22 abr 2016

Estava voltando de uma reunião quando dei de cara com essa vitrine da Riachuelo com uma prévia da coleção do Karl Lagerfeld, que chega às lojas (acho que algumas, não todas, mas não tenho essa informação) dia 27/04, logo após o desfile na SPFW.

Como sempre, gostaria de tecer alguns comentários sobre o que venho acompanhando ao longo desses anos de coleções especiais em fast fashions e minha participação provando e dando minhas impressões.

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Na última que resenhei, do Alexandre Herchcovitch para C&A, uma leitora comentou na postagem do facebook que pelo visto eu não devia ter gostado, já que nunca gosto de nada. Eu tomei como elogio :).

Todas impressões vêm sempre acompanhadas de comentários como esses porque pode ser difícil para algumas pessoas perceberem o por quê de algumas críticas. Não vou na loja mal humorada escrever sobre, até porque ninguém bota uma arma na minha cabeça e me obriga, haha, mas por considerar importante revermos algumas posturas nossas ao comprarmos e analisarmos se essa moda que nos apresentam e vendem como “democrática”, o é, realmente. Algumas eu aplaudo, como da Andrea Marques, Blue Man e as duas da Maria Filó, mas viraram exceção.

Recebi um email da Nathalia Barbosa recentemente, onde ela relatava, indignada, da C&A do Méier, zona norte carioca, não receber as coleções especiais por uma estratégia da marca, subestimando seu público por bairro. Segundo suas palavras: “Sei que isso ocorre, que existe obviamente uma questão de venda e de posicionamento da marca mas essa distinção absurda não faz muito sentido visto o processo de gentrificação que ocorre na cidade do Rio de Janeiro.”

Há tempos escrevendo e sendo bem repetitiva sobre péssima qualidade, modelos idênticos aos que encontramos no Aliexpress sendo vendidos 20 vezes mais caros, mesmas peças sendo encontradas em coleções normais e vendidas simultaneamente com preços diferentes – já vi um item de coleção especial sendo vendido em outra fast fashion anos depois, pasmem – o que proponho é que repensemos o que enfiam goela abaixo na gente, que todos se beneficiem percebendo os estilistas que realmente se dedicaram a apresentar algo de qualidade e acessível ao público e o que é vendido apenas como estratégia, que não acrescenta em nada nos nossos guarda-roupas, na nossa vida e no planeta que habitamos.

Observamos essa saturação vinda do excesso de coleções, algumas até simultâneas, esgotando o tom de novidade e isso reflete inclusive nos comentários – antes somávamos aqui mais 160 por post de coleção, hoje mal chegamos a 20, sendo que os acessos se mantém os mesmos, mas foi o assunto que se esgotou. Ninguém mais aguenta tanta ~novidade~ o tempo todo, sem ser exatamente a novidade que tanto esperamos.

Acreditem: é muito mais difícil manter um blog quando ele é voltado para pessoas e não pra bajular marcas.

Dito isso, vamos ao que achei me baseando apenas na vitrine:

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Não soltaram ainda muitas informações sobre essa coleção, mas sempre entendi como algo voltado para os fãs do Karl, com referências literais ao estilo do diretor criativo da Chanel. De qualquer maneira, achei que as peças expostas parecem bem executadas e bacanas, o blazer é bonito ao vivo e parece ter bom caimento.

Aí vem os poréns: essa lapela estilo smoking não é algo que o torna muito fácil pra coordenações do dia a dia e esse calor/aquecimento global nos mostra o quão equivocado pode ser comprar algo que não precisamos e que não sairá tão cedo do guarda-roupa. Para quem está de olho em um blazer, talvez seja uma boa opção, mas achei caríssimo mesmo assim – dá para vermos boas opções em outras lojas pelo mesmo valor ou menor até. O meu, da estilista Andrea Marques, foi comprado no bazar dela, 100% lã, pelo mesmo valor e a produção certamente é local e melhor valorizada, o que coloca também em questão a origem do que consumimos.

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O item mais em conta dessa vitrine era a camiseta com o rosto do Karl por 59 reais e pelo visto será um dos que vai voar das araras primeiro. A saia também parece bonita, mas custa 189 reais e o material é artificial.

