Roupas que contam histórias

Ao longo da vida costumamos criar apego por objetos diversos, incluindo peças de roupas e acessórios. Mais que ter roupa para “estar na moda” ou “se vestir adequadamente”, muitas vezes criamos relações de afeto com peças que nos foram presenteadas por pessoas especiais ou que vestimos em momentos marcantes na vida. Já perdi as contas de ter ouvido falar em camisa-cueca-colar-meia da sorte! Meu post de hoje é sobre a peça mais especial que tenho no armário: meu vestido rosa.

Antes, preciso dizer que tenho duas peças “iguais”. Calma, vou explicar:

Em 2015, vi esse modelo lindo de vestido na Posthaus, e resolvi comprar. Como sempre, ficou bom no quadril e grande nos seios, além de super comprido – sou baxinha! Fui à uma costureira e fiz os reparos que gostaria. Na ocasião, comprei para usar na minha festa de noivado, e ele foi um sucesso: todo mundo elogiou, disse que era a minha cara e estava lindo. A festa é uma lembrança linda e desde então o vestido virou uma peça especial no meu guarda-roupas.

noivado

É um vestido simples, mas que carrega uma dose extra de valor afetivo. O usei em dias importantes, como primeiro e último dia em uma empresa onde fiz estágio durante a faculdade (sim, sou apegada a iniciar e encerrar ciclos com a mesma peça sempre que dá), eventos e em um almoço especial de aniversário da minha avó.

Recentemente foi meu chá de panela, e eu resolvi que iria usá-lo. Confesso que fiquei me perguntando se “pegaria mal”, já que grande parte dos convidados eram os mesmos da festa de noivado. Mas a dúvida durou tipo 20 minutos, roupa não é item descartável, ainda mais um modelo que é tão especial. Acontece que dei uma engordada, e meu vestido-xodó estava mega apertado e super curto, beirando o desconfortável.

Voltei ao site onde havia comprado o vestido sem muitas expectativas. Mais de dois anos, dificilmente acharia outro igual. Mas não é que tinha? Quando chegou eu vi que não era exatamente igual à “primeira edição”, mas cumpriria o papel de herdar o vínculo afetivo. Mandei encurtar só um bocadinho, apertei um pouco nos seios e voilá: consegui uma nova versão do vestido para contar novas histórias.

chá

Tenho um carinho imenso pela peça, mas de maneira alguma tenho “pena”de usá-la. Toda essa energia que ela traz precisa circular por aí, e não ficar sufocada dentro de um armário. Sempre uso para ocasiões especiais em que eu precise de boas vibrações, conforto, tranquilidade. Recentemente, usei o vestido para acompanhar minha mãe em um exame importante pra ela.

É bacana enxergarmos com bons olhos quando o vínculo afetivo com algo material é saudável, quando a roupa usada traz boas lembranças e, de alguma maneira, transmita confiança. Quando não estiver mais rolando com você, vale pensar que a peça precisa viver outras histórias – daí a importância dos brechós e das doações de roupas em bom estado para pessoas que precisam.

Qual é a sua peça que conta histórias? Tá cuidando direitinho dela?

mari-rodrigues-hoje-vou-assim-offMariana Rodrigues
Carioca, 30 anos, gorda. Tagarela de carteirinha, fã de chá gelado e viciada em bons debates na internet. Apaixonada por moda e televisão, escreve sobre esses e outros assuntos também em seu blog aquelamari.com
Compartilhe nas redes sociais
pinterest: pinterest
tumblr:
google plus:

Comente pelo Facebook

Comentários pelo blog

2 comentários

  1. Mari, que lindo!!! Eu tenho algumas peças assim… Todas handmade, feitas pela minha mãe que virou estrelinha esse ano. Imagina o tamanho do afeto e o valor que preço nenhum, no mundo, paga!
    Beijos

  2. Mari comentou:

    Muito legal criar essa relação afetiva com a roupa e colocá-la pra jogo. A dificuldade justamente é essa, geralmente nos apegamos e ficamos com pena de usar. Costumo me dar de presente sempre um vestido novo e bacana nos meus aniversários, tem uns 3 anos que faço isso, na tentativa de comprar menos e investir em boas peças. =)