A importância dos bazares de moda Plus Size

Para mulheres que vestem manequins acima do 48, principalmente, tentativas de idas ao shopping para comprar roupas podem ser completamente frustrantes. Na maioria das vezes, temos que nos conformar com “o que cabe”, e não com um corte ou modelagem feitos para quem tem braços mais gordos, barriga e quadril largo. Isso sem mencionar a falta de tato das vendedoras dessas lojas, que muitas vezes não estão preparadas para lidar com pessoas gordas.

No último final de semana, o Pop Plus recebeu mais de 10 mil pessoas em um clube em São Paulo. A feira, que acontece quatro vezes por ano-  reúne expositores de diversos estilos do país inteiro e é hoje o maior evento de moda Plus Size do Brasil.  O sucesso do Pop Plus motivou a organização de eventos em outros estados, e hoje temos no Brasil cerca de 10 feiras e bazares destinados exclusivamente à moda Plus Size, acreditam?

hashtag
Hashtag Bazar

No Rio temos o Big Moda Plus, o HashTag Bazar e também o Bazar Tijucano. Na capital de São Paulo, além do Pop Plus tem o Bazar do Blog Mulherão, e, em São José dos Campos rola o Vale Plus. O BH Estilo Plus é a feira representante de Minas Gerais, e, em Curitiba acontece o Plus Festival. Já em Porto Alegre, rola a BPSPOA.
A agenda da moda Plus Size é bombante, tá?

big moda plus
O movimento do Big Moda Plus

Há quem tenha a cara de pau de dizer que isso é “segregação”, já que na maioria destes eventos só participam marcas que tenham peças a partir do manequim 44. Longe de mim incitar uma treta de moda, mas, honestamente, para quem é magra existe um mundo de possibilidades. Além dos shoppings, onde a maioria esmagadora das lojas só veste até o 44, existem diversos mercados com novos estilistas que muitas vezes só fabricam os tamanhos chamados regulares. Segregação é o que a moda faz continuamente com os corpos gordos.

Muitas marcas Plus Size ainda não dispõem de grana para bancar loja em grandes shoppings, e graças a esses eventos elas conseguem prosperar e se profissionalizar cada vez mais. Boa parte das mulheres gordas sentem insegurança para comprar online (mesmo quando as marcas especificam todas as medidas), já que as experiências em provadores de lojas regulares podem ser bem cruéis.

Além disso, quem frequenta essas feiras sabe que é muito mais que só um ambiente para compras. A maioria dos eventos conta com outras atividades como desfiles, rodas de conversa, apresentações diversas e mais! Para quem é gordo, é um ambiente completamente acolhedor. Para quem é magro, é uma chance de ver que ser gordo não é impeditivo para nada.

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Yoga no Pop Plus
pole dance no big
Pole dance no Big Bazar

E você, conhece algum outro evento do segmento Plus Size? Já visitou algum para conhecer quem tá fazendo a diferença na moda?

mari-rodrigues-hoje-vou-assim-offMariana Rodrigues
Carioca, 30 anos, gorda. Tagarela de carteirinha, fã de chá gelado e viciada em bons debates na internet. Apaixonada por moda e televisão, escreve sobre esses e outros assuntos também em seu blog aquelamari.com
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Os passos lentos que a Moda Plus Size tem dado no grande mercado

Semana passada rolou mais uma edição da São Paulo Fashion Week e a palavra da do evento de moda mais famoso do Brasil foi representatividade. Se antes o ambiente da moda era composto apenas por pessoas consideradas dentro dos padrões de beleza eurocêntricos, hoje os produtores e estilistas não conseguem mais ignorar a pressão popular que implora por diversidade nesses espaços. Negros, trans, deficientes, e, claro, gordas desfilaram

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MC Carol de Niterói arrasando na passarela da LAB

Na penúltima edição da SPFW, a Lab Fantasma trouxe pela primeira vez uma modelo gorda pisando na passarela do evento. A Bia Gremion usa manequim 60 e foi o super destaque do desfile. Esse ano, a marca repetiu a dose e levou MC Carol (uma mulher gorda, negra e periférica) para a passarela. O desfile da Lab é um dos mais aguardados por levantar com vigor a bandeira da representatividade em seus modelos. A grife, do rapper Emicida, convidou também várias jornalistas, modelos e blogueiras gordas para vibrarem junto.

Outra grande surpresa nesta edição foi a apresentação da nova coleção do Ronaldo Fraga. Buscando “dar luz aos invisíveis”, o estilista colocou em seu elenco pessoas totalmente distintas do que estamos acostumadas a ver nas semanas de moda: idosos, deficientes físicos, transexuais, descendentes de índios e Fluvia Lacerda, a top model Plus Size que mesmo tendo quase quinze anos de carreira, nunca havia pisado nas passarelas da semana de moda mais relevante do país. Ronaldo Fraga é conhecido por celebrar a diversidade em seus desfiles – na última edição, abordou a questão dos refugiados e também da transexualidade.

