27 abr 2016

Assim que cheguei à loja e fui reconhecida por algumas leitoras, eu perguntei a elas:

– Você veio para ver o que, exatamente? Algo que quisesse muito?

– Ah, eu vim por curiosidade

– É a segunda loja que eu venho, minha filha adorou a estampa de gatinha

Perguntei porque eu estava realmente curiosa para saber a motivação de compras, especialmente em coleções como essas, de nenhuma marca específica, mas de um estilista de uma maison.

Sondei depois a moça que era responsável pela parte da coleção e ela acredita que as pessoas estejam procurando mais por ser uma coleção de tons bem clássicos (cinza, muito preto e branco e algumas pitadas de pink e amarelo) e peças mais usáveis pro dia a dia, como tweed e alfaiataria, além dos acessórios pra celular, cadernetas e bolsas, que chamaram bastante atenção por serem produtos diferentes do que vemos nas lojas.

Soube que a loja do Centro abriu excepcionalmente às 7h e até o sistema caiu por conta das compras (!!!!!), com as bolsas voando em segundos das prateleiras. A estratégia de abrirem antes do horário da galera entrar no trabalho foi uma boa sacada.

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Vamos ao que eu achei provando e vendo tudo de perto: esse look eu amei. Adorei tudo nele, mas somando todas as peças (189,90 da saia, 119,90 da blusa e 350,00 do smoking), daria mais de R$660 reais. Meio demais, não?

O PU da saia era bem gostosinho e grosso, ela vestiu super bem. O smoking era a melhor peça, super bem acabado, com bom caimento, mais ajustado e acinturado, um tecido com toque bom (era poliéster com mistura, não era de veludo), mas também a roupa mais cara, R$350,00.

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Eu morri de raiva porque adorei a modelagem e estampa pied-karl dessas blusas mas não tive coragem de pagar 120 reais num poliéster desses bem Aliexpress. Fiquei com ela na mão pensando, mas desisti, quase não vou usar, eu sinto muito calor e o tecido era chinfrim.

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E numa delas o tule já estava com fio puxado.

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As camisetas estavam enormes, essa preta foi a única que seguiu o padrão, eram 100% algodão e feitas da fábrica da Riachuelo, a Guararapes, custavam 60 reais, mas assim…nada demais.

As calças estavam com a numeração MUITO MUITO MUITO pequena! Normalmente visto 38, no caso dessa nem a 40 fechou e eu sofri pra vesti-la! E essa blusa do lado, com as letras do nome do Karl, além do super sintético, não lembra demais a estampa da coleção do Herchcovitch para C&A?

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Vamos às bolsas? Acho que na verdade elas foram as grandes vedetes, tinham esses modelos, as clutches e umas mini bolsinhas box. Os preços variavam entre 99,00 e 350 reais, eram de material sintético (aprendi aqui que agradam em cheio quem não consome couro =)) e eram interessantes, mas achei que poderiam ser mais estruturadas, não sei.

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Todas as peças tinham algum detalhe ou bordado com a silhueta do alemão, essa jaquetinha tweed fazia conjunto com a saia, e é uma alusão a um clássico da maison chanel, hehe. Mas achei a trama um pouco áspera, não valia, não. E é um item que vemos em várias coleções especiais.

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A jaqueta imitando couro ficou ótima também, achei linda. Já a jaqueta tweed não curti não, achei o material com uma qualidade inferior.

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Outra camiseta, como só tinha M, ficou meio folgada (as camisetas estavam enormes!), e uma saia de material brilhoso, que não lembro direito minha opinião sobre, rs!

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E um macacão que encontrei ali no meio, mas vestiu tão, mas tãooooo mal, que não tinha como defender, hahahah!

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A calça alfaiataria era tam 40 e ficou bem apertada também.

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Bom, eu continuei curiosa sobre a ida das pessoas às lojas, se elas conseguiram o que queriam, se gostaram do que viram. Eu me decepcionei com a quantidade de poliéster nas camisas e blusas (o que limita demais o uso aqui no Rio) e com essa numeração errada das calças, onde um tam 42 na verdade era um 38 e algumas coisas que na verdade eram mais do mesmo do que já vemos por aí. Não justificava fazer plantão em loja.

update: não me aguentei e tive que atualizar esse post. Mr Karl deve estar rindo um tantão da gente. Acho que ele nunca deve ter ganhado um dindin fácil com o mínimo esforço como com essa parceria meia boca… =( E sobre essa coleção eu já tinha opinado nesse post.

