Testando mais proporções diferentes

Já tem um tempinho que eu tenho usado com mais afinco diferenças de proporções no look – algumas eu mostro aqui, outras eu deixo pra lá porque ficava meio assim com as reações.

O tempo foi passando, eu passei a não ligar mais pra isso, e comecei a me jogar nas ideias, sem essa necessidade de ter que agradar ou de receber o like das redes sociais. E as proporções diferentes foram ganhando, novamente, espaço na minha vida. 🙂

Esse conceito ajuda a deixar até os visuais mais basiquinhos, criativos, com formas, volumes e texturas separadas. Explico: quando coordenamos algo muito comprido com algo que não é tão curto, quando usamos algo mais comprido com uma peça bem curta por baixo, ou algo bem amplo com uma peça mais sequinha.

Por exemplo: testei esse maxi colete, bebem comprido, quase no pé, com a calça “pesca siri”, que é mais curta, esse meio do caminho entre calça comprida e pantacourt, hahaha! Para não destoar muito, optei por tons próximos no look, mais claros ou azulados. Como o colete e a calça possuem uma diferença boa de comprimento entre elas, a proposta de brincar com a altura delas fez sentido.

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Adoro essa calça de cintura super alta compensando a barra meio do caminho!

Quando vi as fotos. fiquei apreensiva, pensando se não estava parecendo um jaleco, haha! Ou se não passaria uma mensagem mondronga, largada.

Mas agora, passado algum tempo, eu curti, sabe? Sair da zona de conforto serve pra praticarmos a desimportância sobre essa necessidade imposta de parecermos SEMPRE magras, altas, esguias, alongadas, com curvas, cintura marcada, femininas, e mais um monte de paranóias que desenvolvemos por pressão sociais, e que nos impedem de nos divertirmos mais no vestir diário.

O esperado, por exemplo, seria eu colocar um salto alto para alongar ou trocar esse colete comprido por uma jaqueta ou outro que parasse mais ou menos na altura do cós da calça, né?

Outra coisa que tenho tentado quebrar de paradigma, é usar blusa ou camisa beeem compridas com uma saia ou short mais curtos, ou ainda, saia midi! Confesso que ainda dá uma agonia, uma vontade de prender de leve parte da blusa na cintura, mas, às vezes, testo assim e gosto, e funciona, e me sinto super editora das muódas, ahaha, aquela que não precisa delimitar uma silhueta para transmitir uma mensagem poderosa de estilo.

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Blusa Jardin
Coletão Comas
Calça Cantão arrematada em bazar
Tênis Sanden Calçados
Bolsa Adô Atelier

Foto: Denise Ricardo

Outro exemplo de proporção não equivalente que usei e aprovei, foi a desse look, com blusa bem comprida e saia também mais compridinha, mais pro midi. Ficou uma cintura super deslocada, sem essa de medo de “achatar” ou aumentar o torso em relação à altura de pernas.

A blusa não precisou estar na altura da minha cintura, a saia não precisou ser mais curta: adorei a continuidade que essa desigualdade de barras, trouxe, e usei esse look à exaustão, de tanto que amei!

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E vocês, arriscam essa variação de alturas de barra de parte de cima com barra da parte de baixo? Como se sentem?

Acho um super exercício de desconstrução abrirmos mão do que é esperado e aguardado numa silhueta feminina, até porque não precisamos mesmo sermos uma coisa só, sempre. Esse medo inerente de “engordar”, “parecer mais baixa” ou “menos mulher” é que nos aprisiona nessa sociedade que pretende nos encaixotar e reduzir o tempo todo à base do medo.

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Onde eu compro meus acessórios

Muita gente veio perguntar onde eu compro meus acessórios, que são diferentes, coloridos. É notório, em tanto tempo de blog,
meu apreço por acessórios chamativos, de preferência impactantes. Mas preciso dizer que não ando mais apaixonada pelos colares
gigantescos, minha preferência atual são os brincos compridos e colares menores, mais alongadores.