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A shopping bag com estampa divertida da gatinha do estilista é bem mais bonita ao vivo, mas também achei caríssimo cobrarem 350 reais por uma bolsa que não é de couro. (ps: sei que couro é sofrimento animal, mas existem iniciativas incríveis como a marca PP Acessórios que usa o couro excedente da indústria na sua produção e a meu ver PU não é uma alternativa louvável, visto que é igualmente poluente, dura muito menos e quando descasca seu destino certamente será os aterros sanitários…) A Mari, do Modefica, mandou um link do seu site que explica minuciosamente porque a indústria do couro é mais poluente que dos sintéticos, vale ler e aprender! Obrigada, Mari!

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A tão falada padronagem pied poule com o rosto do estilista é bem interessante (gostei mesmo) e torna as bolsas mais facilmente coordenáveis que a de gatinhos, mas também desanimei com os valores entre R$319 e R$350 reais para algo sintético, o que diminui a vida útil delas. Enfim, achei bem bonita e deve voar mesmo com o preço

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Ainda não sei se será um alvoroço, mas acredito que talvez os destaques e itens mais em conta voem primeiro, com esses preços eu desconfio que o consumidor aguarde uma baixa ou no real desinteresse por essa coleção, apesar de termos itens clássicos e com pouquíssimas estampas, mas na atual conjuntura não sei se o preço alto superará o falso hype.

  • 25 Amaram
20 abr 2016

Nesse final de semana eu viajei para palestrar sobre como nós, moradoras de cidades notoriamente quentes, podemos adaptar algumas inspirações de coleções outono/inverno para os nossos looks. Hoje, por exemplo, está um calor monstro aqui no Rio de Janeiro e dá um desânimo lembrar que em outros anos eu já estaria de calça e casaquinho…

Resolvi não desanimar (hahaha) e apliquei no meu look de hoje o que eu falei com a galera lá em Natal! Escolhi duas peças em cores neutras mais escuras, desses tons próprios de cartelas invernais, só que aplicadas em peças mais frescas! A blusa é de alcinha e bem soltinha mas em azul marinho; já a bermuda-saia é em cinza chumbo e também bem ampla, o que ajuda a dar uma sensação de frescor nas altas temperaturas, além do tecido de ambas serem um crepe 100% viscose, uma fibra sintética ótima para o calor.

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Blusa Jardin que ganhei da marca
Bermuda Espaço Fashion OFF – 90,00
Flatform Sacada – 160,00
Colar Aramez para Adô Atelier e pulseira Luiza Dias 111
Bolsa Adô Atelier – 270,00

fotos: Babi Xavier

A dica então é essa para quem quer ignorar o calor sem desmaiar de tanto suar com roupas mais quentes: tecidos de fibras naturais ou viscose, que são mais frescos, batom de cores mais escuras, peças mais soltinhas e peladinhas mas com uma cartela de cores apontada para cores mais fechadas como vinho, azul marinho, mostarda e roxo, além de acessórios mais “pesados” ou metalizados. =)

  • 29 Amaram
19 abr 2016

Oi pessoal!

Cheguei domingo de um batidão de trabalho, trabalhei ainda no próprio domingo até meia-noite, o que me deixou bem, mas beeeeem cansada. Como esse blog é feito apenas a duas mãos – no caso, as minhas – não dei conta de atualizá-lo ainda para poder descansar a cabeça.

Dito isso, amanhã já temos post agendado e voltaremos à programação normal. Obrigada!

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  • 22 Amaram
15 abr 2016

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Na terça fui a SP para participar de um evento, estava com a agenda apertadíssima e não daria tempo de fazer muita coisa na cidade – minha ideia inicial era passar numas lojas para a ronda dos básicos, principalmente na Básico.com, mas pelo tempo curto, desisti.

Ao chegar no hotel para o evento, qual não é minha surpresa ao dar de cara com a loja física da marca no Maksoud Plaza! Eu não sabia que eles tinham uma guide shop lá também (achei que era só a da Oscar Freire), acho que nem se eu tivesse esquematizado, seria tão perfeito o timing:)

Além de ter encontrado a marca com os melhores básicos ever, foi muito legal observar como uma marca que já vende há 2 anos online promover uma experiência dos seus produtos para o consumidor conhecer e provar.

Ela chama atenção pelo design clean, com claro destaque para as roupas. Eu percebi a loja porque da vitrine as peças já gritavam qualidade.

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Fui super bem atendida e pude observar ao vivo tudo que eu namorava pelo site mas ficava meio assim de comprar, até porque o investimento que se faz nelas é alto.

