi buscar peças da coleção de inverno em lojas de moda regular que ficassem boas no meu corpo e, assim, já facilitar a vida de quem está querendo fuçar as araras por aí. Não é uma missão fácil, mas, para quem puder dedicar um tempinho na busca, pode valer muito a pena!

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À esquerda, no provador da Hering; ao lado, da Zinzane
Hering

Não entrava lá há séculos, acho que andam cobrando um valor bem alto em peças de malha com estampas que não faziam muito o meu estilo, mas dei uma chance para procurar aquelas peças curingas que servem tanto para o trabalho quanto para a saidinha básica de fim de semana. Lembro que a Hering tinha peças de tamanhos bem generosos, mas, tudo o que eu escolhi no tamanho XL sequer entrou, exceto esse tricot lindo! Achei super confortável, e o G caberia em mim tranquilamente – mas não tinha na loja. É peça curinga, super quentinho e custa R$139,00

Zinzane

Depois de muito tempo só passando pela porta, fiquei bem frustrada ao entrar e ver que a maioria das roupas é de um tecido meio parecido com viscolycra. Nenhuma das peças que eu curti tinha em tamanho GG, mas, quando eu já estava saindo, vi um vestido basiquinho com uma pegada navy, e, por sorte, tinha. O tecido era um moletom gostosinho, e tinha um corte super moderno nos ombros também. Além disso, custava R$99,00, ótimo preço para uma peça como ele. Fiquei super chateada por não ter curtido. Não me sinto à vontade com vestido apertado e que marca o corpo, porque preciso ficar atenta aos meus movimentos – e nunca fico.

Renner

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Foi de longe a que vesti mais peças que curti no corpo. Mesmo com o lançamento da Ashua, a Renner ainda oscila bastante em algumas peças, o que é uma loucura. A Renner praticamente aboliu o GG de saias e vestidos (na seção da Blue Steel não achei uma saia ou vestido GG), o que fez os meus garimpos ficarem ainda mais árduos por lá. Ainda assim, encontrei várias peças bacanas e que servem para trabalhar, para um passeio relaxante de fim de semana ou para uma festa onde rola ousar mais no look!

Renner
C&A

Cea

A varejista responsável por renovar meu estoque de papel de trouxa. É impressionante como o GG deles é minúsculo, parece até brincadeira com a cara das gordas! A única peça que entrou foi essa t-shirt mas, como vocês podem ver, entrou mas não ficou boa. Achei super apertada e transparente, como se lembrando constantemente que ali não tem nada para mim. É uma pena, porque eu fico cada vez mais desmotivada a entrar na C&A, e apesar de alguns acessórios serem bem bacanas, me desmotiva enfrentar uma fila gigantesca em uma loja que claramente não me quer como cliente, né?

Vale lembrar que meu manequim é 54, e que infelizmente nenhum short ou calça dessas lojas me cabe, essa é a razão de eu só experimentar blusas, vestidos e saias. Que tal tirar uma tarde de sábado pra dar uma voltinha no shopping e garimpar umas peças bacanas para arrasar neste inverno?

mari-rodrigues-hoje-vou-assim-offMariana Rodrigues
Carioca, 29 anos, gorda. Tagarela de carteirinha, fã de chá gelado e viciada em bons debates na internet. Apaixonada por moda e televisão, escreve sobre esses e outros assuntos também em seu blog aquelamari.com
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Vem aí a segunda coleção da Joulik para C&A

Daquelas notinhas rápidas: saiu no Petiscos que a Joulik, marca paulistana que faz as roupas em paetês mais lindas do mundo, vai lançar a sua segunda coleção em parceria com a C&A!

A primeira foi bem executada (uma das que eu mais gostei ano passado!), apesar da modelagem pequena e da pegada mais jovem – teve post com as minhas impressões, para quem perdeu. As jaquetas da Joulik, todas bordadas à mão, custam em média 2.500 a 3 mil reais – a da coleção anterior da C&A era igualmente linda, mas claro que em larga escala o valor ficou melhor: R$500 na fast fashion, apensar de ainda ser um preço bem acima do que a loja costuma apresentar.

