Como vocês têm feito as suas escolhas?

Hoje eu estava fazendo algumas pesquisas e resolvi passear pelas lojas para dar uma olhada na virada das coleções, já no ritmo da primavera. Eu dei um tempo da tag dos achadinhos aqui no blog porque há muito elas já não diziam muito sobre mim, sobre o que quero apresentar para vocês, mais no contra fluxo desse ritmo louco de efemeridades e imposição de tendências.

Aí fiquei me perguntando como vocês têm feito as suas escolhas nos dias de hoje – vejam bem, escolher é bem diferente do que perguntar sobre compras. Tem mais relação com as nossas alternativas ao de sempre, onde bebemos da fonte das ideias e nos meios que usamos para colocá-las em prática.

Por exemplo: há algum tempo tenho evitado comprar em lojas fast fashion, priorizando mais pequenas marcas e brechós. Mas as fast fashion são as principais disseminadoras/termômetro de tendências, que dificilmente conseguimos ignorar por completo, para nos mantermos também alinhados ao nosso tempo, mas que não precisamos adotar por completo, escolhendo apenas o que faz parte do nosso estilo, nossos gostos, estilo de vida e desejos.

Entrei na C&A hoje para dar uma olhada nessas possíveis apostas para essa estação, não para comprar, mas para entender o que poderá estar em alta e que se encaixaria no meu estilo ou no de alguma cliente. Isso é legal para também tirarmos alguns conceitos de dentro do nosso próprio armário, pensando em novas combinações e arriscando algumas propostas mais contemporâneas.

Análise tendências X meu estilo

Primeira coisa que saquei foi a predominância de cores em tons pastel, muitas vezes em conjunto com babadinhos e plissados, numa referência muito forte ao estilo romântico. Muito salmão, azul bebê e tons de blush aliados ao azul marinho para não criar tanto contraste entre as coordenações de cores e muito verde militar.

Minha cartela de cores até tem tons clarinhos, mas eu dou uma ignorada nisso porque não é muito minha vibe coisas delicadas e sutis, hehe, muito menos detalhes fofos, então eu to passando longe dessas ideias.

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Tons de blush em alta no preview da Renner
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NA C&A, mais tons clarinhos e suaves

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Looks da Forever 21 toda em candy colors

Esses manequins estão mega romantiquinhos, mesmo o da esquerda com transparência – mais sexy – faz bastante menção ao estilo, ainda mais por conta dos detalhes da estampa mais fofucha.

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Outro detalhe forte que estava em todas as araras eram os florais, só que em prints maiores, de fundo escuro e uma predominância de mix com folhagens, como a Mari antecipou aqui nesse post.

Dessa ideia eu já curto mais por sair do delicado e entrar com uma proposta mais gráfica e com mais peso por conta do fundo mais fechado – já estou catando no armário todas as peças que eu tenho que sigam essa linha!

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Floral e folhagens renovados no preview da Renner
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Os florais de fundo fechado na C&A

Estampas gráficas, listras e zigue zagues em PB – quem aí lembra da onda da calça listrada, meio Beetlejuice? Olha as dita cujas ali no canto, timidamente querendo aparecer de novo. Também lembram que teve um modismo de camisa de listras verticais em PB há alguns anos? Segura a peteca e cata as mesmas aí embaixo, no lado esquerdo!

Eu gosto de grafismos e de estampas em alto contraste, mas não sei se curto esse alto contraste de preto e branco na maioria das pessoas, nem de peças tão marcantes assim, que usamos poucas vezes e já enjoamos.

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Detalhes em PB e ainda alguns terrosos na C&A

Aí embaixo já temos uma mistura de preto com uma cor mais pro areia, que não é tão gritante quanto a mistura de preto e branco e eu acredito ser mais agradável para os olhos, rs, e a maioria das pessoas com pele mais amarelada/quente/neutra.

Aliás, gosto mais da ideia desse print na saia, para criar mais variações de looks com partes de cima – vestidos sempre marcam mais e limitam mais também nesse sentido, mas obviamente são mais práticos.

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Tudo da C&A

Ainda na ondinha dos tons suaves, passei em frente à vitrine da Sonho dos Pés (e não fotografei, que arrependimento!), loja de sapatos carioca equivalente ao fast fashion do setor, e tava rolando uma dominância de modelos de scarpins, sandálias altas de duas tiras e sapatilhas nessas cores clarinhas.