Ronaldo Fraga SPFW N44 Verão / 2018 foto: Ze Takahashi / FOTOSITE
Fluvia Lacerda desfilando para Ronaldo Fraga
foto: Ze Takahashi / FOTOSITE

Hoje o estilista Alexandre Herchcovitch anunciou o lançamento de sua primeira coleção destinada ao público Plus Size. Em uma collab feita com a Elegance All Curves, as peças assinadas pelo estilista – que tem mais de vinte anos de carreira – vestirão mulheres que usam entre 44 e 54. A parceria tem ares de super produção – as fotos da modelo francesa Clémentine Desseaux foram feitas pelo consagrado fotógrafo André Schiliró. Mas, apesar do furor de ter um grande estilista criando modelos em tamanhos maiores, algo me incomodou e eu resolvi ler um pouco a opinião de outras amigas gordas pra ver se era só coisa da minha cabeça. Não, não era.

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Uma coleção Plus Size assinada por um grande estilista é um passo dado? Sim. Mas, honestamente, eu gostaria de ver esse tipo de parceria em grandes lojas do varejo. Joulik, Blue Man, Pat.Bo e o próprio Herchcovitch já lançaram coleções para a C&A, por exemplo, e os tamanhos conseguem ser ainda menores que o padrão da loja.

Parece que as grandes grifes e seus estilistas estão aos poucos entendendo que a moda mais do que nunca é uma questão social e precisa ser vista como tal. Não adianta só fechar collab com marcas de moda Plus Size, até porque são poucas que tem condições de firmar esse tipo de trabalho com estilistas ilustres e contratar fotógrafos de grandes editoriais. Precisa aumentar a própria grade, levar mulheres maiores para os grandes eventos de moda e celebrar todos os tamanhos. Porque sem isso, vira só mais um sanguessuga descobrindo que gorda gasta dinheiro pra se vestir – e esse tipo nós já estamos cansadas de ver.

mari-rodrigues-hoje-vou-assim-offMariana Rodrigues
Carioca, 30 anos, gorda. Tagarela de carteirinha, fã de chá gelado e viciada em bons debates na internet. Apaixonada por moda e televisão, escreve sobre esses e outros assuntos também em seu blog aquelamari.com
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Reflexões sobre a chegada aos 30

Esse ano eu, Mari, completei 30 anos e virei oficialmente uma balzaquiana. Dizem que os 30 são os novos 20, e tudo bem que faz pouco tempo que cheguei ao clube, mas até agora tá tudo normal por aqui, arrisco a dizer que tô até me sentindo mais plena. Durante anos li e ouvi sobre a temida chegada aos 30. Em teoria era uma época de mudanças, de começar a usar cremes antirrugas, de pegar mais pesado na academia porque o metabolismo começa a desacelerar… Acho que nunca li nada de bom sobre a chegada ao clube das balzacas.

Uma das minhas metas desse ano era comprar menos e tentar ser coerente no meu estilo. Quando resolvi fazer uma limpa no meu armário, notei que ele era composto em sua maioria por shorts, camisetas e vestidinhos acinturados. Os calçados variando entre sapatos e tênis moderninhos. Em determinado momento me perguntei se aquelas peças condiziam com uma mulher de 30 anos, e fiquei um pouco encucada.

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Semana passada a Flávia Durante fez um post no blog dela mostrando perfis no Instagram de mulheres estilosas acima de 30 anos. Não me identifiquei com o estilo de nenhuma delas, e, de novo, tive dúvidas sobre estar me vestindo inadequadamente “para uma mulher da minha idade”. Logo depois entrei nas minhas fotos para dar uma olhada nos comentários, e tinham alguns falando sobre como sou estilosa. Lembrei também desse post em que eu falei sobre o significado de vestir bem, e relaxei. A minha idade não entra na lista coisas a serem levadas em conta na hora de escolher uma roupa, sabe?

Não é uma camiseta do Mickey que vai te fazer mais infantil. Um vestido em alfaiataria pode até dar um ar mais maduro ao visual, mas sabemos bem que maturidade tem muito mais a ver com comportamento que com estilo pessoal. A moda também serve para refletir nossa personalidade, e muitas vezes a gente a usa para parecer mais velha, nova, alta, magra… pra esconder o que a gente realmente é.

Ao contrário de tudo o que já li sobre fazer 30 anos, tenho me sentido cada vez mais segura com as minhas decisões, me achando mais bonita e com mais disposição para cuidar de mim. Continuo apaixonada pelos vestidinhos com estampas fofas, pelo combo t-shirt, shortinho e tênis e tá tudo bem com isso. E em outubro meu cabelo vai voltar a ter nuances coloridas, mal posso esperar.

Para quem ainda acha que existe “roupa de jovem” e “roupa de adulto”, gostaria de apresentar Baddie Winkle, a senhorinha mais fofa desse Instagram! Com quase 90 anos, Helen Winkle mostra diariamente pra gente que estilo não tem idade!

