A inédita linha de camisetas sustentáveis da C&A

Já tem um tempinho que a C&A vem anunciando nos auto falantes das suas lojas sobre seu compromisso com o meio ambiente e a meta de ter peças com iniciativas menos agressivas ao meio ambiente e de algodão orgânico para os próximos anos. É notório que mudou-se a forma que consumimos moda, com consumidores muito mais atentos às questões éticas como procedência e a forma como suas roupas são produzidas.

Ano passado foi divulgada a parceria do Instituto C&A, criado em 1991, com o objetivo de planejar, gerenciar e executar a política de investimento social deles com a Malha, espaço de movimento por uma moda mais sustentável, colaborativa, local e independente aqui no Rio de Janeiro, incubando várias marcas com propostas sustentáveis, além do desenvolvimento de relatórios sobre sustentabilidade (disponível para download aqui).

Agora é a vez de vermos isso efetivamente nas lojas, com as primeiras camisetas básicas do mundo com Certificação de nível Gold da Cradle to Cradle (selo que identifica produtos capazes de assumir uma produção “circular”, ou seja, que pode ser sempre reciclado e não precisa ser destacado ou gerar resíduos) disponíveis a partir de 1º de setembro em 29 lojas da rede (ainda não sabemos quais) e na loja online, com versões feminina e masculina, em seis cores cada. Esta é a primeira “coleção circular” da rede e foi desenvolvida globalmente.


Segundo o release, “As peças foram desenhadas para que sejam recicladas ou reutilizadas, portanto, levando em conta seus usos futuros. A nova linha de camisetas foi feita com 100% de algodão mais sustentável, usando apenas materiais seguros e confeccionadas de forma social e ambientalmente responsáveis. Além disso, em todas as etapas do processo produtivo houve reuso de água e foi utilizada energia renovável.”

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Os modelos das camisetas que foram desenvolvidos em parceria com o Fashion for Good, centro de inovação em moda e sustentabilidade, estabelecido na Holanda, por meio dos recursos cedidos pela C&A Foundation. O Fashion for Good é fruto de uma parceria global que reúne fabricantes de roupas, varejistas, organizações sem fins lucrativos, inovadores e financiadores em prol do objetivo comum de fazer com que nossa indústria se torne circular.

Estou curiosa sobre essa coleção!  Não disseram os preços, mas acredito que devam ser mais caras que as da linha regular da loja, obviamente, só que ainda acredito em preços super ok, pra justamente começar a popularizar a sustentabilidade e isso é muito importante!

Mesmo sendo de algumas camisetas básicas, acho que é um grande e importante passo para as fast fashion – obviamente que existe interesse de mercado, por isso ainda quero ler algumas opiniões sobre o assunto para poder ter uma visão do que isso representa pro setor e pra nós, consumidores.

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A ilusão de comprar a mesma roupa em cores diferentes

Eu sempre li e ouvi – muito antes de ter blog, e isso já tem 9 anos – de muita gente como era mais prático levar logo todas as cores possíveis daquela peça de roupa que ficou incrível. Pronto! “Problema” do guarda roupa resolvido por um bom tempo, e ainda com a ~esperteza de sair da loja com várias opções por conta das cores.

Achava um absurdo a pessoa ter todas as cores do arco íris de um mesmo modelo. Isso não era variar, era simplesmente ficar mais do mesmo em cores diversas.

De todas as cores compradas, quais foram as que você realmente usou? Geralmente escolhemos aquelas que gostamos mais ou intuitivamente nos favorecem (alô Conheça suas cores!) e as outras ficam ali, abandonadas numa gaveta obscura.

Até que, vejam vocês, mais uma vez em rede nacional eu mordo a língua, cuspo pra cima, atiro no pé, entre tantos outros sinônimos para a mesma coisa: fui tirar alguns cabides do armário e avistei essa sequência:

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Blusa Andrea Marques, em seda; à direita, blusa C&A
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Ambas blusas compradas na coleção Herchcovitch para C&A

Eu repeti praticamente os modelos e as cores (marinho e vermelhão), mas em marcas diferentes! Tanto que eu não sabia qual era qual na hora de subir as fotos aqui pro blog. Tudo bem que são roupas do ano passado e anos anteriores, mas, bizarro! 🙁

Analisando o que é indefensável:

O estranho fenômeno fica incutido na nossa mente e, sem sentirmos, repetimos os padrões que mais nos agradam, comprando as mesmas peças duas vezes, comprando de cores diferentes pra ganhar em variedade – afinal, aquela blusa vestiu tão bem, vamos levar logo todos os tons! – e, na real, na real, isso foi fruto de compras não pensadas, não planejadas.

Gosto de roupas com emoção, por isso desisti de comprar em coleções. Não raciocinamos muito na hora, achamos que é uma oportunidade, mas o calor do momento não deixa pensarmos que não precisamos de blusas novas exatamente iguais às que já temos e estão intactas nos cabides, ainda.