Confesso que pra sapato a ideia já me apetece mais, acho que essas cores podem ser mais curingas na hora de deixar a produção mais criativa, só que de uma maneira mais sutil.

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Na prática, com o que tem no meu armário

Do meu armário eu já pesquei algumas propostas bem dentro das tendências, tudo coisa que eu tenho há anos: um blazer menta que eu trouxe de viagem em 2012, uma blusa mais gráfica e zero romântica, mas com um tom mais rosadinho-blush. Confesso que não uso muito ambas as peças, então isso já foi uma motivação extra pra pensar em looks com elas!

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Das estampas de fundo escuro, as mais frescas (sim, porque primavera já começa a esquentar mais) são essas que eu já uso pra caramba – porque têm mais a ver com meu estilo, com cores mais escuras e estampas mais gráficas do que orgânicas/fofas.

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As referências servem também na hora de pescarmos um achado num brechó ou do armário da mãe, hehe! Essa é a prática de irmos às lojas observarmos mais as inspirações e buscarmos mais o que podemos nos aproximar desse contexto com o que temos – até para entendermos também o que pode estar faltando no guarda roupa e acrescentar, seguindo principalmente esse pensamento de alinharmos ao que realmente gostamos de vestir.

E vocês, como têm lidado com as escolhas do que vestir e investir? 🙂

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Comentários pelo blog

20 comentários

  1. Marina comentou:

    Que post interessante, Ana, parabéns, e quis comentar pq esse tipo de reflexão está mudando para mim (que comprava automaticamente em fast fashion e entrava numa C&A pra ver as novidades sempre que podia.

    Acabou que a crise chegou e eu, como servidora do estado do Rio, então, nao tenho nem o que comentar. Mas ocorreu um fenomeno interessante: eu sempre gostei de costurar, sabia umas técnicas, o básico da modelagem, mas nunca tinha tempo pra sequer cogitar montar minha máquina. E compulsiva que sou/era, estava lotada de tecidos em casa. Acabou que voltei a treinar, e depois que estava afiada passei a fazer umas blusas a sério e gente, como eu tenho priorizado elas! Fiz peças em tons que gostava e nunca achava (tons pastéis, sobretudo azul e rosa claro FRIOS, que nunca acho), xadrez vichy, tudo em tecidos orgânicos, saia de linho….

    Olhar vitrines pra mim perdeu demais o encanto. Ainda olho, mas tô longe de fazer questão (tendencias entao… realmente nao me interesso). Estou numa fase de procurar e comprar, quando compro, só tecidos que gosto, me vestir de cores que gosto em modelagens simples e acessorios interessantes.

    1. Ana Carolina respondeu Marina

      Marina, primeiro toda a minha solidariedade a você. Segundo, que lindo saber da sua evolução! tão libertador criarmos nossas alternativas e usufruirmos das nossas escolhas e não da imposição da indústria! 🙂

      1. Marina respondeu Ana Carolina

        Obrigada Ana!!
        É verdade, isso é libertador demais, muito além do que eu imaginava. Voltei a costurar mais como uma terapia, pra me distrair um pouco de só pensar em problemas, e conforme fui evoluindo e fazendo tudo bem ao meu gosto de verdade, vi como somos reféns do que a indústria disponibiliza, sejam modelagens, cores, tecidos, estampas. O que a princípio parece “um mar de opções”, hoje vejo muitas vezes como uma postura do tipo “ó, que eu tenho agora é só isso, escolhe aí” (mas, claro, com uma roupagem moderninha)

    2. Anna Camila respondeu Marina

      Marina,
      que incrível deve ser fazer suas próprias peças!!
      Mas tenho uma dúvida, onde você acha bons tecidos pra comprar?
      Em lojas comuns de rua, na internet?
      Porque gosto muito de mandar fazer roupas, mas só acho uns tecidos ruins, quase que somente poliéster e quando acha algum linho ou algodão, dá pra ver que é tecido ruim que vai dar bolinhas logo logo…
      Seda e algodão então, nunca vi!
      Nesse caso já acho complicado pq mandar fazer uma peça tem toda aquela demora, ajustes pra no fim termos peças de qualidade tão ruim (em relação à tecido) quanto a das lojas…

      Fica aí a reflexão pra fazermos juntas!

      1. Valéria respondeu Anna Camila

        Anna Camila, eu tb adoro fazer roupas pra mim e para minha filha.
        Moro em Niterói e aqui tem 2 lojas de adoro. Tem mta tricoline, popeline e viscose boas.
        A questão é que os preços não são os mais amigos… porém, as roupas q eu mesma faço duram horrores, acaba valendo a pena.