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Mix de colares e acessórios

Antigamente era assim: é enorme, meio decorativo? Eu quero! Hahaha! Recentemente até
usei alguns nesse estilo, mas não são minhas primeiras opções. Eu ainda tenho muitos colares e acessórios diferentes, a maioria
garimpado em brechós, feiras de moda e de sites como o enjoei. Esse é um dos meus preferidos da minha coleção, da antiga
Aramez, que desenvolveu pra um desfile icônico em 2011 da marca mineira Patachou, e eu arrematei no enjoei, anos depois.

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colar icônico do desfile da Patachou

Esse de baixo veio de Recife, da designer
Katia Costa Pinto, que desfilou na Fenearte, tenho ele desde 2015 e só consegui usar uma vez. 🙁 Acho que vale um
Comprei e nunca usei com ele, já que ele é todo em tecido (bom para as alérgicas!) e sua forma permite mil variações, já
que ele é um fio contínuo.

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Colar uso que veio de recife, todo em tecido

Meus preferidos da vida, amados e idolatrados, são, sem sombra de
dúvida, os da
Luiza Dias 111. É impressionante como é só usar algum colar, pulseira ou brinco da marca, para alguém perguntar
daonde é! Eu já sou detentora de uma mini coleção da marca e, confesso, já tive alguns problemas com fecho e material mais
desgastado, mas deixei recentemente na loja e ficaram novinhos em folha. 🙂

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Um dos meus vários acessórios da Luiza Dias 111

De brincos amados, além dos da Luiza, tenho ficado viciada nesse
da Erika Z, transparente, que já usei desde festa de carnaval até dia a dia!

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Brinco versátil e lindo da Erika Z

Eu separei alguns lugares que costumo comprar acessórios por bons preços ou
até um pouco mais caros – não tem jeito, acessório eu super acredito que vale pagar um tico a mais ou garimpar bem para garantir
um look bacanudo com eles. Acessórios são os salvadores e aqueles que dão o tom mais interessante até nos basicões! Em semana
de
Fashion Revolution, em que usamos a
#quemfezminhasroupas para contestar as marcas sobre seus meios de produção, separei apenas marcas que possuem trabalho
nesse viés, mais slow fashion, mais autoral.

Na listagem tem os que eu já comprei, outros ganhei e tem aqueles que eu só vi ao vivo e namoro. Tem também indicações fantásticas
do nosso grupo
Moda Pé no Chão no facebook, que eu coletei várias e listei pra vocês! Colei o instagram das marcas, mas em todos
os links tem a informação de email, telefone, whatsapp, site e loja!

Luiza Dias 111

Com materiais como metal e murano, Luiza ganhou meu coração com seu design limpo e muito sofisticado. As peças não são absurdamente
caras se levarmos em conta principalmente o quanto elas são versáteis!

Mix que amamos! Nina Caramelo+ Francesca Marinho, com Murano e Metal. Disponíveis nas lojas física e online.

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LUIZA DIAS 111 (@luizadias111_) em

Montageart

Sou fã incondicional do talento desses rapazes, que não seguem modismos, que cada peça garimpada é transformada em objetos
únicos, sensíveis e criativos.

Fernanda Torquet

A designer mineira trabalha com sobras de materiais da construção civil, em um reaproveitamento lindo e muito bem executado!

A Figurinista

São objetos de arte as peças e joias autorais de Teka Brajovic.

It brands rocking!!! Hj vai até as 22! Vem!!!

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by Teka Brajovic (@afigurinista) em

Entre Cubos

Acessórios que são esculturas geométricas feitos em colaboração com as clientes pela designer Ingrid, é tudo tão incrível
e contemporâneo, que sempre me pergunto porque ainda não tenho nada da marca.

