{pensamento do dia} Qual é a moda que a gente quer consumir?

A Marcia, leitora do blog, deixou o link dessa entrevista pra eu ler durante o carnaval (obrigada!) e achei super pertinente trazer a discussão para cá. Elizabeth Cline, autora do livro Overdressed: The Shockingly High Cost of Cheap Fashion (que já tinham me indicado em outra postagem!) mostra um olhar sobre a indústria das fast fashions e o efeito dessa moda “mais em conta” no que compramos e no que vestimos, principalmente lá fora, em que essas lojas vendem roupa a preço de banana. Acho que aqui no Brasil também temos nossas alternativas mais em conta, mas os preços não chegam a ser tão baixos, o que nos força a ponderarmos um pouco mais na hora das compras.

Muitas vezes podemos pensar “Ah! Qual é, Ana, não sou rhyca, não posso consumir moda como gostaria, então não vem cortar meu barato com o que eu posso”, mas o buraco é mais embaixo, gente. Claro que às vezes aprender mais sobre como as coisas são feitas pode fazer a gente se sentir impotente, afinal, nós não temos controle sobre o que as empresas grandes fabricam ou importam. E assim vamos vendo os shoppings cheios de roupas genéricas, cópias uma das outras, com tecidos de baixa qualidade e marcas que acreditam que o ajuste não é importante. O importante não é apenas pensar daonde vem a roupa que a gente consome, mas o que consumimos e como o fazemos.

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Elizabeth Cline

Com novidades toda semana, a autora afirma que as grandes magazines se alimentam de consumidores que desconhecem seu próprio estilo. Ditam o que é moda a cada semana e numa velocidade absurda, como se devessemos devora-las ferozmente. Para que um blazer preto se podemos ter um azul, um verde, um rosa, um vinho, um branco, um estampado…? O que eu acho sobre se expressar através das roupas, condiz muito com o que a autora do post descreveu: é conhecer a si mesmo e seu estilo pessoal e saber que tipos de silhuetas, cores ou estampas que você gosta de vestir. Sabendo disso, naturalmente, a gente deixa de comprar coisas que só usamos ​​uma vez e ficam escondidas no fundo do closet. Pelo contrário, investimos em roupas que podem durar mais tempo no nosso armário, que podemos repetir a cada estação e transformá-la em um item durável, não em algo descartável.

A autora também menciona que saber costurar é uma ótima maneira de ter controle sobre nossos guarda-roupas. Não só podemos fazer peças únicas a partir do zero, como podemos alterar, customizar e reformar nossas roupas. Ela indica o quanto essa prática se perdeu ao longo dos anos. Quando sabemos costurar ou temos uma noção sobre costura, desenvolvemos um bom olho para a qualidade em vestuário ou quanto nosso guarda-roupa pode render. Prestamos mais atenção em acabamentos, valorizamos mais um bom corte e modelagem de uma roupa. Isso é essencial para ajudar a gente a fazer uma boa compra. Lembro que uma leitora comentou que não fazia sentido levar na costureira uma roupa de loja de departamento, já que o objetivo era pagar menos por ela. Mas que roupa veste igualmente cada mulher? Ajustes quase sempre são necessários e partir de uma base pronta é uma boa saída.

Pelo que eu li na entrevista, Elizabeth fala também sobre a ligação especial que temos com a roupa que temos feitas à mão e das histórias que acompanham esse momento. Roupas feitas por nós mesmas ou nossas mães ajudam a criar uma ligação afetiva maior? Que são mais fáceis da gente querer reaproveitar para vestir e usá-las por mais tempo. Vocês concordam com esse ponto ou cada vez menos temos essa percepção sobre saber costurar ou ter uma costureira que nos auxilie a montarmos um guarda-roupa inteligente e coeso? Eu não sei vocês, mas minha mãe tem tantas lembranças da minha vó fazendo vááárias roupas para as filhas e netas. Nossa correria do dia a dia justifica perdermos o valor pelo handmade?

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Não foi feito à mão, mas esse vestido Cantão que era da minha mãe em 1977 é uma relíquia que guardo desde sempre. Memória afetiva?

Outro pensamento é considerar o que vai acontecer com a roupa quando enjoamos dela ou não serve mais. Uma das ideias é justamente valorizarmos o ato da compra e pensarmos se aquela roupa se adapta ao nosso estilo, por quanto tempo vamos usá-la, se ela combina com outras peças que eu tenho, se ela se encaixa na minha vida real, na minha rotina. Essas perguntas ajudam a repensarmos o consumo, a necessidade da compra e, principalmente, a quantidade de resíduos que estamos colocando para o meio ambiente.