      2. Marina respondeu Anna Camila

        Oi Anna, que legal que vc tb gosta! Então, meus tecidos eu costumo comprar quase sempre no centro,na rua Buenos Aires. Compro muito na Caçula de (no n° 261), que tem coisa que acho cara, tem tecido sintético tb mas tem muuuuuuita variedade, muitos com preço justo. Eu me perco por lá, e vale olhar cada cantinho.

        Tb gosto da Casa Pinto (no n° 224) por essa questao de variedade, e já comprei viscoses bem bonitas lá(e tem linhos muito bons, mas coisa de até 99,00 o metro!)

        Uma que eu acho que tem muitos achados é a Aro Armarinho (n° 238), que é uma portinha com uma escadaria que vc nao dá nada, o lugar parece um galpão, mas com muito tecido bom e de primeira mesmo (acho que eles vendem pra lojas grandes inclusive). Uma variedade grande até de tweeds lindos, algodão bordado, linho, viscoses estampadas incríveis… Fico impressionada com a qualidade de uns tecidos de lá.

        Fora isso, tb gosto de olhar na Lealtex (tem várias lojas no Rio), que tem muita variedade sempre e uma loja de tecidos finos que tb me impressionou muito foi a Casa Assuf (na N. Sra de Copacabana 685). Tem coisas caras, mas atendimento super bom tb e delicadezas tipo o pedaço tecido vir embrulhado no papel de seda e tudo! Haha

        Tb já comprei em lugares aleatórios em Campo Grande (e gostei), mas esses lugares, sobretudo Aro Armarinho e Caçula sao os que eu mais frequento. E ouço muito falar (porém ainda nao fui) é do Polo Textil lá no Rio Comprido. Morro de vontade mas ainda nao fui!

        Ps: nunca comprei online!

        1. Anna Camila respondeu Marina

          Oi Marina,
          obrigada pelo feedback! Mas aqui em Goiânia acho mais difícil… rs
          Vou tentar ir numas lojas mais chiquetosas pra ver…
          Uma vez fui numa e curti uma leise (laise?) que custava 99 reais o metro! =O
          Ainda tenho alguns tecidos, mas tô querendo coisas diferentes, tecidos pra durar mesmo…
          Veremos!
          =**

          1. Valéria respondeu Anna Camila

            Anna, já comprei tecido on line, umas chitas lindas para fazer almofadas. A loja é Art têxtil. Tem tecidos de algodão tb, mas esses eu nunca comprei. Vale a pena vc dar uma olhada, talvez encontre algo que valha a pena. ‘Um abraço!

  2. Bianca Beatrice comentou:

    Ana, vi esta blusa na C&A e achei linda.
    Mas estou refletindo mto sobre minhas compras dps do workshop das cores. Sou inverno brilhante, alto contraste né… E esse preto é transparente.
    Ficaria legal em mim?! Pq o preto perde a saturação, que é tão característica da minha cartela.

    Bjooo

    1. Ana Carolina respondeu Bianca Beatrice

      Bianca, fica sim! Vc pode criar situações de contraste com batom mais forte ou acessórios mais iluminados e coloridos 😉

      1. Bianca Beatrice respondeu Ana Carolina

        Obrigada, Ana!!

  3. Cynthia comentou:

    Gostei muito do novo formato, Ana!

    1. Ana Carolina respondeu Cynthia

      Obrigada, Cy! Também to satisfeita! 😀

  4. luisa comentou:

