Depois de tempos, entrei numa fast fashion

Há um booooom tempo eu não entrava numa loja fast fashion. Não somente porque eu não consigo mais enxergar atrativos, mas por não compactuar mais com essa moda tão efêmera.

As lojas estão se reinventando, tentando justamente angariar esse novo perfil do consumidor de questionar a origem dos produtos, a mão de obra e o posicionamento delas – a Renner, maior varejista de moda do Brasil, se associou ao Movimento Sou de Algodão, que tem o intuito de promover e valorizar a matéria prima natural, ainda mais num momento em que observamos o aumento do uso de sintéticos e de fibras artificiais na composição das roupas. O site Modefica escreveu uma matéria muito pertinente também sobre o projeto Re – Moda Responsável da rede, selo que simboliza a prática da sustentabilidade nas suas coleções, vale a leitura e o questionamento.

Mas é sabido que nem todo mundo tem acesso a marcas comprometidas com o slow fashion e que essa história de parar de comprar em fast fashion para consumir tudo que se vê com selo do slow também não é solução. A proposta é rever mesmo a nossa relação com o consumo, questionarmos se precisamos de tanto, usarmos mais o que temos e entendermos nosso papel para desacelerar essa engrenagem. Também sei que, por ex, no interior, é difícil encontrarmos alternativas viáveis ao consumo nas fast fashions, então vale mostrar aqui que também podemos fazer boas escolhas nessas redes.

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Provei algumas peças da coleção regular e também da primeira collection do ano da rede (aí já se nota a mudança de estratégias da C&A, que antes estava atochando mil coleções especiais por mês), com a LAB Fantasma, do rapper Emicida, que prega a diversidade em seus desfiles. Fiquei bem surpresa como tanto essas peças com a LAB, quanto a coleção regular, tinha boas opções, com tecidos e acabamentos melhores.

No look aí em cima eu curti o top (R$49,90) e levei ele pra casa. A calça era interessante (R$79,90), mas poliéster e tecido bem grosso, o que limitaria bastante o seu uso em outras épocas do ano, ainda mais se considerarmos que o Rio quase sempre é quente.

Esse look é da parceria com a LAB e eu ADOREI ele! O body era bem grossinho, de neoprene (R$89,90) e vestiu lindamente. A calça também, com esse estilo streetwear, mas super possível de coordenar com outros estilos (R$99,90), mas, mais uma vez, o poliéster e o tecido bem grosso me desanimaram.

Não avistei quase nada nas araras com as peças deles – não sei se já voaram ou se não foi muita coisa pra loja aqui perto de casa – mas fiquei feliz de avistar tamanhos superiores ao GG, o que era inexistente quando falávamos de collections!

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Look da LAB Fantasma para C&A

Na parte da Yessica, avistei várias opções interessantes para looks de trabalho – que vocês tanto pedem aqui! Gostei dos cortes, apesar de algumas peças ainda terem forro de poliéster. Mas no geral curti essa mudança para um estilo mais contemporâneo, com peças que podem ser boas curingas também para outros momentos do dia a dia.

Printei os vídeos que fiz para os storys no meu instagram, que têm os preços. Para quem é de cartelas de cores mais suaves, achei a variedade boa, além das cores no geral serem neutros coloridos, fugindo do óbvio preto e branco para as produções da labuta. 🙂

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Lá em cima e aqui, nessa calça, o material é o PU, que simula um couro, mas é plástico, com vida útil mais reduzida. Sempre fico na dúvida sobre levar algo nesse material, mas confesso que gostei demais do corte da calça e da cor – bem bacana como alternativa à alfaiataria – e o toque também achei bom, não tinha barulho e aspecto de plástico.

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Como têm sido para vocês? Continuam frequentando bastante essas lojas ou reduziram as idas?

Eu tenho me sentido bem por fora no geral, não sei se volto a me atualizar com essas opções, se mostro mais por aqui, se mantenho essa linha de ideias mais de usarmos o que temos apenas…com a redução gritante das novidades de coleções especiais, as críticas que sempre mostrei anos impressões podem ganhar outros rumos, o que vocês sugerem?