Achei todos esses pontos abordados uma forma muito importante para nos ajudar a repensar sobre moda e consumo. Aqui no blog sempre defendi a ideologia de preços acessíveis, moda possível para mulheres reais, mas essas considerações são essenciais na construção de um estilo inteligente, baseado não só no que queremos passar de imagem pro mundo e para os que nos cercam, quanto na identidade que queremos construir. Comprar por comprar só pelo preço é realmente saber valorizar o dinheiro? Ou investir em peças de qualidade (que também existem em fast fashions, vamos ser justos!), produtos nacionais (e não os “falso” importados, a maioria vinda da China e com preços finais que não são compatíveis à baixa qualidade) e que são ecologicamente responsáveis?

Qual é a moda que você quer consumir?

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Comentários pelo blog

49 comentários

  1. Iara comentou:

    Nossa, este vestido da mamãe é lindo, vc nunca usa??? Bem , estou super freiada quanto ao consumismo…fiz uma faxina em meu closed e doei 2 sacos de 100L de roupas que não usava(dei pra minha sobrinha), mas te juro cortou meu coração quando fiz as contas do que gastei!!!Tô com 39 anos e acho que fiquei mais exigente com roupas X gastos… Estou bem seletiva a tudo isso comparando muito preço com qualidade e corte, tenho uma tia costureira maravilhosa , ela realmente vê a roupa com outros olhos, e me dá dicas importantes!!!! Adorei a matéria de hoje, BJKAS!!!

    1. Ana Carolina respondeu Iara

      Oi Iara, já usei sim, aqui no blog apareceu umas 2 vezes! É sempre bom abrirmos mão e doarmos, além de repensarmos melhor nosso consumo. Tb tenho ficado mais seletiva aos 34 anos! Beijocas

  2. Anne comentou:

    Super concordo com tudo… Quando a gente conhece o corpo, o nosso estilo, o que cai bem e o que cai mal, a gente passa a comprar mt melhor. E conhecendo um pouco de modelagem, dá pra identificar melhor peças de qualidade e bem feitas. Post excelente, é sempre bom pensar um pouco no que estamos consumindo.

  3. Denise Pereira comentou:

    Nossa pertinente demais o texto!
    Tenho pensado muito sobre isso também, priorizando peças de brechó (mais em conta, boas peças e que diminuem os resíduos que produzimos) e tentando comprar peças que realmente me faltam e que eu usaria realmente…é um exercício difícil, vez em quando escorrego e compro algo não tão funcional pra minha vida…mas acho que é um aprendizado diário e que deve ser exercido…
    Beijos!

    1. Ana Carolina respondeu Denise Pereira

      Sim, o importante é ter essa consciência! 🙂 Bjs!

  4. Bel. comentou:

    É esse olhar ampliado que diferencia teu blog, Ana! Esse amplidão nos induz a nos rever e a querer transformar nossos conceitos e nossas ações! Amante da moda como sou, amante de figurinos e cenários como sou …. Aprendo a investigar que nem todo poliéster é ruim. Que existem técnicas que o suavizam e tornam as peças mais leves, com melhor caimento e possibilidade de respirar. Aprendo a investir ainda mais no meu auto-conhecimento e na minha personalidade. Que saia longa me alonga! Que posso usar saruel assim como posso vestir uma legging sem sair de dentro de mim!
    Adorei o texto que te inspirou e sustentou esse teu!
    Esse vestido … É mais que relíquia …. Pode ser uma amuleto da sorte, isso sim! Roupas assim tem energia, tem história e por isso tem alma!
    Agradeço tu e tua turma daqui por me fazer pensar, exercitar e querer …..
    Beijos,

    Bel

    1. Ana Carolina respondeu Bel.

      Bel, querida! Que bom poder trazer sempre algo de bom pra vc. Beijo enorme!

  5. Mildinha comentou:

    Ana, também gostei muito do texto..Eu amo comprar,mas sempre tenho muita consciência de não comprar por comprar, só porque está usando, ou porque todo mundo está achando bonito. Tenho consciência do que me cai bem, e se dizem que tal coisa não vai usar mais semana que vem, se me favorece, continuo usando..E continue mesmo com esse olhar ampliado, como dito acima, porque isso faz o seu blog nosso favorito..!
    bjos

  6. Florinda comentou:

    Muito bom o texto! E impressionante a pessima qualidade de algumas roupas vendidas no Brasil – tanto tecido como acabamento – e, nao apenas em fast fashion. Tem muita loja de marca vendendo poliester a preços absurdos! De certa forma, nos consumidoras somos responsaveis….e so nao comprar e deixar encalhar!!!! La fora os preços sao,em geral, maiscamaradas e a qualidade – nao raro- melhor! Bjs.