O algodão que eles usam é o pima peruano, colhido manualmente para preservar suas fibras delicadas e também testam a titularidade do tecido: 40/1 para chumbo mescla e 50/1 para demais cores. Titularidade é a representação de um número que expressa uma relação entre um determinado comprimento e o peso correspondente aos tecidos, sendo as titularidades próximas ao 60 mais macias (aqui eles fizeram um post com tudo explicado).

Ao provar a camiseta parecia que eu estava pelada, de tão macia e com toque gostoso. Fiquei encantada! Não é uma malha grossa nem muito fina, na medida. A grade vai do PP ao GG e a modelagem é grande. As informações vêm impressas, por isso não têm etiquetas.

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As t-shirts tem variedade de golas, com modelos em V, gola U, camisetas, com ou sem bolso, manga curta ou manga longa. Quando eu comecei a fuçar o site custavam 78 reais, por aí se não me engano, agora já está em 93 reais. Bem carinho, mas vamos pensar naquela ideia do custo x benefício, da extrema qualidade e do tempo que ela vai durar no armário, além de ser uma empresa nacional que emprega corretamente seus funcionários. Sim, é cara. Mas foi a única camiseta que vestiu super bem e eu senti vontade de comprar.

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Eu provei também a calça alfaiataria, que tem um elástico atrás e facilita muito a vida de quem oscila numeração ou gosta de conforto na hora de sentar. O caimento foi impecável e o atendente explicou que eles tem uma alfaiate na equipe que é bem rigorosa quanto aos detalhes e modelagem.

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Ela possui corte reto com bolsos faca e dois bolsos traseiros tipo italiano. A numeração vai do 36 ao 46 – eu visto 38 e o 38 serviu bem – mas infelizmente as peças são vendidas bem rápido e o site fica defasado de tamanhos por um bom tempo. Quando eles percebem que uma peça teve demanda maior, eles reeditam, na mesma cor ou em outra. A calça custava 278 reais, também mais cara, mas vamos pensar que uma de coleção de fast fashion custa 169 reais e não chega aos pés em caimento e qualidade.

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As partes de baixo tem modelagem slim e algumas calças e bermudas possuem um sistema moovexx no cós – para total conforto nos movimento, de acordo com o site. Eu provei e pude comprovar: ao sentar eu normalmente sinto a necessidade de abrir os botões das calças por conta da pança estufada, mas esse elástico interno me deixou muito confortável e livre de pagar cofrinho. :)

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Abaixo a bermuda de crepe que tem o elástico atrás e ao lado a de corte ligeiramente em A, com cintura alta, dois bolsos nas costas e barra italiana e que possui o sistema moovexx.

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Esqueci de comentar que as peças brancas ficam um pouco transparentes, sim.

A marca está sempre lançando novidades em cores como marinho, oliva e em breve a páprica, tem peças em linho e em seda super bem acabadas e com um tecido incrível como camisas, blusas sem manga e vestidões, calças jeans e uma linha toda listrada. Tem tanto pra feminino quanto masculino.

Na loja não é possível comprar e levar, ela é mais uma experiência dos produtos, por isso chamam os espaços de guide shops. Para comprar eles dispõem de um computador e você pode realizar o cadastro (primeira compra tem 10% de desconto) e pagar ali, no débito, se preferir. Em SP a entrega é feita no mesmo dia: comprei às 16h e, quando cheguei à noite, a caixa já estava na porta do meu quarto!

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A embalagem é linda e com um design próprio para quem quiser fazer devolução – ainda que eu tenha comprado na loja, foi uma compra online e também vale devolução e troca sem ônus.

Acompanha um encarte detalhando a melhor forma de realizar a lavagem, passadoria e manutenção das peças.

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Além do espaço no Maksoud, eles possuem outro endereço na Oscar Freire e um canal por telefone que funciona de verdade.

Sim, eu fiquei MUITO bem impressionada, fiquei feliz por ter experenciado algo com tanta qualidade em todos os detalhes, inclusive atendimento, e com informações tão precisas na descrição de cada item. Para colocar algum defeito, acho que seria o provador mal iluminado e por serem um cadinho caras, mas nesse aspecto sabemos que camisetas de 20 reais tem procedência e mão de obra duvidosas.

  • 25 Amaram
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