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No provador da coleção da Joulik com a C&A de 2016

A segunda vai ter um formato mais collection, mais completa – a anterior pelo visto foi um formato mais Clock House mesmo, bem segmentada – e chegará às lojas dia 18 de maio. Assim que eu receber fotos e mais infos, coloco aqui! 😀

Para quem conhece a gente, seja no mundo real ou virtual, deve perceber quanto nós nos preocupamos e tentamos ao máximo ser uma marca autoral e verdadeira, fazendo com que a Joulik seja mais do que uma empresa, e sim uma pessoa! Fazemos questão de responder cada comentário e cada demonstração de carinho, de mostrar que tudo é feito com um cuidado imenso, de valorizar as pessoas que trabalham conosco, de decorar o nome de cada cliente e saber um pouco mais de sua vida, de tudo ter o nosso toque e acompanhar cada detalhe e passo da nossa “filha” 😁 E lembrar da gente lá em 2009 começando a marca com nossas economias e sem ajuda, apenas com a vontade muito grande de vencer na vida (rs) e com muitas noites sem dormir, faz a gente olhar para o presente e ter muito orgulho mesmo. Porque falar que foi fácil, ah, não foi nada 🙈 Pensamos muitas vezes em desistir! Por inúmeros motivos, um deles foi (e ainda é) a falta de mão de obra, afinal nossas peças são artesanais e muitas bordadeiras desistiam no meio do caminho, devolviam pilotos e produções por achar muito trabalhoso. E isso, além de desanimar a gente, nos deixava desesperadas! Mas a fé sempre falou mais alto e logo vinha um comentário elogiando nosso trabalho, um e-mail carinhoso, um mega incentivo das bordadeiras, parceiras e amigos, diversas manifestações que davam uma baita injeção de ânimo e lá vinha novamente a vontade de batalhar ❤ E graças a vocês, nossa equipe e pais maravilhosos que sempre nos incentivaram, que estamos aqui para dizer que vale a pena sim lutar por tudo o que você acredita! Que as conquistas vêm através de muita dedicação, trabalho sério e muito amor ❤ Vocês pediram e o universo preparou ✨ Vem aí, dia 18 de Maio mais uma parceria com dose de brilho extra, JOULIK PARA C&A, papaiiiii! ✨ Desta vez em formato Collection, mais completa, porém desenvolvida com nosso ingrediente principal de sempre: o AMOR! (sorry o texto giga 😂) #joulik #joulikparacea

Uma publicação compartilhada por Joulik | Handmade Clothing (@joulik) em

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A moda te inspira ou te oprime?

Ainda rendendo o post O que te deixa frustrada? com os comentários colaborativos de vocês, mas teve um comentário em especial no último post da série, da Raquel, que traduziu muito bem o momento que vivemos quando falamos em moda:

“Acho que a facilidade de produzir e distribuir moda trouxe uma enxurrada de “tendências”, de novidades, tudo muito rápido e descartável. Há uma década as coisas demoravam mais, eram menos acessíveis e, por isso mais básicas. Ninguém podia torrar grana com algo e deixar de usar no mês seguinte.

Agora a maioria das pessoas consegue comprar roupas, ainda que sejam peças ruins, com muito mais frequência. Então todo mês tem novidades, tem tendência nova, mas tudo tão rápido que a novidade se torna repetitiva. Ao invés de ter novidades, gente construindo seu estilo, acontece o contrário. A enxurrada de novidades, que nem consegue ser mais novidades, a massificação, tudo leva a uma dificuldade de se construir um estilo. Eu não queria um sapato metalizado, mas vi tanto que passei a querer. Comprei um tênis que foge um pouco dos modelos mais replicados pois sei que logo isso vai estar datado. E o pior, eu mesma estarei cansada de ter visto tanta peça prateada. A gente cansa das peças pois todo mundo está igual, cansa o olhar.

Não sei se ficou claro meu comentário, mas acho que a facilidade de se produzir trouxe um problema quando se deixa de ver roupa como apenas vestir, mas como forma de se expressar. Nós não estamos prontos como consumidores e quem produz não está pronto pra esse novo cenário. Acho que precisamos insistir em criar um estilo, em nos apegar ao nosso guarda-roupa, conhecer o que tem lá dentro, o que funciona. Se nossa postura como consumidora mudar, talvez o mercado também mude.

Raquel, nos comentários deste post.

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Repetição de tendências na Renner

Um exemplo é essa foto, registro da minha ida às lojas no final de semana em São Paulo: minha amiga sugeriu passarmos na Zara para achar a tal linha ~sustentável com tecidos orgânicos e reciclados, para vermos de perto qual é. Bom, não tinha nada dela ainda, mas passeamos pela loja para reparar nas tendências: muuuuuuuuuuuito veludo (veludo everywhere, na mochila, na blusa, no sapato, no acessório, socorro), muuuuuuuuitos babados, também em tudo que é lugar, na blusa, nas mangas das blusas, nos vestidos, na barra da calça, no sapato (!!), muita transparência, chinelos com pompons, bordados e silk nas calças e jaquetas…

Esse outono inverno será bem over com tanto frufru e textura, pensei. Saímos de lá falando mil coisas do que vimos, aí entramos na Renner e parecia que tínhamos voltado nas araras da Zara – dadas as suas devidas proporções, porque a Renner era bem menos elaborada. Os mesmos babados, os mesmos frufrus, os mesmos babados na barra da calça (cigarrete!), também silk floral nas calças, e mais veludo, veludo….veludo.