🌈🌦✨ @missguided always keeps me bright and happy on rainy days ✨💧🌈

Uma publicação compartilhada por badddiiie 🌈🎱🦋⛈ (@baddiewinkle) em

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Carioca, 30 anos, gorda. Tagarela de carteirinha, fã de chá gelado e viciada em bons debates na internet. Apaixonada por moda e televisão, escreve sobre esses e outros assuntos também em seu blog aquelamari.com
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Guia do shortinho para gordas – Soltem suas pernas!

Com as coleções de verão pipocando pelas marcas e o inverno se despedindo, vai chegando a época de abusar da minha peça de roupa favorita: o short. Considerado item “obrigatório” no verão (lembrem-se, ninguém é obrigado a nada),  shortinho era peça raríssima em marcas plus size até algum tempo atrás. Até vendiam com a nomenclatura de short, mas o corte e o tamanho denunciavam: era apenas uma bermuda.

Há algumas vi um comentário aqui no blog em uma das minhas postagens que me deixou muito feliz. Uma leitora disse que depois que eu comecei a escrever por aqui, ela perdeu a vergonha de usar shorts em público, deixar as pernas à mostra. Fiquei super feliz e emocionada, porque ajudar, mesmo que indiretamente uma mulher a se livrar dessas amarras da moda – canso de ler/ouvir que short curto em quem tem coxas grossas fica “vulgar” – é maravilhoso.

Leadermaga

Perco as contas de quantas vezes eu desejei shortinhos que não ficassem arrochados no meu quadril e nas minhas coxas. Shorts jeans, de brim, em corte alfaiataria, pra malhar… eu tenho tantos, que se deixar, só uso o combo short  e t-shirt, não importa a ocasião ou o evento. Como eu sou baixinha, o tamanho 54 geralmente fica certinho nos quadris e coxas e grande no comprimento de bermuda. Sou uma ‘pirigorda’ assumida e minhas peças sempre vão pra costureira antes do primeiro uso. Tenho uma tatuagem bem grande na coxa e adoro mostrá-la quando tô de short, afinal, não senti dor pra escondê-la, né?

Em uma das primeiras vezes que estive em São Paulo depois de adulta, minhas amigas riram da minha cara quando eu disse que iria de short ao shopping – e daí eu consegui entender porque as pessoas me olhavam tanto quando passeei na Paulista em plena quinta-feira usando short, blusinha e chinelo de dedo, haha. Aqui no Rio é super comum vermos mulheres de short, mesmo nos bairros mais afastados das praia. Vamos ao shopping, a restaurantes e até pra night rola usar shortinho!

Clamarroca Plus

Se você também for gorda e tiver receio de usar short e ficar com as coxas assadas, anota aí o pulo do gato: é só aplicar o talco em creme, da Granado, antes de bater perna por aí. É tiro e queda, suas pernas não ficam “melecadas” nem ardendo depois.

Jeans

O básico que a gente ama! Uso pra ir da praia à balada, passando por um almoço de domingo na casa da sogra. Pode ter várias lavagens, cortes e modelos. Onde encontrar: Leader Magazine, Marisa, Alley Blue, Clamarroca Plus

Leader

Boxer

São aqueles shorts com elástico no cós e corte bem soltinho nas coxas, que lembra short de boxeador – daí o nome! Acho um charme, os meus praticamente saem sozinhos! Você encontra na Chica Bolacha e na Posthaus, ambas all sizes!

Amaryllis plus size

Alfaiataria

Esses não fazem muito o meu estilo, tenho somente um. São peças com tecidos mais estruturados, cortes mais retos e padronagem clássicas. O meu é um short-saia branco, é um dos meus itens favoritos do guarda-roupas (falarei dele ali embaixo) e comprei em uma loja virtual que nem existe mais. A Ashua lançou um nesse modelo em sua coleção de primavera-verão.

Variados
Em malha, cirrê ou brim, esses shortinhos são excelentes para o dia a dia e alguns até te deixam pronta para a noite, dependendo da combinação usada. Você encontra modelos diversos na NaBeca Tamanhos Reais, Amaryllis Moda Plus e também no Ateliê Michelli Warmelling.

NaBeca

E como aqui eu mato a cobra e mostro o pau, eis a prova do meu amor pela praticidade de um short (nesse caso, short-saia). Usei esse ontem para oficializar meu casamento no cartório, com uma blusinha off-white e meu casaco de pelúcia – paixão que vai durar bem mais que um inverno. Se uma noiva gorda já causa estranheza em muita gente, imagina casando de short… e quem disse que eu ligo?

Shortsaia casamento

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Carioca, 30 anos, gorda. Tagarela de carteirinha, fã de chá gelado e viciada em bons debates na internet. Apaixonada por moda e televisão, escreve sobre esses e outros assuntos também em seu blog aquelamari.com
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