Não tem problema o modelo funcionar e você querer váriasssss coisas seguindo aquele estilo, claro que a gente quer se sentir musa, mas essa segurança também rende uma zona de conforto que nos aprisiona na mesmice. E não apenas dizendo que precisamos necessariamente sermos criativos, mas de simplesmente não gastar mais tempo e grana com o que já se tem.

As duas blusas da coleção do Herchcovitch, nas fotos de baixo, eu NUNCA usei. Sabe o que é nunca? Nunca. Nunquinha-nha. Por que? Acho que por serem de poliéster mais durinho, um tecido que me esquenta no calor, talvez porque elas não eram tão interessantes assim, nem tão confortáveis de usar, nem o melhor modelo que eu poderia querer.

E, não satisfeita, ainda arremato o mesmo modelo em duas cores. E por que eu comprei, na época? Acreditei que estaria levando duas curingonas, mas hoje eu já percebo melhor o tipo de peça que serve de curinga. E essas, definitivamente, passam longe.

Da foto de cima, a única que uso e adoro é da Andrea Marques, comprada por 45 reais no enjoei, de seda, leve, delicada, fresquinha, com cara de blusa phyna. Não gosto dos babados exatamente onde sou maior, mas eu equilibro com um colarzão e um batonzão ou blazer com ombros estruturados por cima dela.

Definitivamente estou numa onda de só trazer o que realmente vai ser o diferencial do armário. Ou a peça curinga de tecido bacana. Se eu quiser variedade, que eu busque marcas diferentes, modelagens com outras propostas, cores e texturas só que em modelos diversos.

Estratégias

– Antes de achar que precisa de algo, dê uma olhadinha boa no seu armário.

– Faça um inventário e perceba o que você tá realmente precisando para equilibrá-lo.

– Você tá mesmo precisando de uma calça preta pra substituir a outra que ainda dá um caldo? Ou uma reforma não ajudaria?

– Arrume tudo que você tem. Mesmo. Já tive uma cliente querida que achava que estava sempre precisando de blusas brancas básicas (BBB) e, ao tirarmos tudo de dentro do armário, contamos nada mais nada menos que VINTE blusas brancas…básicas. Algumas inclusive dentro de sacolas de lojas, socadas no fundo da gaveta.

– 20 calças pretas, mesmo em modelos diferentes, não significam variedade e nem garantia de looks também diferentes, juro.

– Parei com a angústia de comprar par das peças que amo com medo de se acabarem. Roupa guardada também estraga, dá mofo, a fibra mancha…

Dessas quatro, eu definitivamente ficarei só com a de babados, já que em mais de um ano eu não usei as outras três. E vocês? Compram muito repetidos ou acreditam nessa de sair comprando tudo em cores diferentes? Hehehe!

Jabá básico: pra ajudar nessas escolhas, direcionamento e como variar ficando realmente mais criativa, se liga que tem agenda aberta de consultoria de estilo pocket aqui no RJ e consultoria online para quem é de outras cidades – todas as infos aqui nesse link! Só mandar mensagem 😉

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Se descolando do óbvio

Esse ano foi o ano em que eu ganhei uma outra percepção não só do meu estilo, mas uma muito generosa sobre o meu corpo. Passei boa parte dos últimos anos apostando em peças que passassem longe de desenhar minha silhueta, mais por gostar de formas inusitadas, soltas e estruturadas.

Agora eu sinto quer to numa fase de querer valorizar mais tudo aquilo que gosto em mim. Como eu disse em outro post, além das pernas, eu amo meu colo e seios, por isso estou mais atenta a roupas que destaquem de forma elegante essa área do meu corpo.

Reparem que focamos sempre no que queremos disfarçar ou no que gostamos menos quando nos vemos no espelho, é ou não é? Quando decidi mudar essa auto análise e jogar meu foco no que eu tenho de bom, no que eu mais amo em mim, tudo ficou melhor. Faz mais sentido chamarmos atenção pro que queremos, pra justamente desviar os olhares do que não curtimos tanto assim!

E foi assim com esse vestido: uma peça vintage, que talvez me remeteria a algo mais sóbrio do que costumo usar…só que ao vesti-lo, me senti incrivelmente elegante e ainda fiquei hipnotizada pelo decote generoso no colo. Estou me achando maravilhosa nele!

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Certamente seria o tipo de vestido que eu passaria longe, procuraria por algum mais inusitado ou diferentão (e levei outro nesse esquema, haha), minhas amigas que estavam comigo comentaram que ele nem fazia muito meu estilo mesmo, que era pra não levar. Mas algo ali chamou minha atenção, eu me senti tão interessante nessa peça que eu apostei as fichas. Queria tentar algo novo!

Ainda precisa de alguns ajustes, mas eu já quis fotografar pro blog e a reação foi UAU. Bem diferente do que eu tenho no armário, mas nada no quesito ousadia/criatividade. Acho que tenho curtido mais dar espaço pras várias Anas que surgem nessa brincadeira que é o vestir. <3

Acho que já sei a roupa que vou usar no casamento da Mari! 😀

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Vestido vintage O Grito – 130,00
Cinto Adô Atelier antigo – 75,00
Clutch C&A – 99,00
Scarpin Sonho dos Pés antigo – 69,00
Brincos Montageart

fotos: Denise Ricardo

Às vezes é SUPER importante nos descolarmos do nosso óbvio, nos permitirmos testar algo até então improvável. Ampliarmos o olhar sobre quem nós somos, atentar ao nosso discurso, nos permitirmos outras propostas, vivenciarmos outras experiências.