Novidades que deixaram de ser novidades pra gente em menos de meia hora.

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Botas over the knee de veludo – quantas vezes serão de fato usadas?

Mas não quero me estender sobre repetição – e não, não pude evitar eu mesma ser repetitiva nesse assunto! Eu acho legal sim termos opções pra todo mundo, mas essa moda te conduz a boas histórias ou te traz apenas o sentimento de pertencimento, de estar se adequando ao que está sendo ditado e não ao seu estilo?

Certamente essa moda tende a te confundir e te descolar das suas reais necessidades e vontades, e se tornará dispensável da sua vida em questão de meses. Não que eu queira meu armário sempre do mesmo jeito, gosto de novidades, mas quais são os seus critérios para as suas escolhas? Como essa oferta e diversidade de produtos têm te atendido?

NA CONTRAmão do efêmero

Estávamos no shopping porque fomos conhecer o Mercado Manual, feira de artesão contemporâneos que estava rolando no Morumbi. Eu estava animada para ver de perto algumas marcas de slow fashion que eu só seguia pelas redes sociais, e uma delas era a Comas, marca de upcycling da uruguaia Augustina Comas, que recupera camisas masculinas que não passam pelo controle de qualidade das fábricas e que iriam acabar desvalorizadas, vendidas em bazares, por conta de defeitos como pequenas manchas e furos, e as transforma em peças femininas.

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A camisa da Comas, que é a união de outros dois modelos de camisas masculinas

Augustina teve uma super escola trabalhando com o estilista Jum Nakao, como em seu icônico desfile “A costura do invisível” e se dedica ao upcycling há alguns anos. A ideia de usar a sobra das camisarias veio de aproveitar um item tão atemporal e clássico como a camisa e dar a ela uma nova modelagem, novos usos como saias, vestidos e chemises, e deixá-las únicas, unindo com maestria duas camisas em uma só, de diferentes estampas e lavagens, dando uma forma diferente do usual.

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O resultado são peças também atemporais, que, segundo Augustina para o FFW, que possam durar anos e anos, e sejam herança até para as filhas das suas clientes, criando vínculos e, pra isso, trabalham só com tecidos muito bons.

Eu tenho uma camisa da marca e eu sou apaixonada por ela. No dia da feira, conheci Augustina e Isabel e ficamos todas felizes. Dei vários abraços nelas e senti uma alegria e uma satisfação que eu sei que é raro quando falamos em consumo de moda. Nesse dia eu me senti como consumidora parte importante do processo.

As peças variam de valores entre 150 e 300 e tantos reais, o que sabemos não ser exatamente acessível. Mas o slow fashion ainda precisa enfrentar essa barreira, por conta do processo que é totalmente manual, trabalhando com quantidade super limitada e que demanda um tempo maior de confecção, pesquisa dos materiais, uma equipe reduzida e não uma facção que certamente paga centavos por unidade costurada…acho que seria o tempo de revermos a nossa relação com o consumo, porque se pararmos pra pensar, 270 reais, o preço de uma camisa de algodão e linho da marca, é o valor de uma blusa de poliéster em muita loja de “nome” e até de fast fashion.

Na minha próxima ida a SP vou tentar visitar o atelier da Comas para mostrar pra vocês (elas tem maleta que vai em domicílio e loja online!) e ver também possibilidade de aumentarem a grade, seria uma ótima!

Poderíamos contar mais também com iniciativas da Ludi – Roupa com História, atelier de upcycling que também fica em SP e pretendo conhecer em breve: na frente do ateliê fica um carrinho cheio de retalhos dentro, e fica disponível de graça para quem quiser buscar e serve para fuxico, pra patchwork, pra enchimento. Isso é agregar, é apresentar possibilidades sem fim para o reuso.

O que mais tem te inspirado a ser você mesma em meio a tanta coisa que te oprime em moda? Fazer tricô? Aprender artes manuais? Revisitar com mais carinho seu próprio armário? Dar valor aos brechós? 🙂

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