    Ana, depois que tive uma breve experiência em moda, fiquei um pouco desacreditada de um processo de produção totalmente limpo e controlado em marcas tradicionais de varejo, já que em algum momento algum insumo vem de países que praticam dumping, e/ou há ‘quarteirização’, enfim. Por outro lado, aprendi duas coisas valiosas: dar valor aos tecidos (conforme você também sempre destaca!) e que consumismo exagerado não faz bem a ninguém, só às lojas! Essa noção de esquecer do guarda roupa a cada nova coleção me incomoda demais. Dito isto, eu procuro ponderar bem as minhas compras. Compro em fast fashion uma coisa ou outra, mas só depois de perceber que será uma peça bem aproveitada, reduzi praticamente a zero o impulso de comprar. Faço análise da qualidade da peça, penso em usos versáteis pra ela… penso se elas seriam substituídas por algo que eu já tenho. E com um guarda roupa de 6 portas cheias, a resposta normalmente é sim. Não preciso de mais uma camisa de botão (minha peça de roupa favorita), por mais linda que seja a estampa e mais maravilhosa seja a seda, se já tenho mais de 15 no armário. Não preciso de uma flatform azul clarinho se a crua pode ser usada nas mesmas situações. Ainda estou longe de chegar ao meu ideal, meu armário cheio ainda me incomoda e considero meus gastos ainda um pouco altos com compras, mas estou cada vez mais entendendo meu estilo e minhas necessidades, então acredito que um dia vou chegar ao ponto de me sentir totalmente consciente comprando, ainda que eventualmente role uma fast fashion no meio do caminho (difícil resistir a certos preços também, né?). Obrigada pelos posts tão lúcidos, eles me ajudam muito!! Beijão

  5. Kátia Rodrigues comentou:

    Mudança de coleção me trás uma rápida expectativa de encontrar algo novo, estou com muita dificuldade de amar algo (o problema é tentar comprar só o que amar). Tenho pesquisado muito e tenho um certo achamento da minha cartela de cores, então nada bate (tinha escolhido só a blusa fundo escuro com estampa verde kkkk). Mas isso não me deixa aborrecida, vou mesmo comprar aquilo que me favorece nos meus brechós, bazares que já são uma jornada para garimpar algo e aproveitando um mergulho no guarda roupa pra colocar as pecinhas com mais tendências na frente (isso terei que copiar de ti). Brigadinha!

  6. Ariana Melo comentou:

    Confesso que eu amo essa tendência de romantismo, cores fofas e estampas florais, e tenho que me segurar pra não querer sair comprando tudo! Mas sim, a reflexão é válida e dá pra fazermos muito com o que já temos no armário. É sempre um bom exercício pra apurar o olhar… 😀

  7. carolina comentou:

    ana, vou querer acompanhar de perto. desde que fiz seu workshop em março, consegui estruturar direitinho meu guarda-roupa para outono/inverno, está bonito de ver – começou com as cores, evoluiu pra estilo, tá demais. mas agora que vai começar a esquentar estou com um pouco de medo de como vai ser essa transição para guarda-roupa de primavera/verão. comecei a achar que quase nada que tenho me atende para o calor que fará. fatalmente terei que me jogar em algum nível de compras, então estou começando a estudar devagar.

  8. Aninha, estava pensando nisso esses dias. De fato quando a gente para reparar, a moda é cíclica, tudo que estava em alta anos atras, tá voltando com tudo e se a gente não se atentar, vamos acabar comprando aquilo que já temos [tem muita gente que faz isso e nem percebe]. Eu me assustei quando olhei o feed da sonho dos pés, tudo em tons pastéis, e confesso que fiquei agoniada, não é muito a minha vibe, apesar de ter peças na cor, só que da mesma forma que você, eu tenho no meu estilo.
    Quanto as minhas escolhas, percebi com o tempo (zero money) que tenho optado pelas peças clássicas / atemporais. Com um “quê” de info atual, mas sem deixar o meu estilo tradicional cair. E as vezes me pego pensando, será que somos obrigados a estar sempre usando o que tá em alta mesmo que gostemos? Daí eu respondi pra mim mesma que não. É que tenho optado diversificar mais com o que tenho, dentro do que gosto de usar e atualizando os looks com algum sapato ou acessórios, do que as peças de roupa em si.
    Por fim, se não vou falar muuuuuuuuuito aqui. Adorei a reflexão do post, a gente precisa sempre se alertar pra essa vibe do que tá em alta x o que a gente gosta.
    Bjks <3

  9. Rebecca Paes comentou:

    Ana, prefiro esse tipo d conteúdo: mostrar a tendência pra gente adaptar com o nosso estilo e com o que tem no nosso armário. Eu faço mais estilo romântico, logo tenho MT babado e candy collor no meu armário! Aliás, lendo esse post me lembrei de um vestido da Stella Mcartney para C&A q é é estruturado, porém rose com branco. Se não me engano, até vc vestiu o mesmo modelo na época porém em preto e branco. Passada a euforia, eu consegui arremata-lo por R$49,90 perdido em uma arara…hahaha Aprendo MT com vc, Ana. Obrigada pelo conteúdo honesto e de qualidade. Bjs

  10. Renata comentou:

    Sensacional esse post, Ana! Parabéns!