.Partindo do momento em que nos propomos a criar junto de quem nos solicita, percebemos a proximidade entre personalidade,
momentos e que estes se relacionam diretamente com as cores selecionadas, e a importância disso remete à
nós mesmo, e o que o nosso inconsciente diz. Vamos hoje falar sobre algumas facetas de uma das cores mais
amada no planeta. Por que o azul tem um efeito distante e infinito? A perspectiva produz a ilusão do espaço.
As cores podem também produzir perspectiva. Nós associamos as cores às distâncias porque elas realmente mudam
com a distância. O vermelho só é luminoso quando está perto, assim como o fogo só aquece quando estamos próximos
a ele. Quanto mais distante o vermelho estiver, mais azulado se torna. Todas as cores à distância se tornam
mais azuladas, pois são recobertas por camadas de ar. Quanto mais graduações estiverem à vista no céu, indo
do azul-claro ao azul mais escuro, maior a impressão que se tem de poder ver mais longe. A esse efeitos os
pintores chamam de “perspectiva aérea”. A regra é que as cores fortes atuam como se estivessem mais próximas
do que as cores apagadas. Nós percebemos a água e o ar como azuis – apesar de eles não serem realmente dessa
cor. Um recipiente de vidro permanece sem cor quando está cheio de ar, e também quando está cheio d’água.
Porém, quanto mais profundo um lago, mais azul a água parece ser. Com o aumento da profundidade, todas as
cores se dissolvem em azul. Nossa experiência demonstra que o azul é gerado pela reprodução infinita de qualquer
material transparente. Por isso o azul é a cor das dimensões ilimitadas. O azul é grande. .tridimensional
desenvolvido em madeira e bronze 340 / Flöge cubos em paetê 390.

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Entre Cubos (@entrecubos) em

Paolla Falcão

Adoro o estilo dramático e alternativo da Paolla, com peças bem chamativas e pesadonas.

Crua Design

É notório e uma referência o trabalho da Crua com reaproveitamento de madeira de forma autoral e sustentável. Sou apaixonada!

Acessório ou escultura? Nosso colar Construção ❤

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Babilak Bijouterias

Eu sou FÃ da marca! Há 42 anos criam numa oficina/loja nos fundos do número 98 da Visconde de Pirajá. Feitos em resina, são
todos produzidos no local, que abriga uma quantidade infinita de colares, pulseiras, anéis e brincos. E os preços são maravilhosos,
vale muito a pena!

Erika Z

Acho o trabalho da Erika muito inspirador! Adoro essa nova fase colorida da designer, explorando outros materiais. É dela
meu brinco transparente lá de cima e não tem uma viva alma que não fale dele quando uso!

Noiga

Acessórios super autorais, criativos e geométricos, impressos em 3D. Não são aquela pechincha – até por conta do processo
criativo da marca –, mas vale demais conhecer e namorar um!

O Lázuli

Ganhei alguns brincos da marca tão maravilhosos, em cerâmica e outros materiais alternativos, como corda, que vale muito
a indicação!

Cecília com Brinco MITI na cor Púrpura. 💜

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Atelie Chilaze

No coração da Saara, no Centro do Rio, a marca se destaca com seu trabalho criativo misturando muitas cores e materiais.
Sem dúvida é um lugar ótimo pra ter bijus incríveis, apesar de não ter o preço médio da região popular.

Vittri Complementos

A marca foi indicação do grupo, e eu já adorei o estilo dela, com cores e geometria!

Vai ter muita cor e muito brincão, Brinco Gal Brinco Bethânia

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Brir

A Brir também não é aquele brinco baratinho, hahah, mas olha, só tem lindeza! Fica aqui a menção honrosa, porque eu amo o
processo criativo dela!

Colar Porto, xodó da coleção 💚 www.brir.com.br #madeinrio #lovebijoux #newin #brir #elos

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Menos imediatismo, mais processos

Essa semana estou faladeira. Cabeça fervilhando após semanas de moda e outros acontecimentos e eu tô compartilhando bem mais minhas impressões nos stories do Instagram – em breve eu pretendo estender para micro vídeos do YouTube, agora com uma equipe, quem sabe a coisa engrena?