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Comentários pelo blog

9 comentários

  1. Bianca Mancio comentou:

    Ana,
    Vejo vídeos de outras blogueiras fazendo achados em fast fashion, SMP falando o que é lindo, Mara e o qto compraram… Esse tipo de coisa é vazia.
    Seus posts dessas andanças são diferenciados, aliás, como todo o seu conteúdo. gosto das suas visitas as fast fashions por vários motivos.
    O primeiro é pq vc sempre fala dos tecidos, acabamentos, nos ensina a comprar (menos, mas sempre melhor).
    Dá dicas de combinações q não imaginamos, como está look suave frio para o trabalho. Lindo! Inspirador!
    E terceiro pq vc mostra o que tá em alta e como podemos adaptar isso a nossa realidade, SMP lembrando do consumo consciente.

  2. Cris comentou:

    Aninha, sobre seu último parágrafo penso que, como comunicadora, é sempre válido trazer as opções, independente de fazer tanto a sua cabeça – ou não. Cá para nós, fiz duas tentativas recentes na C&A aqui em Sampa. Vi as peças do Emicida, achei bem legais na mão mas não me empolguei tanto a ponto de provar. A segunda tentativa era por causa de uma clochard mostarda que estou querendo muito e, já que não é o shape de calça que mais me favorece, pensei em dar preferência a uma que tivesse valor mais OK para o tempo que nosso amor durasse. Bom, lá fui eu e, olha…não tem rolado mesmo! Corte estranho, tecido tipo helanca mas beeem meia boca, não amei a costura…
    Tô considerando demais a relação custo x benefício das coisas em geral, roupa nem se fala! Se a peça não fica linda (e neste ‘fica’ já incluo a possibilidade de ajuste porque sou mignon, cintura fina e bunda de brasuca) eu penso 10 vezes antes de abrir a carteira.
    Bjs

  3. Flavia CM comentou:

    Pessoalmente prefiro a linha do slow fashion e de usar mais o que se tem a ficar de olho em tendências e em produtos que estão nas araras das fast fashion (lojas nas quais, aliás, não entro há MUITO tempo porque nada mais me agrada depois de ter desenvolvido um olhar mais “clínico” sobre roupas e sobre como melhor investir o suado dinheirinho). Amo seu jeito de ver a moda e expor suas ideias, não muda, não! (risos). Grande beijo!

  4. Mari comentou:

    Ana, meu problema com as fast fashions há muito tempo diz respeito ao uso de materiais, acho pouquíssimas roupas de algodão, viscose, a maioria são de poliéster, material que não dou conta de usar, aí limito muito minhas compras. Com o passar do tempo também fiquei com um olhar mais apurado para acabamento e caimento. Costumo ir dar uma olhada, mas sempre saio de mãos vazias.
    Abraço!

  5. Poliana comentou:

    Eu frequento bastante ff, mas de olho em tudo pois muita coisa não vale o que pedem por ser mal acabada ou com tecido muito sintético.
    Tenho gostado de mandar na costureira também. Tem sido ótimo.

  6. Olha, depois que eu descobri os brechós.
    Faz tempo que não coloco meus pés na renner ou em outras fast fashion
    Eu odeio poliéster, e acho um absurdo os preços que pedem em roupas assim.
    Nos brechós, consegui aliar o custo e o benefício de achar peças incríveis e únicas
    Por preços incríveis também
    Não gosto mais dinheiro em fast fashion

    1. Ana Carolina respondeu Darrow ohara

      também penso assim 🙂

  7. Jande comentou:

    Ultimamente tenho comprado coisas muitos legais em um bazar (estilo brechó) aqui na minha cidade (Maceió), mas brechós não são coisas comuns por aqui.Continuo comprando sim em fast fashion, principalmente na Renner e acho coisas muito bacanas, com bom caimento e tecidos ok, mas garimpar essas peças nessas lojas demandam tempo e paciência. Sabemos que a maioria das peças são de poliéster ou, muitas vezes, não possuem bom caimento, mas em uma boa safra é possível encontrar peças interessantes e duráveis por um bom preço. 95% do que compro está remarcado ou tem bom custo-benefício. Claro que eu adoraria consumir roupas de marcas melhores, mas sinceramente, não tenho orçamento pra isso. Em liquidação ainda dá pra arrematar alguma coisa, mas impossível fazer essas escolhas pra tudo que tem no guarda-roupa. Acredito que essa é uma realidade de muita gente. Recentemente tenho ficado feliz por encontrar viscolinho ou linho com algodão na Renner e na C&A. O meu ponto de equilíbrio é comprar de forma consciente e fazer as melhores escolhas dentro das minhas possibilidades, além de cuidar muito bem da manutenção (lavagem) para que durem o máximo possível