    1. Ana Carolina respondeu Florinda

      Sim, lojas de marcas estão cada vez mais distantes do artesanal, da boa qualidade…uma pena. Estou bem seletiva quanto a isso. Beijão

  7. Isa comentou:

    Que post lindo, Ana! Por essas e outras que esse é meu blog de moda preferido: a maioria dos demais são blogs de consumo e esse é de reflexão. Obrigada por posts como esse! Tenho que confessar que sou meio pão-dura quando se trata de valor de roupas. Mas sempre temos que nos lembrar que há baratos que se tornam caros, de alguma forma ou pra alguém. Se as roupas são muito baratas, como a empresa mantém sua margem de lucro? Provavelmente em cima dos trabalhadores (vide os escândalos de mão de obra escrava da Zara, Marisa e outras). Minha posição pessoal é boicotar essas marcas, mesmo que para isso tenha que garimpar mais por roupas acessíveis. Acho que uma pechincha não vale o fim do bem estar de outro ser humano. 
    Outra coisa é que hoje em dia já estou consciente do meu estilo e levo modelagem e acabamento muito a sério. Comecei a costurar há uns 3 anos e claro que no cotidiano nem sempre tenho tempo ou paciência. Fazer uma peça bem cortada e acabada demora e requer paciência. Mas dizer que sua saia preferida foi você que fez, assim como seus vestidos, realmente é uma sensação ótima. Fora a praticidade de sempre poder fazer as barras de suas calças e ajustes de blusas, etc. Minha pilha de roupas que eu olho e resolvo alterar nunca baixa, incluindo camisas e camisetas do marido que remodelo pra mim hahahah O próximo passo seria diminuir o consumo, tentar passar X período sem comprar, mas nesse sentido ainda tenho dificuldade…

    1. Martha respondeu Isa

      Excelente posicionamento! Assim como foi excelente e muito pertinente o post.
      Muito importante sabermos a procedência do que consumimos.
      O trabalho escravo e a exploração do trabalhador são realidades, não devemos fechar os nossos olhos!

    2. Lica respondeu Isa

      Eu também faço umas coisinhas Isa e o melhor mesmo é que podemos comprar tecidos de excelente qualidade, já que vamos economizar na mão de obra e nosso acabamento fica impecável (quase…rs) né?!
      Fiz uma saia de linho super bom e ficou no mesmo preço, 70,00, da saia que comprei e copiei o modelo, aquela curta da dress to para Cea que usarei com regata de “seda” que paguei 20,00 no tecido…no mesmo modelo fiz ainda uma de sarja com strech, 20,00…e por aí vai.
      Mas como é hobby só faço coisas fáceis.
      Para quem tem habilidade manual vale muito a pena ter uma máquina, pelo menos para ajustes e reformas.
      E as que faço não acabam já que os tecidos são bons.
      Beijos.

      1. Lica respondeu Lica

        Ah…até bolsa de nobuck com taxas já fiz Ana, suuuuper exclusiva e que ficou em 25,00 o material.
        Tenho muita coisa off, no preço, feita pelas minhas mãos, mas de muita qualidade.
        E a economia nos ajustes das compradas…nem vou falar dos valores…

        1. Ana Carolina respondeu Lica

          Lica, que máximo! É uma boa economia mesmo. Que legal!

      2. Martha respondeu Lica

        Bacana, Lica, minha mãe também tem máquina e faz ajustes e coisas simples. Ajuda, sim, e muito!
        Inclusive a escolher melhor na hora de fazermos nossas comprinhas, aprendemos muito sobre tecidos, acabamentos, o que é realmente “barato”, enfim…. recomendo 1000 x.

    3. Ana Carolina respondeu Isa

      Isa, justamente. A gente não pode sair comprando nessas lojas e achar que está tudo ótimo, sabendo que tem seres humanos escravizados, em condições sub-humanas, precárias, ganhando centavos por peça de roupa…meu desejo por estar “na moda” não poder ser superior ao meu sentimento, ao que eu acredito!

      A vontade era jogar uma bomba nessa Zara, mas enfim…

      O que eu acho é que cada vez mais as pessoas querem o bom preço justamente por nosso salário não acompanhar a inflação, mas não podemos fingir que isso não existe, comprar sabendo que aquilo custou a dignidade de alguém. De coração, to mais atenta a isso e preferindo gastar mais em lojas que eu sei (ou tento saber) de onde vem as roupas!

