A linha da revista Elle em parceria com a C&A: vestidos pretos

Eu não sou fã de generalizações, principalmente em moda. Durante muitos anos, convencionou-se que certos clássicos deveriam estar presentes em todos os armários, como se fossem um padrão para estilos, corpos e cotidianos diferentes.

Cada pessoa deve montar sua boa base de roupas a partir das suas experiências pessoais e dos seus gostos, sem tanta interferência externa, para perceber o que realmente tem a ver com ela e com a mensagem de estilo que desejar passar em frente ao espelho. E isso não tem a ver com listas de compras, mas com autoconhecimento.

Bom, por isso parei de reverberar sobre “clássicos” como o vestido preto básico. É curinga? É. Mas tem quem se limite apenas a ele como única possibilidade no guarda-roupa – na verdade ninguém precisa ter uma coleção de vestidos pretos, nem de camisas brancas, nem de blazers de uma única cor. Apostar somente nisso acaba limitando o armário em coordenações e aumenta a necessidade de comprar mais roupa.

Dissertei sobre o assunto depois de ler que a C&A vai lançar em parceria com a revista Elle, uma coleção de vestidos pretos que homenageia as últimas sete décadas da moda. Confesso, fiquei sem entender nada dessa parceria, justificada depois pela editora Suzana Barbosa, “A ideia dos vestidos surgiu para comemorar os 70 anos da revista no mundo. É o nosso primeiro licenciamento no Brasil e estamos super felizes de estar junto com a C&A nessa nova experiência”.

Ao invés de um estilista assinando, a chancela de uma revista de moda, como numa curadoria para uma exposição. Só que cada vestido vai custar 200 reais e tal investimento vai exigir mais do caimento, tecido e modelagem para valer a aquisição.

modelito anos 40:

ELLE-e-C&A-40

Do release: “Dos ombros arredondados, com cintura moldada dos anos 40, ao “new look” dos anos 50, até chegar ao tubinho da década seguinte, passando pela silhueta boho da era hippie e a febre zíper que lacrou a moda feminina nos anos 80”.

modelito anos 50 (que parece ser o mais lindo):

ELLE-e-C&A-50

modelito anos 60, um tubinho:

ELLE-e-C&A-60

modelito releitura do boho dos anos 70:

ELLE-e-C&A-70

modelito anos 80 (e o que eu não estou levando fé com esses zíperes):

ELLE-e-C&A-80

“O minimalismo da década de 90 também está representado com um tomara que caia na fenda lateral, assim como o midi, que definiu o comprimento e o comportamento dos dias de hoje”.

modelito anos 90:

ELLE-e-C&A-90

modelito anos 2000 (pra mim, o mais interessante e versátil):

ELLE-e-C&A-00

Além dos sete vestidos, a coleção também terá calça social, 3 t-shirts e uma camisa em branco e cinza mescla. A coleção chega às lojas selecionadas do Brasil no dia 23 de Agosto e e na loja virtual cea.com.br no dia 18, com preços que vão de R$39,99 até R$199,99.

Acho uma artimanha trazer para as fast fashions o conceito dos clássicos atemporais, fora das tendências, que se tem falado tanto ao abordarmos lowsumerismo e slow fashion, ainda mais com a curadoria de editoras de moda. Mas simbora ficarmos de olho para entendermos o que vale a pena entrar de verdade no nosso armário e o que pode ser mais uma estratégia para comprarmos o que já temos em excesso 😉

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Comentários pelo blog

14 comentários

  1. Juliana M comentou:

    Concordo Ana o modelito da década de 50 é bem charmoso,+pra mim é uma boa estratégia cheia de produção pra vender o peixe da C&A fazem de tudo inclusive fotos lindas despertando nossa curiosidade e desejo de consumo.
    A coisa muda de figura ao’vivo e a cores,rs!ou não seria C&A,digo isso baciada nas últimas coleções e parcerias.
    As parcerias pioneiras da C&A ainda valiam pagar uma grana a+ por elas,R$200,00 reais numa peça de roupa?
    Isso não mim pertence mas…
    ou melhor nunca mim pertenceu.
    Inclusive o vestido boho 70 dessa coleção parece d+ com um que comprei na Marisa anos atrás também pretinho custou se não mim falhe a memória R$59,90.

  2. Wal comentou:

    Achei o dos anos 50 lindo, lindissimo, mas bem pouco versátil. Não curto mullet então torci o nariz para o dos anos 2000, mas amei com força os dos anos 60 e 70 e achei eles bem versáteis, viu?

    Beijos

  3. Rebecca comentou:

    Não to vendo graça alguma nessa coleção…

    1. Ana Carolina respondeu Rebecca

      nem eu :/

  4. Marcia Lo Fiego comentou:

    Eu gostei de todos até os anos 70, acho bem usáveis e diferentes da mesmice! Bjs

  5. mariana comentou:

    Uma ideia boa, que poderia ter sido incrível, mas não foi….sei lá, falou emoção. Não desejei nada.

    1. mariana respondeu mariana

      *faltou

  6. Tâmara comentou:

    Amei demais o primeiro e o último… Espero que os tecidos sejam respiráveis, pq não suporto mais tecido aquecedor… Ainda mais nesse calor que faz no Brasil….

  7. Tina comentou:

    Gostei do de ziper, meio versace, mas como já disseram, nada emociona a ponto de sair correndo ou gastar 200 reais…

  8. Tati de Porto Alegre comentou:

    Achei bem lindos e… Bem caros.
    Ha um tempo atras eu não tinha nenhum vestido preto e já precisei, por isso acabei comprando (na Zara e por bem menos). Acho bonito, mas não curto, acabo usando em último caso e sempre pensando que seriam mais bonitos noutra cor – mesmo recebendo elogios (vai ver fico bem aos olhos dos outros de preto,mas certamente me gosto mais noutras cores).

  9. Gi comentou:

    Ana, definitivamente, preto não me cai bem! Mas imaginei o vestido anos 50 azul marinho… Seria perfeito!!! Bjs

  10. Silvia comentou:

    Sinceramente, vestido preto, em vários modelos, é o que mais se vê por aí. Agora, é esses preços? 200 reais? Fala sério! Essa eu passo, Ana. Bjs

  11. Iara comentou:

    Achei a idéia excelente, não do ponto de vista comercial, mas do ponto de vista da história da moda.
    A curadoria da revista foi muito bem executada. Os vestidos refletem sim cada década que representam.
    Não sei se compraria, porque o que mais gostei, o dos anos 50, de fato é pouco usável e versátil…

  12. Lais comentou:

    Farei muitas audiências usando o vestido anos 50.
    O tecido é sintético, mas o corte e caimento são impecáveis.