28 jan 2016

Não conseguia evitar olhar quando encontrava alguma outra pessoa (vale pra homem, mulher) e ela estava impecável ou toda certinha. Cabelos bem escovados, sorriso colgate, roupa alinhada, ao levantar os braços o sovaco não está suado, as unhas sem um lascado mínimo.

Eu trabalho com imagem, mas ó, que difícil me manter assim, certinha. Ou o rímel está borrado na pálpebra mesmo eu tendo checado antes de sair (isso quando ele não para na bochecha), ou derramei uma gota de café na blusa, ou sentei numa cadeira que minha gata branca estava e saí com a bunda cheia de pelo, ou o sapato descola a sola na hora daquela reunião importante…

Ok, não sou assim todas as vezes, mas rola uma molecagem forte aqui, hehe!

Outro dia, minutos antes de sair, já em em cima do laço pra encontrar a cliente, passo o batom e, voilá, ele escorrega da minha mão e voa sem dó pra manchar minha blusa clarinha. Passei um paninho úmido pra evitar trocá-la (eu ODEIO vestir outra coisa que não programei) e quando bate o sol na rua, percebo que a mancha da água com sabão de coco ficou. Leio a etiqueta e vejo que a blusa não poderia ter sido molhada. E eu a caminho. Ó céus.

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Não contem pra ninguém, mas…essa blusa, que eu amo, tem um furão na frente que eu disfarço usando com cintura alta, rs

Em outra ocasião, corria para um evento e reparo que a blusa tinha perdido dois (!!!!) botões. Desesperada, entro numa lavanderia e pergunto se pelo amor de Deus não tinha alguém ali com uma agulha e linha. Um botão tinha caído na minha mão, o outro eu perdi…e assim a pessoa costurou a casinha do botão sem botão. E o cara estava tão tenso que começou a suar, com medo de me furar. E se furou. E ficou mais nervoso ainda de não manchar de sangue a minha blusa. Mas no final a gambiarra deu certo, rs.

Tem vezes que eu cogito mandar fazer um babador bem descolado e carregá-lo na bolsa para almoços. Ou botar um alarme para me lembrar de andar com um rolo adesivo para remover os pelos.

Não é por falta de manutenção das peças, nem de me checar no espelho. Antigamente eu tinha a sensação de estar sempre em desalinho, suada no calorão, cabelo grudado na testa. Reparava todos em um evento se equilibrando em seus saltos, com o esfumado perfeito, o batom bem passado e eu ficava encafifada com meu despojamento – afinal, não existia um código de vestir rígido para aquela ocasião – e bem ou mal quem dita o nosso código de bem estar? De sofrer num salto se uma sandália baixa num casamento pode ser super bem vinda, como disse minha amiga num neologismo que cabe aqui, numa interessância autêntica?

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“Não acredito que deixei cair pasta de dente nessa blusa!”

Ou a gente não se borra num verão de 60 graus? Quem não tem mil afazeres que dispensam o tempo de fazer um contorno de boca? Que alegoria fantasiosa deve ser essa que malandramente nos encaixaram para uma impecabilidade inatingível? Desastradas de plantão, uni-vos!

Antes eu me achava muito ET, pensava o que eu tinha de errado em não conseguir sair sem reparar em alguma manchinha nova. Aí, hoje, uma amiga confidenciou: Ana, você está sempre impecável.

– Eu?

– Sim, você.

Não tinha essa imagem de mim. A gente, que é bocuda e fala rindo, que gesticula pra caramba ou que anda a passos mais largos, normalmente pensa que tá tudo fora do lugar. Ai, quanta bobagem. Quanta cobrança desnecessária.

Aí outra amiga desabafou no whatsapp que suou horrores e o colar soltou tinta, manchando o seu colete novinho. Outra revelou que já tropeçou na saia longa e vaporosa que amava, provocando um rasgo que ela consertou na emergência…grampeando uma bainha improvisada.