      Beijos

  8. Adorei o texto especialmente porque sempre costurei e meu blog incentiva a moda criativa, feita em casa. Comprar com bom senso e usar com elegância e criatividade torna a vida bem melhor.

    Parabéns!

    1. Ana Carolina respondeu Limara Lis

      Que bacana, Limara! <3

  9. Andreia comentou:

    Ana!

    Acompanho seu blog há anos e adoro!

    Essa questão de consumo de moda para mim é muito intrigante. Sou uma mulher que não gosta de comprar roupas porque não sabe comprar! Porém és ano resolvi aprender e o maior desafio é criar um closet inteligente. Quero ter roupas que conversem entre si e não ficar fazendo malabarismos com modelos e fórmulas prontas! Nossa, como isso é difícil! Já pensei em contratar uma consultoria, acho esse trabalho super justo para quem realmente precisa, mas que mundo é esse em que não conseguimos escolher nós mesmos as nossas roupas?

    Bom, continuo na minha busca, separando referencias e testando o que fica bom ou não em mim, como sou super básica, sempre fico com medo de ficar sem graça, mas vou tentando e aprendendo a cada dia!

    Porque é tão difícil?

    Bjs

    1. Martha respondeu Andreia

      Andreia, já q vc é básica, comece a “inventar” com acessórios!
      Aproveite as últimas liquis (em julho/agosto tem mais \o/) e comece a olhar lenços, bolsas, sapatos e cintinhos coloridos e diferentes…
      Eu comecei assim também…
      Outra coisa: faça uma listinha dos básicos q vc ainda não tem e ande com ela na carteira – pra não comprar bobagens.

    2. Ana Carolina respondeu Andreia

      Oi Andreia! A Martha mandou bem nos conselhos. Olha, é difícil mesmo, por isso existem os profissionais de consultoria, para orientar, mostrar possibilidades e, principalmente, fazer a pessoa perceber melhor seu estilo e tipo físico e aprender sozinha a pescar! 🙂

      Mas vc está no caminho certo: testar novas possibilidades, buscar peças coordenáveis entre si, pensar antes de comprar. Arrisque que sabe uma bolsa, colar ou sapato coloridinhos/estampados! Depois um lenço…uma blusa estampada em uma produção mais básica…e assim a gente começa a brincar com nossas roupas! 🙂

      Beijão enorme!

  10. Adriana comentou:

    Ana, que post ótimo para a segunda-feira!
    Extremamente pertinente!

    Sabe, no meu armário, tem de tudo. Roupas mais caras e mais baratas. Em geral, eu prefiro investir em peças atemporais. Quando são roupas para o dia a dia (daquelas que de tempos em tempos precisamos substituir) ou com “prazo de validade”, ainda que um dia voltem à tona, eu não tenho coragem de gastar muito dinheiro, não. E isso também vale para sapatos, bolsas e acessórios.

    Tenho a impressão de que muita gente se perdeu no meio do caminho da moda. Compram por ser “tendência”, compram por ser de determinada marca, compram porque, sabe-se lá Deus o motivo, acham que pre.ci.sam comprar.

    Um dos meus “mantras” dentro das lojas é: “essa peça vale o preço”?

    Beijos, Ana! Obrigada pelo post!

    1. Ana Carolina respondeu Adriana

      Pois é…vejo as pessoas comprando algumas coisas e me pergunto se tem realmente a ver com o estilo delas. E não olham preço, qualidade, acabamento, nada. Apenas a marca. Uma pena.

      Beijão!

  11. Marcia comentou:

    Que legal, Ana!
    Obrigada por compartilhar suas ideias!
    Beijo!

    1. Ana Carolina respondeu Marcia

      Eu que agradeço o link, querida!

  12. Ana Flávia comentou:

    Oi Ana! ótimo post, bem reflexivo!
    Eu tenho essa noção bem boa já, faço faxina no guarda roupa de 3 em 3 meses em SEMPRE tem uma peça para doar/vender. E quando compro, tento frear bastante! Até porque sempre acho que roupa está custando muito mais do que realmente vale, tanto em lojas de departamento, quanto em lojas de marca. Percebi isso quando mandei fazer algumas peças na costureira…. uma ótima peça, custa menos da metade do preço de uma identica em qualquer loja, isso me fez refletir!!!