Bom, começamos nesse final de semana até o próximo, a Semana do Fashion Revolution, que é um movimento que propõe que questionemos às marcas quem fez as nossas roupas, criado com o objetivo de aumentar a conscientização sobre o verdadeiro custo da moda e seu impacto em todas as fases, desde o processo de produção até o consumo e pós consumo. 

Ano passado eu fui convidada do Fashion Revolution Salvador, esse ano não pude entrar nas programações por conta de viagens dos Workshops. Mas o assunto incitou um pensamento sobre a velocidade, ansiedade e imediatismo que venho presenciado com frequência, agora que ministro mais cursos e tenho me colocado mais nas redes sociais.

Questionando o modus operandi

Outro dia, lancei no workshop que eu praticamente não entrava em lojas que não fosse por trabalho, desde dezembro. Que meu desejo por compras reduziu drasticamente e como tenho achado tudo mais do mesmo. Uma pessoa questionou “Mas você não tem comprado nem uma blusinha?”. Entendi a pergunta, mas conseguem perceber como não comprar causa estranheza porque colocamos roupas numa posição de peças descartáveis e facilmente substituíveis?

As peças que eu mais gosto são antigas, e, claro, que sinto desejo por alguma coisa ou outra, até para atualizar o que já tenho. Mas comprar algo bom, de qualidade, seguindo minha cartela de cores, com bom caimento, seguindo meu estilo, de tecidos naturais, virou uma tarefa difícil.

E, sim, é até positivo dificultar! Mesmo quem anseia por uma mudança para melhor, precisa entender que existem o tempo das coisas. O nosso tempo. E não respeitamos isso. Queremos-tudo-já-agora-preciso-meu-deus-não-posso-viver-sem-não-dá-pra-esperar-tenho-festa-sábado-queria-já-sair-assim.

E aí que as coisas veem no tempo que elas precisam até para que possamos compreender mais sobre a gente, nossas escolhas, ponderar se aquilo é real necessidade ou pura crise de ansiedade, de vontade exarcebada de se destacar sem necessariamente trazer algum pensamento e atitudes de mudança.

Em moda, cada vez mais, a compreensão desse tempo tem sido destacada. Você tem uma festa no final de semana e PRECISA achar uma roupa para tal ocasião, sem eira nem beira, mas PRECISA. Sai correndo aos 48 do segundo tempo – porque, né, nessa urgência de fazer e acontecer nessa vida, quem se dispõe a ficar horas num shopping? – entra em várias lojas, ofegante, até que encontra um vestido mais ou menos que serve, vai ele mesmo, paga o valor e pronto, menos uma coisa na lista.

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Tirei foto com esse vestido e só isso me bastou. Não preciso tê-lo comigo <3

Mas talvez vai ser mais uma coisa que ficará sem uso dentro do armário, já que não existiu o fator planejamento para essa peça. Ou perceber que você já tinha tudo que precisava dentro do próprio armário, mas o anseio pela novidade e por uma vontade incontrolável de novidades.

Planejar é ganhar tempo, é fazer dessa busca por algo um momento pensado e dedicado, de entendimento de que o investimento precisa render com o que se tem no armário, valer novos usos, seguir o que se acredita, o seu estilo de vida, ser adequado aos seus anseios. Não merecemos o mais ou menos: somos muito especiais para abrigar qualquer coisa dentro das nossas coisas, dentro das nossas vidas, cobrindo nossos corpos. 🙂

O imediatismo e a vontade de resolver as coisas naquele momento só geram equívocos. Pensamos pouco sobre os prós e contras – não só de roupas, mas de tudo na vida –, da vontade emergencial por mudança, que muitas vezes acontecem quando precisam acontecer, não porque queremos que aconteça. Perceber e aceitar isso sem ficar doída é fundamental para uma vida com menos sofrimento e estresse.