E comecei a reparar menos nos impecáveis e mais nos elegantemente desalinhados, em quem tem a confiança de ser como é pro mundo. A moça que foi palestrar de tênis e sem maquiagem. A baixinha que foi de tênis e saia midi. A que prendeu a franja deixando o grisalho aparecer, bem feliz, bem desencanada. Aquela outra que percebeu que não precisava de mil estampas e cores pra ter algum estilo ou se destacar na multidão, que era feliz e mais ela sendo básica.

Há uns bons anos eu passei a me divertir com os meus pequenos desastres. Enquanto há quem evite bebericar muito champagne para não borrar o batom, eu dou goladas e mais goladas entre risadas e brincadeiras. Não que eu seja a favor de uma esculhambação geral, de liberar pra usar calça rasgada na bunda, haha, mas pensa se a gente aqui não tem muuuuuito mais causos engraçados para contar? <3

  • 88 Amaram
27 jan 2016

Antes de começar, já suplico: vamos esquecer esse lance de ~tendência? Digo isso porque o assunto do post de hoje deixou de ser tendência há séculos para se tornar o calçado oficial da carioca ou de qualquer pessoa que goste de conforto: as espadrilhes!

Eu comprei a primeirona em 2011, acho, uma de listras da Leeloo no bazar da marca por módicos 19,90. Não era tão básica, aí vendi um tempo depois.  Em seguida comprei uma na Sonho dos Pés por 50 reais, bem no finzinho da liquidação deles, isso em 2013. Depois comprei uma na liqui da Maria Filó, com alguns paetês e abertinha na frente, mas não gosto tanto dela.

A curingona, a parça, a pau pra toda obra, a chega junto que eu somo, era ela, a douradinha de glitter. Mesmo mais durona no pisar, mesmo tendo o lacinho meio grosseiro de fita, rs, ela sabia disfarçar esse detalhe com o seu brilho que acompanhava bem quase que a totalidade dos meus looks. E depois de 4 anos de uso intenso, de ter se pagado mil vezes, ela ficou carcomidinha :(

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Um dos primeiros looks com ela (em 2012!) e outros que ela figurou com maestria ao longo dos anos.

Eu levanto a bandeira que as espadrilles são o salto alto da carioca. Têm a altura necessária de um saltinho mas o conforto e a estabilidade das anabelas; possuem um charme despretensioso com os materiais como sisal, corda, tecidos rústicos, fita; são versáteis, acompanham tanto uma produção mais arrumada quanto aquela basicona de ir até ali na esquina.

Dito isso, entenderam porque não existe a chance de enquadrá-las em tendências? Já virou clássico.

Estou ar-ra-sa-da pela partida da minha. Eu já queria uma nova como substituta, mas a única marca que acho que tem a qualidade que eu gostaria, mais bonita e mais confortável da parada é a Felipa, loja do Leblon especializada em espadrilles. Agora, durma com um barulho desses, a dita cuja custa mais de 300 reais – não que não valham, mas né, rs. E acabaram de fazer uma liquidação de 50%. Tudo voou e eu não fui lá. Parabéns pra mim.

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fotos: Lu Dangelo e divulgação Felipa

E não podemos esquecer do tal do armário cápsula que comecei também na intensão de não gastar (principalmente porque a grana já tá minguada), com ela inclusa nas ideias.

Ok, eu sei que esse post está muito classe média sofre, mas vocês vão me entender, eu sei que vão. 304595 sapatos na sapateira (brinks) e o único que adiantava minha vida se foi. Será que aguardo esse período do armário cápsula sem compras, me virando com um outro (a proposta mais sensata)? Ou vendo alguns sapatos que já estavam separados pra isso e com a grana compro uma nova? Será que pesquiso outras mais possíveis (já fuçei o enjoei)?

Pelo visto começaremos a saga da espadrille! =) Quem indica uma substitua boa, pra fazer pelo menos um post? De repente um achados ou uma lista de desejos para quando eu puder substitui-la?