    Beijos

    1. Ana Carolina respondeu Ana Flávia

      Estou doida para colocar em prática minhas ideias com a costureira! 🙂

  13. Lais comentou:

    Às vezes fico um pouco reticente com algumas colocações sobre investir em “peças de qualidade” em detrimento de peças baratinhas. Isso pq para a grande maioria das pessoas comprar em loja de departamento é a única opção possível, já que os preços aqui (como a Ana mesmo colocou) não são dos mais baratos. É claro que uma camisa de seda é mais durável, talvez mais bonita, e rende um tanto mais que quatro blusinhas mais baratas. Mas o que fazer quando você precisa de quatro blusinhas? O que às vezes se desconsidera é que nem sempre o consumo é consumismo, mas se dá por necessidade também. Pra quem tem um guarda-roupa recheado faz muito sentido trocar quatro blusinhas por uma blusa apaixonante, com história, que pode render um bocado. Só que pra muita gente isso não é possível, não por falta de reflexão, mas por restrições financeiras mesmo. É aí que acho que a costura entra na nossa vida…

    Antigamente era super comum ter uma máquina de costura em casa e saber costurar o básico. Foi assim com minha avó e agora com minha mãe, que resolveu resgatar o hábito para ocupar a cabeça mesmo. Daí a gente começa a dar valor ao trabalho de todas as senhoras (e senhores) costureiras, começa a pensar no quanto realmente vale uma roupa com mais detalhes, no quanto se gasta de tempo de trabalho. Mas e aí, quando ainda assim não podemos pagar o que pagaríamos com amor por um trabalho bem feito? Particularmente ainda sou adepta dos achados, de calças jeans de R$39,90 e blusas de tecido no lugar de blusas de malha, e dessas promoções que as lojas de departamento podem fazer pq diluem o custo por muitas vendas. Mas as lições da costura estão sempre por ali ajudando na hora de escolher, quando a gente sabe que uma blusa de tecido plano dura muito muito muito mais que uma de malha, que se o tecido for sintético a gente vai derreter no Rio. E enfim, pode exercitar um olhar sobre a qualidade mesmo diante dos achados…

    1. Ana Carolina respondeu Lais

      Lais, super pertinente sua observação. Vou usar meu caso como exemplo: meu guarda-roupa não tinha coisa bacana…a maioria eram umas coisas q eu comprava muito loucas, as boas minha mãe doava pra mim. Aos poucos fui aperfeiçoando meu estilo, percebendo o que eu queria vestir no futuro e colocando aquilo como meta. Comprava uma peça num mês, dois meses depois eu comprava outra…no meio do caminho comprava uma ou outra pra “bater”. E assim cheguei num nível que estou bem satisfeita com meu guarda-roupa e com a construção do meu estilo!

      Poucas pessoas tem tutu no banco pra montar um guarda-roupa novo todo mês. Por isso entra aí a questão de investir em peças melhores – uma pelo valor de duas, mas essa pode ser a peça que vai ajudar a multiplicar suas possibilidades de looks!

      E, bingo, é isso mesmo: quem ao menos tem ideia do valor de uma roupa bem-feita, com modelagem e acabamentos bons, percebe isso nos achados e compra em lojas de departamento roupas que também vão multiplicar nosso guarda-roupa!

      Beijão

  14. Rose comentou:

    Ana amei a matéria acho que realmente temos que fazer compras consciente e muitas vezes eu procuro a costureira por não encontra aquele vestido lindo no meu tamanho, seu look esta lindo o vestido é uma graça use mais vezes um xeru da Rose…

  15. Lembro de uma propaganda q dizia: “5 entre 10 mulheres elegantes mandam fazer suas roupas”! Claro, q era propaganda antiga de loja de tecidos, mas ainda acho q roupa ideal com um ótimo acabamento, e sob medida é tudo! Mas vamos combinar? Tá tenso encontrar uma boa costureira!

    Bjoks

    1. Ana Carolina respondeu Mell Nasgon

      Tá mesmo…uma pena que essa arte se perdeu! O fast tomou conta de tudo… 🙁

  16. Bia comentou:

    Concordo em partes com a Laís. Quando já se tem tudo, pode-se dar ao luxo de comprar algo caro e de maior qualidade ou algo diferente.

    É muito fácil agora que tenho um guarda roupa repleto, investir em uma blusa de qualidade e cara ou um sapato diferente com uma cor inusitada, por exemplo. Mas antigamente não era assim, comprei muita blusinha barata em supermercado, em loja de departamento (acho um pouco ridículo usar a expressão fast fashion), loja mufufão (aquelas que botam os cestos de roupa na porta e a gente tem que ficar garimpando estampa e tamanho), entre outros. Eu precisava me vestir todo dia, então não dava para ter uma camisa de 50 reais, era preciso ter 5 de 10 reais. Do que me adiantava ter um sapato de couro de 50 reais, era melhor ter 2 de plástico por 25. É o consumismo por necessidade, mesmo sabendo que aquilo talvez não vá durar tanto, você precisa se vestir o mês todo e não dá para usar a mesma blusa ou o mesmo sapato 30 dias seguidos.Saber o seu estilo e o que lhe cai bem é básico, mas só é indispensável quando a gente pode pagar por isso.