Precisar não precisamos

Roupas, para serem feitas, demandam tempo. Estudo. Processos. Não deveriam ser padarias com pão quentinho a toda hora, ofertando vários nadas, peças sem expressão, sem diálogo, sem representatividade.

Mesmo que você não perceba, vestir-se é, sim, um ato político. Expressa de alguma forma, mesmo que involuntariamente, suas crenças, uma posição social e ideologias. Mostra o lado que você assume nessa engrenagem. A forma como você se coloca, pra si mesmo, nesse mundo.

Se essa engrenagem que gira numa velocidade absurda em busca de lucro deita em cima de leis trabalhistas questionáveis, meios de produção massacrante e desiguais, nos colocando como cabides e, mais ainda, mexendo com nossas inseguranças, vestir-se do resultado dessa engrenagem é, de certa forma, fazer parte dela. Continuar alimentando desigualdade, poluição, e um sistema que coloca mulheres como seres competitivos e fúteis.

Pausar o comprar por comprar me permite ter uma visão mais macro do que significa o meu poder como consumidora na mudança da sociedade, tornando claras as minhas crenças e me deixando menos refém de um sistema que nos joga uma carga de ansiedade e frustração fortíssimas.

Eu não pretendo mais girar rápido que nem essa roda. Já sofri de ansiedade pra ter algo que eu achava que precisava muito, já peguei ônibus só pra ir numa loja na PQP comprar o raio da peça que eu via todo mundo usar. A tal roupa foi usada apenas duas vezes. Duas únicas fucking vezes.

Quando me pedem para montar um look com bota vermelha, pra pegar inspiração de como usar a tendência da bota vermelha do momento, eu digo que não montarei. Acho lindo sapato vermelho, mas não preciso de uma bota nesse Rio de Janeiro onde só faz clima ameno três vezes ao ano. Ninguém precisa, inclusive, comprar algo que não sabe com o que coordenar – não é bacana levar mais dúvidas e questões pra dentro de casa, quando o mais coerente é pensar ANTES se aquele item vai dar liga com todos os outros, quantos looks vai render, em que ocasiões será usado…

Muito melhor se inspirar nas ideias com a cor vermelha e ir pro armário testar uma coordenação de cores complementares, com o verde. Aí você experimenta aquela sua camisa vermelha com uma calça verde musgo, ama e vai ser feliz mais colorida e menos monótona. 🙂

Obviamente eu não acordei pensando assim num belo dia de sol e, pliiiiim, virei o ser mais consciente do mundo, hahaha! Foram anos dando cabeçada, gastando dinheiro inutilmente, querendo acompanhar algo que já chega para nos fazer ficar em desvantagem eterna. Levei mais alguns anos para entrar no estágio de entendimento que estou agora sobre meu papel profissional, mais alguns outros períodos para ter o que me representa dentro do armário, e, agora, a compreensão que eu tô bem feliz de saber que estou criando muitos looks diferentes entre si apenas com o que já é meu. 🙂

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Preciso falar sobre carreira e empreendedorismo

“Ana, você é muito empreendedora!”

“Ana, conta mais que curso/livro/formação você recomenda”

Essas são as duas frases que eu mais ouço e leio, e gostaria de aproveitar não só para falar do meu trabalho nas últimas semanas, como para conversarmos sobre profissões novíssimas, ainda mais como autônoma, além de carreira e mercado de trabalho.

Há alguns anos, quando era designer gráfico, eu era uma criatura que só reclamava. Não que hoje eu não tenha meus rompantes, mas a real é que eu odiava trabalhar pros outros. Receber ordens que muitas vezes iam contra minhas crenças e anseios, me faziam uma profissional rebelde, e, por conseguinte, me sentia uma bosta por não compreender porque eu me sentia tão distante daquele modelo padrão. Era submetida a uma rotina que eu não compactuava e comecei a perceber que eu não amava mais meu ofício. Foram tempos difíceis e lamento algumas condutas minhas, que até se refletiram aqui no blog. Eu era uma pessoa infeliz no meu trabalho como designer gráfico, trabalhava anestesiada e de qualquer jeito, muitas vezes.