  • 18 Amaram
25 abr 2016

Antes que alguém me pergunte “Ô, Ana! Encontrou a sua espadrille?”, preciso me defender e dizer que nem tive tempo de procurá-la nesse último mês, com mudança, trabalho e viagens, tudo embolado. Eita ano que começou atribulado, mas não posso me queixar. =)

Mas fato é que com essa ausência de outono e o calor insistente e desesperador me fazem perceber que não adianta mais olhar com amor para sapatos de inverno. Já era, aquecimento global veio pra ficar e a espadrille será um melhor investimento para ficar anos e anos com os pés fresquinhos. Só que sonhar não custa nada e eu preciso dividir com vocês uma dessas paixonites platônicas <3

Tudo começou em BH, quando cheguei pra dar o workshop e a Tati, da Adô, estava com um vestidinho xadrez e um oxford plataforma com meia preta. Ficou tudo tão lindinho e suave – numa descrição que remete logo a um visual bruto, né não? – que eu, que já não amo um sapato pesado e fora do comum, imagina, fotografei mentalmente e salvei no mural do pinterest do meu coração, hahaha!

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Aí chegando de alguma viagem (ui, que requisitada, kkkk), no banheiro do aeroporto Santos Dumont, eu vi uma moça também com um desses, só que rosa clarinho, coordenado com jeans e camisa branca. Ficou tudo tão básico com aquele toquezinho moderno que eu pinnei mentalmente esse também, HAHAHA!

Esses oxfords de solado grossão, tratorado, bem altos, foram vistos primeiro (eu acho, me corrijam se eu estiver errada), por Stella McCartney, que os batizou de Britt Shoes e em seu site têm de várias cores, custando a bagatela de 1.100 dólares, hehe!

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Sinceramente não sei se eu conseguiria saracotear por aí de metrô com essas toras nos pés, acredito que o risco de tropeçar numa pedra portuguesa e cair seja alto, mas, vá lá, vamos ponderar reservá-lo para os momentos off labuta. Confesso que não resisto a sapatos pesados e diferentes, bem arquitetônicos, ainda mais os de inspiração masculina, mas adoraria encontrar um desses numa liquidação ou bazar para não ter que gastar tanto em algo que usarei ocasionalmente.

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No Pinterest mesmo não avistei muitos outfits com as versões avantajadas do nosso velho conhecido oxford – modelito, aliás, que eu fui apaixonada quando surgiu pra valer aqui no Brasil, em 2011, e ainda uso os que comprei naquela época até hoje.

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A belezinha prateada e estrelada da Stella, monstrinho amado <3

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Fiz uma busca rápida para ver se avistava algum primo nacional e só encontrei a versão carioca (ou seja, menos bruta e mais clarinha) de palha na Farm, por módicos R$398, uma pechincha. Achei essa versão mais usável e mais comercial para aceitação das brasileiras e adaptado ao nosso clima, só que não rola gastar isso tudo.

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Além da Farm, avistei o modelito nos moldes da gringa na Zara, mas quero evitar compras por lá, por isso aguardo, num inverno próximo, que as marcas comecem a desenvolver a sua versão do sapato.

Eu sei que a maioria deve estar fazendo todas as caretas do mundo lendo esse post, hahaha, não é um sapato, digamos, com muito apelo aqui, mas a galerinha mais alternativa vai me compreender e me apoiar!

Vocês usariam ou não passariam nem perto da versão light dele?

  • 28 Amaram
22 abr 2016

Estava voltando de uma reunião quando dei de cara com essa vitrine da Riachuelo com uma prévia da coleção do Karl Lagerfeld, que chega às lojas (acho que algumas, não todas, mas não tenho essa informação) dia 27/04, logo após o desfile na SPFW.

Como sempre, gostaria de tecer alguns comentários sobre o que venho acompanhando ao longo desses anos de coleções especiais em fast fashions e minha participação provando e dando minhas impressões.

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Na última que resenhei, do Alexandre Herchcovitch para C&A, uma leitora comentou na postagem do facebook que pelo visto eu não devia ter gostado, já que nunca gosto de nada. Eu tomei como elogio :).

Todas impressões vêm sempre acompanhadas de comentários como esses porque pode ser difícil para algumas pessoas perceberem o por quê de algumas críticas. Não vou na loja mal humorada escrever sobre, até porque ninguém bota uma arma na minha cabeça e me obriga, haha, mas por considerar importante revermos algumas posturas nossas ao comprarmos e analisarmos se essa moda que nos apresentam e vendem como “democrática”, o é, realmente. Algumas eu aplaudo, como da Andrea Marques, Blue Man e as duas da Maria Filó, mas viraram exceção.

Recebi um email da Nathalia Barbosa recentemente, onde ela relatava, indignada, da C&A do Méier, zona norte carioca, não receber as coleções especiais por uma estratégia da marca, subestimando seu público por bairro. Segundo suas palavras: “Sei que isso ocorre, que existe obviamente uma questão de venda e de posicionamento da marca mas essa distinção absurda não faz muito sentido visto o processo de gentrificação que ocorre na cidade do Rio de Janeiro.”

Há tempos escrevendo e sendo bem repetitiva sobre péssima qualidade, modelos idênticos aos que encontramos no Aliexpress sendo vendidos 20 vezes mais caros, mesmas peças sendo encontradas em coleções normais e vendidas simultaneamente com preços diferentes – já vi um item de coleção especial sendo vendido em outra fast fashion anos depois, pasmem – o que proponho é que repensemos o que enfiam goela abaixo na gente, que todos se beneficiem percebendo os estilistas que realmente se dedicaram a apresentar algo de qualidade e acessível ao público e o que é vendido apenas como estratégia, que não acrescenta em nada nos nossos guarda-roupas, na nossa vida e no planeta que habitamos.