    Agora, realmente, quantos de nós tem condição de costurar sua própria roupa ou ter um costureiro para fazer uma roupa ou ajustar uma roupa que compramos? Se você tem alguém da família ou um conhecido para fazer isso a preço camarada, beleza. Mas se for para contratar alguém, quanto vai custar? Nem para fazer bainha de calça jeans dá para fazer barato. Ai é jogar na balança: a roupa que comprou vale, pelo preço e material dela, que você pague ainda mais para ser ajustada ?

    Para mim, a única coisa realmente relevante do discurso da autora é a questão de ponderar na hora de comprar. E na minha visão o ponto de partida (para aqueles que já tem um guardar-roupa completo) é se perguntar: Eu REALMENTE preciso disso? E a partir dai avaliar se a peça é de boa qualidade, se é bem feita, se é do seu estilo e se tem um preço justo. Consumo Consciente.

    Aff, comentário grande, desculpe. E olha que fui sucinta até demais…

    1. Ana Carolina respondeu Bia

      Oi Bia, vamos lá:

      Assim como vc, passei boa parte da vida garimpando em baciadas e lojas de departamento para poder me vestir. Mas vou te dizer, sempre garimpei também em lojas de marca e de estilistas – já encontrei achados nesses lugares com preços dignos de C&A. Na época eu era uma ferrada de grana, haha, mas sempre amei moda e boa modelagem, então quando encontrava um body do Jum Nakao por 49 reais, dividia em duas vezes e passava o mês levando marmita pra faculdade. Parece um sacrifício estúpido, mas a gente se sacrifica pelas coisas que ama e acredita. E entre dar 39 reais num vestido da C&A e 49 naquele body, fiz minha escolha. E tenho esse body até hoje, há uns 12 anos já!

      O consumo por necessidade também pode nos levar a garimpar em brechó – onde um sapato de couro custa 15 reais. São apenas possibilidades e cada pessoa enxerga sobre um prisma e percebe ao longo do tempo o que lheé mais vantajoso.

      Para mim sempre foi jogo ajustar minhas roupas. Sempre fiz isso pq antigamente era magérrima, manequim 34 e era uma droga encontrar roupas que vestissem direitinho. Assim como muitas mulheres que tem dificuldade de comprar roupa e deixam de comprar roupas bacanas pra elas pq não sabem que esse recurso pode ajudá-las! Mulheres de cintura fina e quadril largo, por ex., um tipo físico difícil de encontrar calças que vistam perfeitamente e por preços justos.

      Beijos

  17. tatiana gonzalez comentou:

    Minha mãe costurou quase todas as peças que usei na infância e só fui comprar camisas em lojas quando ela já não tinha mais ombros pra costurar (ela tricotou e costurou demais quando ainda não tinhamos a cultura da boa postura, da cadeira correta, etc etc). Aprendi e sigo aprendendo com ela, mas infelizmente não tenho a mesma paciência pra fazer um acabamento perfeito (pq mãe sempre faz perfeito!).

    Hoje minhas amiga invejam isso – consigo arrumar minhas próprias roupas, faço bainhas de calças para elas e ainda tenho um olho mais treinado para o quanto vale um bom corte e um bom tecido. Acho que, assim como cozinhar em casa já não é mais tão comum, costurar muito menos: tá ai duas coisas que, bem aprendidas, nos salvam de dois males do mundo moderno – a comida rápida, não nutritiva e artificial e a escravidão da moda rápida “não personalizada” e… Claro, também artificial.
    As roupas que mais gosto no meu guarda roupa são algumas que minha mãe fez e uma ou outra feita por mim. Um bom algodão, um ajuste no nosso corpo, são coisas que não tem preço. E fazem peças que não vão para o fundo do armário nunca.

    Tenho percebido mais e mais cursos de costura – mas as lojas de tecidos, pelo menos em Porto Alegre, não acompanham isso. Muita malha, pouca seda, pouca viscose. Se é pra costurar, tem que ser com bom tecido. Outra coisa que não acompanha são as revistas. Tenho Manequins dos anos 80 na casa da minha mãe que ainda rendem bons moldes de vestidos e camisas, acreditam?