  • 32 Amaram
26 jan 2016

Se há anos eu reclamo dessa época do ano para me vestir, esse verão resolveu dar uma trégua e nos brindou com temperaturas amenas, chuva e tempinho delícia. =) Foram semanas felizes, mas hoje o sol deu o ar da sua graça e mostrou que alegria de carioca branquela dura pouco, rs.

Recebi agorinha as fotos que tiramos do meu armário cápsula de calor e estou preparando o post pra vocês mas, para não perder o dia, aproveito para iniciar o bendito com um dos vestidos que escolhi entre os tantos que eu tenho (ou tinha!) para me salvar nos dias quentes em eventos ou quando eu quiser ficar mais arrumadinha.

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Ele veio do último bazar da estilista Andrea Marques e me ajudou a perceber que posso esperar sem problemas o próximo bazar anual para, quem sabe, arrematar mais belezuras como ele. É paixão antiga, antes impossível de comprar e que eu pude arrematar em duas prestações. Tecido em algodão, mais encorpado, e com uma modelagem que deixou tudo no lugar com muita elegância.

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Vestido Andrea Marques no bazar da estilista – 250,00 em 2x
Espadrilhe Sonho dos Pés – 50,00
Brincos Maria Filó – 56,00
Carteira de palha que ganhei da amiga

fotos: Denise Ricardo querida e maravilhosa <3

Adorei a brincadeira dos acessórios em palha e corda acompanhando as folhagens da estampa, mas infelizmente essa espadrilhe, que é minha fiel companheira há anos, se desintegrou depois da foto. :( Logo eu que amo espadrilhes e não poderei comprar outra nesse momento. Uma pena, porque é o tipo de sapato que coordena bem com várias produções e que é o salto perfeito de quem mora em cidades quentes.

Voltando ao vestido, ele será visto em outros looks aqui não só para festividades como dia a dia. A ideia é fazer render nesse período e usar tudo que adquiri recentemente para justificar as compras e mostrar que temos que usar tudo e muito antes de pensar em sacar o cartão novamente. Mas sobre esse assunto em breve eu dissertarei neste blog!

Esse vestido comprado em bazar é a prova que realmente não precisamos de muito para sermos felizes. É, ou não é? =)

  • 42 Amaram
25 jan 2016

Semana retrasada estive mais uma vez em Belo Horizonte para acompanhar uma amiga na sua primeira vez no Inhotim. Como visitar esse parque nunca é demais, topei o retorno! :)

Vou dividir alguns lugares que fomos e o que comemos com vocês. Eu visito a cidade desde 2008 e conheço mais ou menos com alguma destreza suas ruas, lojas e bares. Por isso optamos em ficarmos hospedadas na Savassi, no Ibis da Contorno, mas quem quiser visitar somente o Inhotim pode pesquisar algumas pousadas em Brumadinho.

Assim que chegamos em BH fomos almoçar no Casa Cheia, boteco premiado do Mercado Central – depois eu soube que abriram uma filial na Savassi. Pedimos as almôndegas exóticas, de carne de sol com recheio de queijo e molho de abóbora (divinas!) e um mexidão. Por incrível que pareça eu não amei o mexidão, achei seco e meio gourmet demais. Mas de qualquer maneira aproveitamos a ida ao Mercado para nos abastecermos de bala Chita, bala de gelatina de cachaça, doce de leite Viçosa e coador de pano pra café =)

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De lá fomos pra Praça da Liberdade conhecer a casa Adô, marca mineira de bolsas que eu adoro. Elas se instalaram num casarão histórico tombado incrível e a decoração também é de encher os olhos. Tem que tocar a campainha pra entrar e lá dá para conhecer todos os modelitos de bolsas, carteiras e pastas sem pressa, degustando um cafezinho.