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O blog surgiu, há 10 anos, por meio de uma brincadeira sem pretensão alguma – tanto é verdade, que ficou parado por meses logo que começamos. Quando eu enxerguei o potencial e o ouvi eco de tantas pessoas que se identificavam com a proposta, foi que veio o estalo e vislumbrei o embrião de um negócio, de me jogar em algo que eu gostava verdadeiramente. E, não, não é apenas moda: era, e é, ajudar pessoas a serem mais felizes com suas escolhas.

Não acredito que todo mundo nasça pra empreender, mas eu asseguro que faço parte dos que gostam de ter as suas rédeas sob seu próprio comando. Não conhecia ninguém do meio, vim de um lado da cidade execrado por muitos, trabalhei anos pra pagar meus cursos e muita coisa aprendi fora dos livros e da descrita cartilha.  O caminho não é tão simples, mas acredito que podemos tomar nosso rumo sem pressão de acertar de primeira ou de já sentar na janela. Foram 10 anos pra chegar até aqui, sem me escorar em ninguém, e eu estou apenas começando, com minhas próprias pernas e um semblante mais feliz. ✨

Como tem sido o caminhar

Na última semana eu trabalhei no Veste Rio, evento de negócios em Moda do Rio de Janeiro, organizado pelo Senac, Caderno Ela/O Globo e Vogue, antigo Fashion Business, só que mais acessível ao público, com outlet de marcas conhecidas, palestras e oficinas abertas a todos e gratuitas. Dei três oficinas de 1h30 cada, com o tema Armário Cápsula, em que falei sobre consumo consciente sem caô, e levei um armário de 15 peças para mostrar a infinidade de combinações que elas rendiam.

Na quinta-feira eu participei também de um bate papo, com o tema Moda para todos/Moda vida real. Quantas vezes eu tremi numa posição dessa, achando que não teria capacidade para desenvolver um papo frente a tanto povo expert do meio – e todas as vezes eu me surpreendi com meu conhecimento além do que era discutido, minha propriedade sobre o assunto e anos e anos e anos trabalhando DE VERDADE, na linha de frente, por uma moda mais acessível, inclusiva e realista.

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Não quero ser referência se isso não significar mudar efetivamente a cabeça de muita gente no mercado, de contribuir de fato para que mais pessoas se desobriguem de achar que precisam de isso ou aquilo para serem felizes.

Às vezes penso – e eu sei disso –, que eu poderia, de repente, estar além do que estou hoje. Não ser vista algumas vezes como um tapa buraco, como ainda me sinto em alguns (cada vez menos!) poucos momentos. Eu ouço certos discursos e penso como as pessoas ainda macaqueiam o que todo mundo espera que falemos: dicas de estilo, tipo físico, tem-que-ter, básicos essenciais zzzzzzzzz. Ai, gente. Acho que chegou a hora de virarmos essa chavinha e nos apropriarmos do NOSSO DISCURSO e do que queremos de verdade para as nossas vidas e crenças, seja a sua carreira em moda, seja em quaisquer outras áreas.

Quando eu me toquei disso, recentemente, eu me tornei mais forte. Deixei de ser a que reproduzia discursos alheios para trazer meu olhar, didática e fala sobre velhos conceitos da consultoria. Briguei feio com quem veio falar na minha cara que minha profissão incentiva o consumo. Botei a cara a tapa e mandei a letra no bate papo e oficinas, sem receio, com toda a fibra do mundo.

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Palestrante no Veste Rio

Não planejei ainda um modelo de negócio, mas tenho ideias o tempo todo, dependo dos workshops e trabalhos para remunerar uma equipe de 7 pessoas. Estou me reorganizando para manter um capital de giro, terminar de desenvolver um curso de formação em consultoria de estilo, outro em cores, mais um em comunicação para consultores de estilo e um serviço de mentoria para consultorxs de estilo.