Observamos essa saturação vinda do excesso de coleções, algumas até simultâneas, esgotando o tom de novidade e isso reflete inclusive nos comentários – antes somávamos aqui mais 160 por post de coleção, hoje mal chegamos a 20, sendo que os acessos se mantém os mesmos, mas foi o assunto que se esgotou. Ninguém mais aguenta tanta ~novidade~ o tempo todo, sem ser exatamente a novidade que tanto esperamos.

Acreditem: é muito mais difícil manter um blog quando ele é voltado para pessoas e não pra bajular marcas.

Dito isso, vamos ao que achei me baseando apenas na vitrine:

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Não soltaram ainda muitas informações sobre essa coleção, mas sempre entendi como algo voltado para os fãs do Karl, com referências literais ao estilo do diretor criativo da Chanel. De qualquer maneira, achei que as peças expostas parecem bem executadas e bacanas, o blazer é bonito ao vivo e parece ter bom caimento.

Aí vem os poréns: essa lapela estilo smoking não é algo que o torna muito fácil pra coordenações do dia a dia e esse calor/aquecimento global nos mostra o quão equivocado pode ser comprar algo que não precisamos e que não sairá tão cedo do guarda-roupa. Para quem está de olho em um blazer, talvez seja uma boa opção, mas achei caríssimo mesmo assim – dá para vermos boas opções em outras lojas pelo mesmo valor ou menor até. O meu, da estilista Andrea Marques, foi comprado no bazar dela, 100% lã, pelo mesmo valor e a produção certamente é local e melhor valorizada, o que coloca também em questão a origem do que consumimos.

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O item mais em conta dessa vitrine era a camiseta com o rosto do Karl por 59 reais e pelo visto será um dos que vai voar das araras primeiro. A saia também parece bonita, mas custa 189 reais e o material é artificial.

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A shopping bag com estampa divertida da gatinha do estilista é bem mais bonita ao vivo, mas também achei caríssimo cobrarem 350 reais por uma bolsa que não é de couro. (ps: sei que couro é sofrimento animal, mas existem iniciativas incríveis como a marca PP Acessórios que usa o couro excedente da indústria na sua produção e a meu ver PU não é uma alternativa louvável, visto que é igualmente poluente, dura muito menos e quando descasca seu destino certamente será os aterros sanitários…) A Mari, do Modefica, mandou um link do seu site que explica minuciosamente porque a indústria do couro é mais poluente que dos sintéticos, vale ler e aprender! Obrigada, Mari!

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A tão falada padronagem pied poule com o rosto do estilista é bem interessante (gostei mesmo) e torna as bolsas mais facilmente coordenáveis que a de gatinhos, mas também desanimei com os valores entre R$319 e R$350 reais para algo sintético, o que diminui a vida útil delas. Enfim, achei bem bonita e deve voar mesmo com o preço

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Ainda não sei se será um alvoroço, mas acredito que talvez os destaques e itens mais em conta voem primeiro, com esses preços eu desconfio que o consumidor aguarde uma baixa ou no real desinteresse por essa coleção, apesar de termos itens clássicos e com pouquíssimas estampas, mas na atual conjuntura não sei se o preço alto superará o falso hype.

  • 25 Amaram
20 abr 2016

Nesse final de semana eu viajei para palestrar sobre como nós, moradoras de cidades notoriamente quentes, podemos adaptar algumas inspirações de coleções outono/inverno para os nossos looks. Hoje, por exemplo, está um calor monstro aqui no Rio de Janeiro e dá um desânimo lembrar que em outros anos eu já estaria de calça e casaquinho…

Resolvi não desanimar (hahaha) e apliquei no meu look de hoje o que eu falei com a galera lá em Natal! Escolhi duas peças em cores neutras mais escuras, desses tons próprios de cartelas invernais, só que aplicadas em peças mais frescas! A blusa é de alcinha e bem soltinha mas em azul marinho; já a bermuda-saia é em cinza chumbo e também bem ampla, o que ajuda a dar uma sensação de frescor nas altas temperaturas, além do tecido de ambas serem um crepe 100% viscose, uma fibra sintética ótima para o calor.

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Blusa Jardin que ganhei da marca
Bermuda Espaço Fashion OFF – 90,00
Flatform Sacada – 160,00
Colar Aramez para Adô Atelier e pulseira Luiza Dias 111
Bolsa Adô Atelier – 270,00

fotos: Babi Xavier

A dica então é essa para quem quer ignorar o calor sem desmaiar de tanto suar com roupas mais quentes: tecidos de fibras naturais ou viscose, que são mais frescos, batom de cores mais escuras, peças mais soltinhas e peladinhas mas com uma cartela de cores apontada para cores mais fechadas como vinho, azul marinho, mostarda e roxo, além de acessórios mais “pesados” ou metalizados. =)

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