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Depois partimos pra Coven, uma das marcas que eu mais amo e das lojas mais lindas da cidade – a primeira era a do Ronaldo Fraga, mas que fechou e deve abrir em novo endereço. Eu me identifico demais com as marcas mineiras, os seus trabalhos com tricô e texturas, peças estruturadas mais modernas e cores mais outonais. Sou carioca, mas esse mar de viscose e de estampas tropicais que vemos essa época do ano nas lojas do Rio não me atrai nem um pouco.

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Experimentamos praticamente a loja inteira, que estava com 40% na coleção de verão e 50% na anterior – mas claro que não levamos nem metade do que gostaríamos, hahaha! Vontade de vestir tricô até no verão, ó que realidade dura a nossa! =P

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Chorei glitter com esse sobretudo, mas me contive e o deixei para alguma sortuda que more numa cidade menos quente que a minha…

À noite encontramos meus amigos e nosso desejo de tropeiro foi atendido no Chopp da Fábrica, um dos melhores lugares para se comer e beber em BH. A orgia gastronômica teve início com essa porção de pão de queijo FRITO (!!!!!!!!) dos deuses…

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…e logo depois chegou o nosso jantar super light, vida fitness, low carb (rs): polenta com couve rasgada e tropeiro lotado de torresmo! A vida é boa, mas penso que é bom morar longe dessas iguarias ou meu guarda-roupa estaria todo comprometido, hehe.

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No dia seguinte, mesmo debaixo de chuva, pegamos um ônibus a caminho de Inhotim. É uma experiência indescritível e todo mundo deveria visitá-lo pelo menos uma vez na vida. Dica: aluguem o carrinho, assim poderão conhecer um maior número possível de obras e levem roupa de banho, duas obras são piscinas abertas ao público. =)

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Na volta saímos pra jantar com a Camis e aproveitamos para experimentar uma nova vertente da famosa iguaria mineira, a Pãodequeijaria! É meio caro, 18 reais um pão de queijo recheado tipo sanduíche acompanhado de polenta ou salada, mas vale o preço a cada mordida. Recomendo provar o PDQ acompanhado de manteiga de café. Sim, isso mesmo que você leu: é de comer rezando.

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Na manhã seguinte achamos que estava pouco de pão de queijo, MANDA MAIS! Aí fomos em mais um paraíso da cidade, um dos meus lugares favoritos no mundo, o Supermercado Verdemar :)

Além de ser um mercado lindo, lotado de produtos que você nunca sonhou em ver na vida, a padaria dá até desespero, de tantas opções maravilhosas, como esse balcão com 5778.966 opções de pão de queijo. Recheado, em forma de biscoito, com queijo canastra, com parmesão…ai.

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Aproveitamos também para garantir um estoque de café mineiro, sô!

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#vemproRioVerdemar

Não tive tempo de fazer um roteiro OFF pela cidade, mas pelo menos conseguimos conferir o bazar de outra marca incrível, a Gig Couture. Fui a convite deles conferir as ofertas e aproveitamos para conhecer de pertinho todo o processo de criação das tramas, o trabalho das modelistas e costureiras, e o de criação das padronagens.

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Eu adoro visitar fábricas, conhecer quem está por trás da roupa que vestimos, o cuidado com os acabamentos e os detalhes da produção.

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Eles me contaram que as sobras de tecidos em estoque vão virar novas peças que devem ser colocadas à venda na própria fábrica mas por preços mais possíveis. Ó que forma interessante de reaproveitamento de refugo e de sobra de produção, sem descarte e contemplando outros públicos!

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Encerramos o passeio em outro local imperdível na cidade, a Casa Kubitschek, originalmente a residência de fim de semana de JK, projetada por Oscar Niemeyer em 1943 e que desde 2013 foi aberta como casa-museu integrante do complexo arquitetônico da Pampulha. A decoração é original da época e deu vontade de morar lá. :(

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Necessito pra vida dessa penteadeira de pé palito!

Quem quiser saber mais algum detalhe ou endereço de algum local que fomos, só pedir nos comentários! Adoro visitar BH e sou sempre feliz em todas as minhas idas. Obrigada, Minas!

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