É extenuante fazer tanta coisa sozinha, até delegar é complicado. Mas eu nunca estive tão segura que eu posso crescer, caminhando com meus passos firmes, sem esmorecer. No Rio é tarefa árdua ter destaque num círculo em que os amigos se indicam, mas meu sorriso se alarga quando algum profissional que admiro, reconhece o valor do meu trabalho. Por isso é que eu não quero mais o trabalho de formiguinha: agora o negócio aqui é pé na porta!

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Manuella Antunes e Philippe Rudnik, meus assistentes!
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Mostrando pro pessoal das oficinas as muitas possibilidades com 15 peças

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Cursos, mercado e conhecimento

Um bom curso faz a diferença? Faz, mas sinceramente, não me firmo apenas por eles, não, eu busquei – e busco – meu próprio diferencial, a linguagem do meu público. Tive excelentes bases, mas meus maiores conhecimentos não vieram somente delas. Eu transformei meu trabalho, há anos atrás, em um ato político, o que me trouxe uma puta vivência e foi onde aprendi o que era EMPATIA; fiz trabalho social, me interesso por artes, música, design.

Ouço pessoas o tempo todo, e isso é um exercício fortíssimo contra a nossa armadilha do ego. Quero abraçar essa gente quase sempre. Quero contribuir. Ser a mão que traz o conforto. Ser a cabeça para emprestar as ideias. O olhar compartilhado sem miséria. Ainda pretendo estudar antropologia por conta disso, olha a dica boa, aí.

Empreender é dar conta de um leão por dia, ainda mais de alguém que se jogou numa área notoriamente classicista, sem respaldo algum, sem um background. Tudo na raça, tanto que até outro dia meu saldo bancário estava zerado, hahaha (rindo, mas é de nervoso, hahaha).

Curiosamente, não tenho medo de me jogar. Não tenho pra onde correr, então ou é isso…ou é isso. rs. Então me imbuí de ideias e arrisquei. Lancei. Montei um conteúdo porreta de bom. Usei as minhas melhores armas: a didática e o sorriso. E mantive os passos firmes, com pessoas incríveis me acompanhando.

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Eu consigo pagar minhas contas – mas atentem, nesse ínterim de Veste Rio eu ainda dei um workshop no sábado por conta própria, e outro domingo, o de cores. Às vezes não tem como fugir da ralação, mas ir à luta dá trabalho mesmo, assim como acordar, pentear os cabelos, ir ao banheiro, hahaha…TUDO dá trabalho!

Também não acho que a área tenha mercado pra todos. Acho insustentável o discurso que todo mundo vai conseguir trabalhar no meio, sendo bem sincera. A boa notícia é que temos SEMPRE a opção de voltarmos atrás, retrocedermos mesmo, e mudarmos a direção. Que dá pra, no meio dos erros, perceber o que te torna um profissional amoroso e dedicado, escolher o seu campo de atuação – que muitas vezes pode estar no seu entorno, na sua realidade e, o mais importante, alinhado e leal aos seus propósitos.

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Esse post não traz um passo a passo de como ser uma profissional bem sucedida, nem uma lista de livros, cursos e profissionais. Acho que fiz bem mais, sendo pouco modesta.

Tomara que eu tenha ajudado, de alguma forma, compartilhando minha história com vocês. Não somente incentivando guinadas profissionais – eu mudei de profissão aos 34 anos, e ainda assim foi gradual – mas de desobrigar todo mundo a ser empreendedor, ou de ter que ser famoso nas redes. Sei lá, às vezes é simples, é só mudar o foco do que se faz, buscar outras motivações, olhar mais frente do que para os lados, pra não tropeçar no próprio caminho. ❤️

Evoé, minha gente, que estamos apenas começando!

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