    Viu, Ana, me fez viajar nas idéias no meio do carnaval! E é por isso que venho no teu blog: me faz sentir que não preciso ter o short que todas tem se não tenho onde usá-lo ou idade pra isso. É só moda. E é bom, mas só quando nos faz sentir bem 😉

    1. Ana Carolina respondeu tatiana gonzalez

      Tatiana, que história linda a da sua mãe. me arrependo de não ter sido paciente e aprendido alguma coisa com a minha vó, mas percebo que trabalhos manuais não são meu perfil, rs. E que aprendi com ela a valorizar sim um bom corte, uma boa roupa, um bom tecido.

      Cada vez mais as pessoas se contentam com coisas ruins e estão empurrando isso pra gente. Uma pena.

      Fico feliz por ter feito o bichinho carpinteiro despertar em vc! 🙂 E amei sua frase final!

      Beijos!

  18. marlyane comentou:

    Querida Ana enquantoa a maioria das mulheres estão em contenção de gastos com roupas e afins eu percebo de estar necessitada em gastar com o mesmo mas sem saber como começar. Acabei de completar 33 anos e observando meu armário percebi de boas parte das minhas peças pertencerem ao armário de trabalho e elas já estarem pedindo aposentadoria e o restante pertencerem a uma garota de 23 anos a qual a muito deixei de ser. Estou definitivamente sem roupa e não sei o que comprar. Assinei uma revista de moda (Estilo ed Abril) e mesmo achando alguns looks lindos não sei como adaptá-los ao clima a qual vivo e ao trabalho a qual exerço sem contar na dificuldade em encontrar algumas peças nas lojas disponíveis. Tenho uma amiga que é danada para achar peças bonitas em lojas populares e na feirinha que ocorre por aqui até já estive nelas mas olho olho e não vejo nada e quando encontro acho o preço exorbitante para o material da peça e o fato de ela ser de feira. E fico sem saber como renovar o meu armàrio o que vc indica?

    1. respondeu marlyane

      Desculpe a intromissão, Marylane, é que a sua situação é típica de quem precisa de uma consultoria de estilo. A profissional ajudará você em todas essas dúvidas e dará orientação para você ser feliz com seu guarda-roupa.

      Trabalho com venda de cosméticos mas também com consultoria de estilo.

      Bjs e boa sorte! 😉

  19. Ana, AMEI o texto!
    São por esses motivos que resolvi ficar 2013 inteiro sem comprar NADA, nem roupas, nem sapatos, nem acessórios!
    Com tanta oferta, novidade, e aquela palavrinha mágica chamada “promoção”, a gente vai acumulando milhões de coisas que não precisamos de fato.
    E vivemos numa sociedade que estimula o consumo o tempo todo! A começar pelos blogs de moda…
    Então, meu objetivo é usar a criatividade usando as peças que eu já tenho, customizando outras e refletindo sobre moda. Estou fotografando diariamente meus looks pra perceber o que dá certo ou não, além de exercitar a montagem de produções diferentes.
    E isso já tá trazendo ótimos benefícios: tenho pensado mais sobre o que vestir e, o principal, já vejo diferenças na conta no fim do mês!
    Enfim, acho essa reflexão super necessária!
    Beijos
    http://talitascoralick.blogspot.com.br/

  20. Dayana comentou:

    Poxa, muito legal essa discussão, Ana!
    Eu mesma tenho andado mais seletiva quando o assunto é “compras”. Vejo antes se combina com meu estilo, se é coordenável com o que tenho no guarda-roupa e desisto de uma peça “bonitinha”, mas sem bom acabamento mais fácil do que antes. Assim, tenho economizado e valorizado meu dinheiro muito mais. Além de ficar mais satisfeita com as minhas comprinhas, quando as faço.

    Quanto às coisas handmade, super adoro! Acho melhor que usar algo de marca, porque é exclusivamente meu, uma marca só minha. Esses dias até postei no meu blog um vestidinho feito pela mamãe (http://www.mocinhasofisticada.com.br/2013/02/panama-dia-5.html). Tenho há bastante tempo, mas amo tanto, que não me desfaço dele.

    Mais uma vez, maravilhosa discussão! Parabéns!

  21. Gisele comentou:

    Oi Ana!

    Li muitos comentários ‘ode as costureiras’, porém não acredito que seja uma simples escolha de praticidade ou massificação da moda contra a arte da roupa sob medida…

    Talvez essa tenha sido uma transição natural, diretamente ligada ao processo de usar uma costureira, já que você só verá a sua “peça desejo” em algumas semanas. Temos que comprar o tecido, explicar muito bem explicadinho o que queremos, voltar ao menos uma vez para a ‘prova’ da roupa e aí sim temos a peça pronta (total de 3 encontros)… será mesmo que a mulher de hoje tem o mesmo tempo/prioridade da mulher da década de 60, 70? Diria que não… É quase feio admitir que usamos moda “fast fashion” “de departamento” “descartável”, mas o que vale mais: glamour do exclusivo ou um look prontinho no cabide? E quanto custa o seu tempo? O meu vale muito (ou pelo menos gosto de pensar que sim rsrs). Isso também deve entrar na conta, não?