Vendo essas fotos eu penso que poderia ter mais peças com esse estilo, me deixar mais livre para ser mais sexy quando eu quiser ser, mais basicona quando eu estiver afim, mais assimétrica e ousada quando estiver afim de causar. Que a autoestima só tem a ganhar quando experimentamos o novo.

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Guia do shortinho para gordas – Soltem suas pernas!

Com as coleções de verão pipocando pelas marcas e o inverno se despedindo, vai chegando a época de abusar da minha peça de roupa favorita: o short. Considerado item “obrigatório” no verão (lembrem-se, ninguém é obrigado a nada),  shortinho era peça raríssima em marcas plus size até algum tempo atrás. Até vendiam com a nomenclatura de short, mas o corte e o tamanho denunciavam: era apenas uma bermuda.

Há algumas vi um comentário aqui no blog em uma das minhas postagens que me deixou muito feliz. Uma leitora disse que depois que eu comecei a escrever por aqui, ela perdeu a vergonha de usar shorts em público, deixar as pernas à mostra. Fiquei super feliz e emocionada, porque ajudar, mesmo que indiretamente uma mulher a se livrar dessas amarras da moda – canso de ler/ouvir que short curto em quem tem coxas grossas fica “vulgar” – é maravilhoso.

Leadermaga

Perco as contas de quantas vezes eu desejei shortinhos que não ficassem arrochados no meu quadril e nas minhas coxas. Shorts jeans, de brim, em corte alfaiataria, pra malhar… eu tenho tantos, que se deixar, só uso o combo short  e t-shirt, não importa a ocasião ou o evento. Como eu sou baixinha, o tamanho 54 geralmente fica certinho nos quadris e coxas e grande no comprimento de bermuda. Sou uma ‘pirigorda’ assumida e minhas peças sempre vão pra costureira antes do primeiro uso. Tenho uma tatuagem bem grande na coxa e adoro mostrá-la quando tô de short, afinal, não senti dor pra escondê-la, né?

Em uma das primeiras vezes que estive em São Paulo depois de adulta, minhas amigas riram da minha cara quando eu disse que iria de short ao shopping – e daí eu consegui entender porque as pessoas me olhavam tanto quando passeei na Paulista em plena quinta-feira usando short, blusinha e chinelo de dedo, haha. Aqui no Rio é super comum vermos mulheres de short, mesmo nos bairros mais afastados das praia. Vamos ao shopping, a restaurantes e até pra night rola usar shortinho!

Clamarroca Plus

Se você também for gorda e tiver receio de usar short e ficar com as coxas assadas, anota aí o pulo do gato: é só aplicar o talco em creme, da Granado, antes de bater perna por aí. É tiro e queda, suas pernas não ficam “melecadas” nem ardendo depois.

Jeans

O básico que a gente ama! Uso pra ir da praia à balada, passando por um almoço de domingo na casa da sogra. Pode ter várias lavagens, cortes e modelos. Onde encontrar: Leader Magazine, Marisa, Alley Blue, Clamarroca Plus

Leader

Boxer

São aqueles shorts com elástico no cós e corte bem soltinho nas coxas, que lembra short de boxeador – daí o nome! Acho um charme, os meus praticamente saem sozinhos! Você encontra na Chica Bolacha e na Posthaus, ambas all sizes!

Amaryllis plus size

Alfaiataria

Esses não fazem muito o meu estilo, tenho somente um. São peças com tecidos mais estruturados, cortes mais retos e padronagem clássicas. O meu é um short-saia branco, é um dos meus itens favoritos do guarda-roupas (falarei dele ali embaixo) e comprei em uma loja virtual que nem existe mais. A Ashua lançou um nesse modelo em sua coleção de primavera-verão.

Variados
Em malha, cirrê ou brim, esses shortinhos são excelentes para o dia a dia e alguns até te deixam pronta para a noite, dependendo da combinação usada. Você encontra modelos diversos na NaBeca Tamanhos Reais, Amaryllis Moda Plus e também no Ateliê Michelli Warmelling.

NaBeca

E como aqui eu mato a cobra e mostro o pau, eis a prova do meu amor pela praticidade de um short (nesse caso, short-saia). Usei esse ontem para oficializar meu casamento no cartório, com uma blusinha off-white e meu casaco de pelúcia – paixão que vai durar bem mais que um inverno. Se uma noiva gorda já causa estranheza em muita gente, imagina casando de short… e quem disse que eu ligo?

Shortsaia casamento

mari-rodrigues-hoje-vou-assim-offMariana Rodrigues
Carioca, 30 anos, gorda. Tagarela de carteirinha, fã de chá gelado e viciada em bons debates na internet. Apaixonada por moda e televisão, escreve sobre esses e outros assuntos também em seu blog aquelamari.com
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