    Execelente discussão! É por isso que entro nesse blog diariamente 😉

    1. Ana Carolina respondeu Gisele

      Também acho, Gi! Tem razão, se podemos ter algo na hora, pra que inventar de mandar fazer? Muitas mulheres estão pensando mais nessa praticidade.

  22. Paula comentou:

    Aninha, adorei o post! Simplesmente perfeito!!!!
    Estou vivendo uma nova fase em minha vida, revendo meu estilo e buscando peças com maior qualidade e durabilidade. Claro, sem precisar gastar rios de $$$$.
    Ah, uma coisa que faço muito, é modificar as peças compradas… quando posso dar uma melhoradinha, faço algumas alterações e pronto! Ou pego aquela peça antiguinha, e customizo para continuar usando de uma maneira diferente.
    Inclusive, tenho peças que um dia foram de inverno, e hoje são de verão! Tudo pra não abrir mão daquele produto de qualidade.
    Beijos,
    Paula.

    http://www.gedegenesia.com

  23. Andressa comentou:

    Ana, sigo seu blog e adoro e como você é uma formadora de opinião acho que também podia espalhar a mensagem sobre responsabilidade social sobre os produtos que consumimos. Você sabia que a indústria da moda é uma das maiores utilizadoras de trabalho escravo no mundo? então, “O importante não é apenas pensar da onde vem a roupa que a gente consome, mas o que consumimos e como o fazemos.”, só que com outro foco também, por exemplo: como estas roupas conseguem ser tão baratas? alguém para por isto e, se continuar a demanda por estas roupas o ciclo de trabalho escravo nunca vai ter fim, mesmo que você prefira saber que ele existe.
    hoje mesmo recebi uma notícia sobre trabalho escravo para a Les Lis Blanc! pasmen, e eles ainda tem a cara de pau de cobrar os preços que cobram. segue link para a resportagem e fica a dica para uma matéria sobre consumo consciente. bjo!

    Roupas da Le Lis Blanc são fabricadas com escravidão
    Fiscalização resgata 28 pessoas, incluindo uma adolescente de 16 anos. Costureiros vítimas de tráfico de pessoas viviam em condições degradantes e cumpriam jornadas exaustivas

    http://reporterbrasil.org.br/2013/07/roupas-da-le-lis-blanc-sao-fabricadas-com-escravidao/

  24. Andressa comentou:

    segue texto com algumas correções:

    Andressa
    30/07/2013 11:11

    Ana, sigo seu blog e adoro e como você é uma formadora de opinião acho que também podia espalhar a mensagem sobre responsabilidade social sobre os produtos que consumimos. Você sabia que a indústria da moda é uma das maiores utilizadoras de trabalho escravo no mundo? então, “O importante não é apenas pensar da onde vem a roupa que a gente consome, mas o que consumimos e como o fazemos.”, só que com outro foco também, por exemplo: como estas roupas conseguem ser tão baratas? alguém paga por isto (com trabalho escravo) e, se continuar a demanda por estas roupas o ciclo de trabalho escravo nunca vai ter fim, mesmo que você prefira não saber que ele existe.
    hoje mesmo recebi uma notícia sobre trabalho escravo para a Les Lis Blanc! pasmen, e eles ainda tem a cara de pau de cobrar os preços que cobram. segue link para a resportagem e fica a dica para uma matéria sobre consumo consciente. bjo!

    Roupas da Le Lis Blanc são fabricadas com escravidão
    Fiscalização resgata 28 pessoas, incluindo uma adolescente de 16 anos. Costureiros vítimas de tráfico de pessoas viviam em condições degradantes e cumpriam jornadas exaustivas

    http://reporterbrasil.org.br/2013/07/roupas-da-le-lis-blanc-sao-fabricadas-com-escravidao/

  25. Bruna comentou:

    Ana, que post sensacional. Acho que a cada dia tenho me tornado mais consciente em relação às minhas compras. Eu, particularmente, mando fazer muita roupa! Tenho uma costureira há anos e ela sempre faz peças pra mim. O bacana é que ela ja conhece meu estilo, meu biotipo e tudo o mais e sabe o que me favorece ou não.

    Beijo!

    1. Ana Carolina respondeu Bruna

      que bacana, Bruna! É esse o pensamente que devemos ter 🙂